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Motorola MOTO G6: quase bom, bonito e nada barato [Análise/Review]

14:04 | Por André Fogaça | 20 de Abril de 2018
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Mais um ano, mais espera pela geração seguinte de um dos smartphones mais vendidos do Brasil, o Moto G. Em sua sexta iteração e com nome de Moto G6, o smartphone que já foi o queridinho do Brasil continua como um dos mais desejados, mas deixa de ser incrivelmente bom. Ela apenas é bonito e pouco barato barato. Ele vem com processador Snapdragon 450, duas câmeras na traseira e entra na onda de telas 18:9. Senta aí, pega um café que eu te conto o motivo dele não ser mais tão incrível assim nos parágrafos abaixo.

Boa mudança do lado de fora

Primeiro, o lado de fora. Por aqui há uma mudança muito intensa e que aproxima o Moto G6 de smartphones mais potentes. Ele abandona o material fosco que sempre esteve nesta linha e vai de brilho em vidro, num visual que lembra muito o que foi feito no Moto X4 lançado no ano passado - que também lembra bastante o que a Samsung fez na traseira curvada do S7 Edge.

O aro que envolve o produto é em metal e dá a sensação de requinte que o Moto G nunca teve, o que é bem bom. No peso são aproximadamente 160 gramas, com corpo que é pouco mais alto do que a geração anterior. Mais alto e mais pesado para comportar a nova tela em formato de 18:9.

A curvatura traseira ajuda bastante na pegada, mas o vidro tem seu ponto negativo em praticamente qualquer smartphone do mercado: ele escorrega bastante. E aqui não faz diferente, ele escorrega e tem um amor incondicional por marcas de dedos. A versão que testei é preta e, por isso, as marcas aparecem menos do que em modelos mais claros. Mas as marcas estão lá, é só ver em reflexo.

Outro ponto herdado de gerações anteriores, mas que faz falta desde o Moto G2 lançado lá em 2014 é o som estéreo. O falante do G6 é competente e colocar a saída onde você escuta o outro lado da ligação é uma forma bacana de evitar que os dedos bloqueiem o som, mas não entrega a mesma experiência em som que a Motorola já colocou em um Moto G….num passado distante.

Por fim, o leitor de impressões digitais ficou espremido na parte inferior para a infeliz vontade da Motorola de colocar a marca do celular, Motorola, num local onde poderia ser leitor biométrico maior e mais confortável.

Nova tela em 18:9

A segunda e também enorme mudança está na tela. Ela continua como um LCD bastante competente, mas agora trabalha com proporção de 18:9. É o primeiro smartphone da Lenovo, pensando na linha da Motorola, que coloca tela que aproveita bastante da frente do dispositivo, passando de 65 para 75% da frente do Moto G6. Ele certamente abrirá o caminho para um novo Moto Z ou Moto X seguir a mesma tendência, que é bastante positiva para o usuário.

É possível esticar vídeos do youtube, por exemplo, para ocupar toda a tela - com alguns cortes para encaixar o conteúdo. Jogos e apps consomem toda a área sem cortes, ou barras. Exatamente como já acontece em qualquer outro smartphone com tela nesta proporção.

Em reprodução de cores, detalhes e ângulo de visão, pouco ou nada mudou. O G5 já era muito bom nisso e o G6 apenas continua o bom trabalho. Não é a melhor tela LCD do mercado, mas é esperado isso para quem custa muito menos do que um flagship de mesma geração.

Por dentro, pouca mudança

Dentro, a Lenovo colocou um Snapdragon 450 rodando oito núcleos em até 1.8 GHz, acompanhado de 3 GB de memória RAM e 32 GB de espaço interno. Poderia ser um processador da linha 600, mas...né, não foi desta vez e este ganho de desempenho vai para a versão Plus. Além disso, o G6 coloca uma GPU Adreno 506, vem com Android Oreo de fábrica e tem espaço na bandeja para dois SIM cards e um microSD - ao mesmo tempo.

Dessa vez, diferente do que aconteceu na geração anterior, a Motorola não trabalhou no erro crasso de ocupar metade da memória interna com Android puro, como a própria Motorola chama. Depois de tirar da caixa, formatado, o G6 vem com quase 8 GB ocupado, dando 75% de toda a memória interna para o usuário. Parabéns Motorola! Erro corrigido.

Para um Snapdragon da linha 400, até que o 450 que está no G6 faz bom trabalho. Claro, ele ainda não é um intermediário potente e sim, está na categoria de intermediário mais simples. Bem mais simples. Quase que um smartphone de entrada mais potente.

Por outro lado, durante os dias que passei com o Moto G6 como meu único smartphone, não notei quedas na taxa de quadros por segundo em momento algum. Mesmo com muitos apps abertos no fundo, o único limitador ficou na quantidade de memória RAM, que impediu que os mesmos apps continuassem rodando. Era voltar para eles e ver a tela recarregando. O que é normal, novamente, para um smartphone que não tem pretensões de ser poderoso.

Ao menos dar scroll em redes sociais, seja Twitter ou Facebook não é uma experiência irritante com engasgos. Como falei antes, o Android aqui é puro. De fábrica há 30 apps instalados no total, sendo 19 destes do próprio Google. A maioria dos apps customizados está substituindo apps nativos, como app de câmera e agenda.

Há ainda o app Moto, bastante conhecido de outras gerações de aparelhos da Motorola e que ganhou mais funções agora. Ele é uma espécie de gerenciador de todo o celular. Nele, a Motorola colocou um gerenciador de arquivos para encontrar fotos repetidas ou arquivos temporários que podem ser apagados, alertas para trânsito em trajetos que você faz com frequência, alerta para colocar o celular na tomada (que até diz quanto tempo ainda há de bateria) e, por fim, listar objetos que você identificou com a câmera.

Estes recursos são novos e realmente ajudam o uso do aparelho, mas os antigos gestos e atalhos ainda estão no app Moto. Seja o gesto de girar o smartphone pra ligar a câmera ou agitar pra ligar a lanterna. Gerenciador de senhas e login em apps com o leitor de impressões digitais, ações na tela como passar a mão na frente para ligar o display e o Moto Voz pra comandos de voz, com funções mais específicas do que o Google Assistente consegue fazer. Nele é possível até escolher um seriado dentro do netflix, mesmo com a tela desligada.

Tudo isso, todo este bolo de funções do app Moto chegam ao Moto G pela primeira vez nesta geração. De resto, há apenas um equalizador de som assinado pela Dolby e app para rádio FM. Junto de manual de instruções em forma digital e...só.

Na bateria são 3.000mAh de capacidade, o suficiente para brigar de igual com a concorrência. Nos testes foi o suficiente para um dia inteiro de uso, com jogos, música via streaming no 4G e Wi-Fi, brilho no automático e Bluetooth ligado para um smartwatch e um fone de ouvido sem fios. Neste cenário, consegui tirar o celular da tomada por volta das 9h40 e voltar para a parede às 23h com aproximadamente 20% de energia ainda sobrando.

A tela maior consome mais energia e, por conta disso, a bateria ganhou 200mAh quando comparada com o Moto G5, só que a autonomia ficou basicamente a mesma. Em nosso teste de reprodução de vídeo no app do YouTube, com brilho no máximo e conectado no Wi-Fi, o Moto G6 marcou 17% de descarga por hora. Acima do Moto G5, que não passou dos 12% por hora.

Duas câmeras, mas nem tanto assim

A câmera traseira, ou câmeras traseiras, trabalham em 12 megapixels, com abertura de f/1.8, com lente secundária em f/2.0, 5 megapixels e funcionam de forma diferente do que você pensou. A abertura das duas lentes é muito diferente, o que fica claro no tamanho físico do diafragma que está logo depois do sensor. No lugar de zoom ótico, você tem a segunda lente para fotos em preto e branco e também para ajudar no desfoque do modo retrato.

O modo retrato encaixa muito bem em um intermediário simples. Ele é ágil e o corte do que é focado, com o fundo, erra bem pouco. É muito mais rápido do que o que era entregue pelo Moto G5s Plus e o acerto no final sempre fica melhor. A segunda lente é só pra isso mesmo. Não é sequer possível selecionar a câmera secundária no app de fotos.

As fotos, fora do modo retrato, ficam com boa reprodução de cores. Há pouco ou nenhum ruído durante o dia, o alcance dinâmico é bastante competente pra categoria do Moto G6 e a velocidade entre tocar na tela e a imagem ser gravada é bastante alta.

Em fotos noturnas, bem, estamos com um intermediário mais simples. Ele consegue ser veloz e não te faz segurar a respiração por tanto tempo. As imagens apresentam granulado, mas a abertura f/1.8 ajuda a diminuir esta quantidade de forma bastante satisfatória.

Um recurso que gostei bastante foi o de escolher uma cor e deixar a foto apenas com ela. Ele já existia no passado na linha Moto G, mas agora está mais amigável e fácil de usar. O resultado é bem bacana, como neste do ônibus ou neste do cavalete da rua.

Há uma nova função na câmera, que reconhece objetos e entra na onda de inteligência artificial. Testei com um violão, jogo de computador ou mesmo uma cadeira. Ele não é para reconhecer o violão como apenas um violão, mas diz qual cor é este violão. Ou a cor do notebook que na foto aparece apenas o teclado.

É bacana pelo reconhecimento de informações da foto, mas eu não vejo utilidade prática para isso. A não ser reconhecer pontos turísticos na cidade ou dar mais informações sobre um livro, ou jogo. Eu sei entender que este violão é amarelo, ou que isso é uma caixa de jogo, sem a necessidade de um app ou um smartphone. Ah, uma coisa, agora o Moto G6 grava vídeos em Full HD com 60 quadros por segundo e isso é bem bacana.

Vale a pena?

O Moto G ainda é um dos smartphones mais conhecidos do Brasil. Briga forte pelo primeiro lugar em vendas por aqui com a Samsung e a linha J, que é mais barata. Em sua sexta iteração, ele está mais requintado e é uma das melhores escolhas para quem quer tela 18:9. Ele tropeça ao trazer um processador da linha 400 para algo que tenta ser mais potente e requintado. Tropeça na hora de colocar o nome da Motorola onde poderia ter instalado um leitor de impressões digitais mais confortável.

Tropeça ainda mais por não mudar muito do lado de dentro ou em funções, quando comparado ao Moto G5, lançado um ano antes. Pelo preço de R$ 1,3 mil, fica fácil cogitar que um Moto X4 é mais negócio, é mais potente e melhor em vários pontos. A concorrência neste patamar de preço é muito acirrada. Temos o J7 Pro, da Samsung, que entrega o dobro de memória interna, mas abre mão de tela grande e modo retrato nas fotos. Ou então o LG Q6 Plus, que também tem o dobro de memória, mas perde feio na câmera, no processador e na construção.

Neste cenário, o Moto X4 é mais negócio e custa menos do que o Moto G6. Ele tem processador melhor, mais rápido e também trabalha com duas lentes na traseira. Até comparando com o Moto G5S Plus, a diferença é pequena. O desempenho é bem semelhante, mas a câmera perde na foto e ganha ao poder gravar em 4K. Se o Moto G6 chegar num valor de R$ 1 mil ou abaixo disso, ele valerá o investimento.

 

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