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Razer Phone 2, gamer com Chroma [Review / Análise]

17:29 | Por Adriano Ponte | 15 de Janeiro de 2019
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Ficha técnica

Em 2017 “a Razer lançou um smartphone, mas o logo na traseira não acende nem pisca, por isso não é gamer”, segundo alguns. Bom, agora acende (e) pisca.
Para 2018 a Razer colocou mais fôlego no grupo seleto de smartphones gamers, corrigindo pequenos itens que não agradaram no Razer Phone 1 e atualizando CPU e GPU para 2018.

Falamos do Razer Phone 2.

CONSTRUÇÃO, DISPLAY e MULTIMÍDIA

O primeiro ponto a notar no Razer Phone 2 é evidente: sua aparência quase não mudou em relação ao modelo anterior, logo quem não gostou do visual “tijolar” do aparelho original (dificilmente) gostará desta nova versão. Sua principal mudança é na parte de trás, agora em vidro.

Nessa traseira com reforço Gorilla Glass há novamente o logo da Razer, agora com iluminação RGB para uma completa experiência gamer. Este item muda a percepção do usuário e de todos à sua volta sobre o Razer Phone 2. Não foi piada, realmente faz parte da cultura gamer o RGB, mesmo que não agrade a todos.

Além desse item temos a certificação IP67 para imersões na água em até 1m de profundidade por até 30 mins, mostrando que essa aparência “retrô” ganhou uma camada extra de utilidade agora. O peso total ficou em 220g, um pouco pesado para (mais um) aparelho com apenas a moldura em alumínio na prática.

Passeando pelo aparelho notamos ainda algumas coisas: conector USB-C (tanto para carregamento quanto fones de ouvido), leitor de impressões digitais na lateral (especificamente no botão de desbloqueio do aparelho). Simples.

Boa notícia: a tela ainda é uma das maiores atrações do Razer phone, e nessa segunda versão temos um display IGZO IPS LCD (5.72”), rodando em 1440 x 2560 pixels (16:9) com ~513 ppi de densidade, além do amplo espectro de cores e suporte aos 120 Hz novamente. A proteção é a Gorilla Glass 5 (com tratamento oleofóbico).

De maneira simplificada, podemos aproveitar conteúdo numa quantidade exagerada de quadros por segundo no Razer Phone 2, e basta que o jogo/aplicativo tenha capacidade de produzir tantos FPS para de fato justificar a tela de 120hz. Se você quiser ver em números esses FPS, é possível ativar o indicador da taxa de quadros pelas configurações de desenvolvedor do Razer.

Infelizmente ainda não estamos nessa era e você terá algum trabalho para extrair o máximo que essa tela pode entregar; é possível descer a taxa de atualização da tela nas configurações caso o usuário sinta que não consome nada que faça bom uso da alta taxa de quadros, evitando jogar bateria no lixo. Naturalmente em todos nossos testes mantivemos a tela em 120hz e o aparelho em modo performance, afinal o Razer Phone 2 foi feito para isso e tem sua tela e potência como diferenciais (logo acreditamos que os compradores do modelo buscam justamente isso para utilizar, não desativar).

Mas nossa dica de que os dois games “Alto’s Adventure” e “Alto’s Odyssey” rodam em 120 fps fica aqui para quem estiver com o Razer Phone na mão e quiser fazer o teste.
Prosseguindo com a tela temos uma unidade mais brilhante que a geração passada, melhorando a legibilidade em luz forte. Quanto a qualidade da imagem desse painel, falamos de um desempenho inferior ao que vemos nos AMOLED de outras fabricantes, tendendo ao resultado mais balanceado e sem cores tão vivas quanto esperávamos. Uma boa tela LCD, simples de dizer ao simplificar assim.

Indo para os lados dessa tela, temos os alto-falantes do Razer Phone 2, remetendo a uma TV com duas caixas do home-teather colocadas ao lado da tela; essa impressão é interessante, afinal o som do Razer Phone 2 é muito bom para um aparelho compacto.

Não entenda errado: não substitui uma caixa de som externa ou fones de boa qualidade, porém entrega um resultado surpreendente (principalmente ao comparar o Razer Phone 2 com praticamente qualquer smartphone lançado no último ano). A forma como as saídas de som foi projetada dá a sensação de que temos muito mais das músicas e efeitos sonoros que saem dali, arriscando alguns graves e ampliando os detalhes que costumam passar despercebidos ao ouvir algo pelo smartphone diretamente.

Mas não se esqueça: assim como o iPad Pro e o Galaxy Tab S4, som “melhor, bom, impressionante” ainda significa equalizar tudo mais pro agudo, afinal falamos de alto-falantes miniaturizados. Citamos o iPad Pro e o Galaxy Tab S4 justamente por contarem com excelentes experiências de som para dispositivos móveis, mas para também baixar as expectativas mais para a Terra, lembrando que existem limitações naturais nesse tipo de dispositivo.

ESPECIFICAÇÕES, USABILIDADE e DESEMPENHO

Durante nossos testes o Razer Phone 2 rodava o Android 8.1 (Oreo), em vias de receber o Android 9.0 (Pie). As alterações são poucas e basicamente giram em torno do Nova Launcher customizado para a marca, além de opções de sistema para performance/tela e controle de luz. Sim, controle da iluminação do Razer Phone.

Na traseira dele temos um item que poderia ser considerado decorativo, mas sinceramente preferimos posicioná-lo como algo útil. Falamos do logo da Razer retroiluminado, “chroma”, seguindo a identidade de tantos produtos da marca.
Você pode escolher entre ver a peça “respirar” (acendendo e apagando), mantê-la sempre acesa… ou receber suas notificações por ali. Nisso, consideramos um acerto em cheio.

Ao mesmo tempo que a Razer entrega sua identidade através do “chroma” na traseira do aparelho o usuário pode economizar bateria ao optar por só acender a peça quando de fato o celular precisar de sua atenção, servindo como os LEDs de aviso fazem (e) mantendo o esperado para produtos com a ambientação “gamer” que fazem parte do pacote.

Indo para dentro, temos no Razer Phone 2 o Chipset Snapdragon 845, que conta com:

  • CPU Octa-core (4x2.8 GHz Kryo 385 Gold & 4x1.7 GHz Kryo 385 Silver)
  • GPU Adreno 630
  • 8GB RAM
  • 64GB ROM (+ microSD)

O aparelho conta com um sistema passivo de refrigeração líquida (ou com “câmara de vapor”, como preferirem) para ajudar no uso intenso do chipset. Quando iniciamos nossos testes imaginamos que seria mais uma experiência de “aparelho potente, geladinho”. Não.

Ao utilizar o Razer Phone 2 fica claro que esse sistema de refrigeração está mais aproximado de uma medida obrigatória para conter o superaquecimento do aparelho do que algo que exista para dar mais conforto ao usuário, afinal basta abrir o YouTube ou mesmo passear pelos menus do sistema por uma pequena quantidade de tempo para descobrir que o Razer Phone 2 esquenta, e esquenta bastante.

Não importa o jogo, não importa a tarefa; o Razer Phone 2 passa uma mensagem de que (ou) está sempre sobrecarregado (120hz) e basta qualquer coisa para transbordar (ou) que sua nova construção criou uma prisão de calor terrível no corpo do aparelho, incapaz de refrigerar.

É evidente que o aparelho incomoda nas mãos e nos faz elevar as sobrancelhas com desconfiança para o desempenho dele, afinal “gamer” é o oposto de “quente”, dada a natural diminuição de performance que processadores sofrem em altas temperaturas. A verdade é que o chipset do Razer Phone 2 é bom o bastante para ainda assim entregar desempenho mais que suficiente para os títulos mais pesados da Play Store, porém num fracasso completo em termos de eficiência ou mesmo conforto para o usuário que não optou por um forno portátil na hora de levar um Razer Phone para casa, com reflexos negativos colaterais em outros itens além da própria dissipação de calor. E por falar em outros itens afetados pela temperatura...

ENERGIA

O Razer Phone 2 mantém a capacidade de energia trazida no Razer Phone 1, algo interessante para qualquer aparelho. São 4000mAh de bateria dentro do smartphone.

Especificamente no caso do Razer Phone 2, precisamos relatar que os testes foram aplicados com o aparelho no modo desempenho (como habitual para modelos que contam com esse modo que testamos), com tela ativada em 120hz. Consideramos importante isso pois o usuário tem o direito de usar seu aparelho com toda sua funcionalidade aplicada (principalmente quando falamos de um dos maiores diferenciais do aparelho).

Repetimos os testes diversas vezes e constatamos que 18% da bateria do Razer Phone 2 é consumida por hora ativa de uso (em streaming de vídeo), pouco mais de cinco horas de tela.

Trata-se de um péssimo resultado para o consumo de conteúdo padrão que realizamos nesse teste equilibrado (ou seja, as coisas vão piorar em jogos pesados). Vale notar que mesmo com o sistema de resfriamento “líquido/vapor” notamos uma boa aquecida no Razer Phone 2, deixando a pista de que nesse aparelho não só a traseira com vidro foi uma péssima idéia (bem como) o sistema de resfriamento foi totalmente obrigatório para (apenas) conter o calor, e não garantir uma experiência “geladinha”, ideal.

O que fica claro é nossa sanidade ao pedir por uma bateria de 5000mAh no Razer Phone 2, feito para ser uma “powerhouse”, ou seja, um tanque de guerra para jogar sem parar. Sem esse item (e) com tanta coisa para consumir energia fica o paradoxo do celular potente, com mais bateria (e) mais consumo dela…

O Razer Phone 2 não chega ao final do dia com sua configuração em “desempenho” e display em 120hz (e acreditamos que sejam esses os principais motivos para que alguém opte pelo Razer no lugar de um Pocophone, iPhone, Note 9, etc/etc/etc), logo leve um carregador na mochila para pagar o preço desse diferencial (ou espere pelo Razer Phone 3 para talvez ter mais bateria).

E para quem ficou pensativo sobre a drenagem de bateria apenas do logo da Razer na traseira, fizemos testes com e sem o mesmo ativado; recomendamos que o usuário mantenha a configuração dessa parte RGB LED para ativar-se apenas com novas notificações, assim economiza-se bateria ao mesmo tempo que o item ganha uma utilidade (além da finalidade decorativa), caso contrário a drenagem de bateria contínua do modo “espectro” (por exemplo) limita o tempo de espera (no bolso, pela noite, etc) que Razer Phone 2 é capaz de manter, cortando seu tempo de standby para 1 dia exato mesmo sem uso nenhum, esquecido em casa. Some isso ao uso normal e temos um bom aviso sobre “não deixe isso ligado o tempo todo”.
O Razer Phone 2 suporta carregamento rápido de 24W (Quick Charge 4+) e carregamento rápido sem fio de 15W.

FOTOGRAFIA

O Razer Phone 2 possui um alinhamento de câmeras melhor que o antecessor, passando para o centro o conjunto de fotografia. Ali temos uma dupla de 12MP (f/1.8) 25mm (wide) com OIS (acompanhada de outra câmera de) 12MP (f/2.6) para zoom de 2x + suporte 4K.

É bem provável que você sinta falta de mais controle sobre a câmera do Razer Phone 2 e suas configurações/opções de captura, especialmente no modo vídeo para controlar quadros por segundo, por exemplo. Não foi nessa segunda versão que o Razer Phone acrescentou maestria ao seu lado fotógrafo, algo esperado para um produto focado em “games”.

O principal item para nos atentarmos é o OIS, a estabilização óptica que faltava na versão anterior e que agora chega como correção ao modelo. Isso é item obrigatório para aparelhos topo de linha e agradecemos que esteja aqui.

Porém terminamos aqui a boa percepção do Razer Phone 2: a performance de fotos continua um pouco abaixo do esperado, mantendo forte pós processamento com considerável perda de detalhes nas fotos, com ou sem HDR. Parecem fotos de um excelente aparelho intermediário de 2018, porém definitivamente não remetem ao topo de linha que de fato falamos. As fotos noturnas seguem tudo que falamos, acrescentando um pouco de ruído na receita.

Indo para a frente temos uma câmera de 8 MP (f/2.0), com vídeo em 1080p. Tudo dentro do esperado para uma câmera frontal simples, entregando resultados OK, com bônus para o modo de embelezamento horrendo para utilizar no Halloween.

VALE A PENA?

O problema do Razer Phone 2 é seu preço de praticamente mil dólares no exterior, dando trabalho para o bolso de quem estiver interessado no aparelho (e) para o frete/loja que disponha do aparelho. A regra é a mesma: ou alguém busca o aparelho fora do Brasil (ou) paga-se mais caro pelo modelo numa loja que já tenha importado ele com uma agradável “taxa de conveniência”.

Dado o custo do Razer Phone 2 é impossível não compará-lo com os topos de linha com Android e iOS, deixando clara a mensagem de que pode-se pagar bem menos em praticamente qualquer topo de linha e ter uma experiência na mesma altura da oferecida pelo Razer Phone.

Mais que isso: devemos lembrar que o modelo tem problemas de superaquecimento constante e péssima autonomia de energia, deixando ainda mais difícil engolir o preço que deve ser pago por um produto que regrediu em usabilidade em dois pontos cruciais.

Certo, você não encontrará outro aparelho com uma tela com tanta fluidez por aí, mas certamente notará que pouco conteúdo do Android está pronto para 120hz no momento, deixando um aviso de que pode não ser a hora para pagar uma fortuna num aparelho gamer (problemático) com esse diferencial como um dos grandes destaques, afinal você pode aproveitar as transmissões de campeonatos e outros conteúdos do YouTube em 60 fps sem o Razer Phone. Ou mesmo no Razer Phone 1.
Mas quem pagar pelo Razer Phone 2 terá iluminação chroma, não é mesmo?

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