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Multilaser MS80 [Análise / Review]

10:26 | Por André Fogaça | 02 de Maio de 2018

A Multilaser já tem alguns smartphones simples, mas começou com recarga de cartuchos para impressoras no passado. Agora, com a chegada do MS80, a marca brasileira alça voos mais altos, brigando justamente onde a guerra é mais acirrada: nos intermediários.

Ele é a aposta para bater em LG com seu Q6 Plus ou o Moto G6 Play. O gadget da Multilaser vem com tela 18:9, corpo em metal e Snapdragon 430 rodando do lado de dentro. Será que ele é uma ótima resposta brasileira para o mundo de aparelhos de marcas gringas? É o que eu te conto nos próximos parágrafos.

Já te vi antes...

Do lado de fora, o MS80 é um misto de sensações e de inspirações em outros modelos. Atrás tem cara de Moto G4 Play com leitor de impressões digitais na traseira, enquanto que na frente há clara inspiração nos dois Q6 da LG, só que com mais bordas. Seja pelo visual com tela 18:9, ou pela ausência de botões ou então pela forma como está a grelha do falante frontal. O corpo é feito de metal e plástico, sendo o plástico na parte superior e inferior. Deixando as listras da traseira como apenas apelo visual, sem função específica para antenas.

Com pouco mais de 160 gramas e espessura de 8 milímetros, o MS80 fica confortável nas mãos. O leitor de impressões digitais na traseira ajuda na pegada, as bordas levemente arredondadas também colaboram e a textura diferente para o botão de liga/desliga completa o pacote de boas vindas de quando o smartphone sai da caixa.

O MS80 é realmente um smartphone bonito, com entrada para fones de ouvido e bandeja para o SIM, que tem espaço para dois SIM cards, junto de um microSD. Tudo ao mesmo tempo, sem reclamar de espaço ou utilizar uma bandeja híbrida.

O painel IPS LCD não é o melhor que já vimos, mas está longe, muito longe de ser ruim. Mesmo sendo de resolução inferior ao Full HD, o MS80 trabalha em 1440 x 720 pixels que é o HD esticado para preencher a tela com duas vezes a largura, na altura. A reprodução de cores é bastante satisfatória para um modelo mais simples, que entrega até mesmo ângulos mais generosos de visão.

As telas vêm melhorando nos intermediários, mas precisamos lembrar que este é um smartphone de entrada neste mercado. E, para este mercado, a resposta em um display desta qualidade é realmente promissora. Não há controle de cores, como acontece em alguns modelos com processadores MediaTek, mas, sinceramente, eu não senti vontade de trocar o balanço de branco em momento algum.

Por dentro, com calma

A Multilaser escolheu um chipset Qualcomm para equipar o MS80, algo que é bem raro em modelos mais simples. Ele vem com um Snapdragon 430 octa-core de até 1.4 GHz, 3 GB de memória RAM e 32 GB de espaço interno, com mais de 9 GB já ocupado pelo sistema. Controlando tudo isso, de fábrica, o smartphone vem com o Android na versão 7.1 e não há previsão de atualização para versões futuras.

A experiência de uso com o MS80 é um misto de alegria e falta de suporte para muitos apps abertos no fundo. Ter 3 GB de RAM deveria ser mais do que o suficiente para manter apps rodando sem recarregar, mas basta abrir alguns extras, coisa de uns cinco ou seis e o Facebook já é recarregado quando você volta.

O desempenho me surpreendeu para um smartphone com processador da linha 400, uma das mais básicas da Qualcomm. A timeline de redes sociais rodou tranquila, sem os engasgos que vi e com o LG Q6 Plus, que tem quase que o mesmo chipset.

Por outro lado, rodar na Play Store não é algo bacana. Travamentos rápidos são corriqueiros e se você tem pressa para ver se um app tem atualizações, é melhor deixar este trabalho de aviso para os updates automáticos. É menos frustrante.

Seguindo na experiência, o Android por aqui é quase que puro. Puro no visual e na sensação de ter um launcher quase que idêntico ao dos Pixel. Puro ao ter poucos, pouquíssimos apps pré-instalados. Ele vem com o Buscapé, pacote de apps da Google, Uber e dois apps da Multilaser. Só isso. Ponto final. Ponto positivo, muito positivo para o usuário que ama o Android limpo, mas um pouco negativo para quem gosta de tudo na mão logo que tira o celular da caixa.

Ele também vem com algumas alterações estranhas na interface, como o botão customizado para fechar todos os apps abertos no fundo - algo que o Android 7 já faz por padrão. Há um app diferente para câmera, que eu falo sobre ela mais tarde, além de um atualizador da Multilaser que não consegue, nem por reza brava, baixar o update de mais de 300 MB que está disponível.

Há também alguns pontos ainda mais estranhos, como a forma que o sistema operacional te avisa sobre a limpeza de memória RAM, ou então o tal de GSensor Calibration, que mostra a calibração de algum sensor em um misto de inglês com algum idioma asiático. Que, por algum motivo, está aqui.

Bateria dentro do esperado #sqn

Ao todo, são 3.000mAh de capacidade. Mais do que o comum para aparelhos deste preço, o suficiente para um dia inteiro de uso contínuo. Foi possível, com tudo isso, tirar o aparelho da tomada por volta das 10h e voltar 12 horas depois, com pouco mais de 20% sobrando no tanque da bateria.

Em nosso teste padrão para descarga por hora, colocamos um vídeo no app do YouTube para rodar na resolução nativa da tela, que é em HD, ou 720p, por várias horas, com o brilho no máximo e apenas via Wi-Fi. A marca média foi de 16% de descarga por hora. Aceitável, mas eu sinceramente esperava mais de uma tela que não é Full HD – o que, automaticamente, gasta menos energia.

Duas câmeras na frente

Além de tela em 18:9, o MS80 vem com outro trunfo interessante e que difere este modelo de outros intermediários bem simples: duas câmeras na parte frontal. Elas funcionam para exatamente o que você pensou: o modo retrato. São câmeras que trabalham com 20 megapixels e que, mesmo em uma solução de hardware, entregam resultados com cortes não tão inteligentes para o efeito bokeh (ou modo retrato).

A câmera traseira é de 16 megapixels e chama mais atenção do que as frontais. Mesmo com menor resolução, o app é mais ágil na hora de registrar o momento. A abertura é de f/2.0 e os resultados encaixam bem em um intermediário simples. Se há muita luz, a foto fica bonita e com boa reprodução de cores.

Se a luz é mais escassa, o ruído fica alto e visível sem qualquer dificuldade. Nada que está fora do padrão deste tipo de aparelho. Existe ainda um modo noturno dentro da câmera, que aumenta a exposição, faz entrar mais luz e tenta tirar o granulado da foto. O resultado é de uma foto que perde muito detalhe, tirando qualquer textura de parede ou telhado.

Vale a pena?

O MS80 é, certamente, o smartphone com marca brasileira mais bonito que já passou no Canaltech. Ele desbanca com facilidade qualquer Quantum, pelo visual, pela tela 18:9 ou então por escolher Qualcomm e deixar a MediaTek de lado. Realmente é um bom smartphone, um concorrente de peso para a LG e sua dupla de Q6.

Como este é seu maior concorrente, vamos aos fatos: o MS80 vem com leitor biométrico e com corpo de metal, além de duas câmeras na frente. Perde apenas por não ter TV digital, mas ganha por custar menos.

Se você não tem problemas com aposta em uma marca pouco conhecida, o MS80 vale o investimento até mesmo acima do LG Q6. É um dos poucos intermediários com preço batendo em R$ 1 mil e que não precisa levar três meses para chegar em casa, rezando para não ser taxado. E, melhor ainda, ele tem garantia que funciona no Brasil por um ano inteiro. Uma escolha muito mais inteligente do que qualquer intermediário semelhante que vem da China.

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