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Moto Z2 Force e sua tela indestrutível [Análise / Review]

12:21 | 27 de Setembro de 2017

Diferente dos outros smartphones topo de linha de outras fabricantes, a Motorola traz para o Brasil um smartphone de ponta e que não tem preço mínimo estipulado em R$ 4 mil. Por outro lado, ele tem uma tela que supostamente é inquebrável e um hardware muito potente, além do esquema de câmeras duplas para dar uns efeitos legais às suas fotos.

Quer saber se vale a pena levar para casa o novo smartphone da Moto? Então se liga aí no nosso review.

O APARELHO

O Moto Z2 Force é literalmente a cara do Moto Z2 Play. O dispositivo unibody utiliza o alumínio Série 7.000 em seu corpo com 6 mm de espessura - mas com o “pequeno” detalhe da câmera que altera as proporções para 8.39 mm. Ele tem praticamente a mesma altura e largura da geração passada.

Você sente que ele é muito leve (143 g), resultante das 20 gramas a menos em relação ao Z Force de 2016. Mas, tome cuidado, pois o dispositivo escorrega com facilidade e pode cair, o que não é nada legal. Ah, outra coisa: água com ele só se for em menor intensidade, como numa chuva leve. Aí ele sobrevive numa boa.

Mas, seguindo, nós temos a cor Ônix sendo vendida pela Motorola Brasil, com os cantos em plástico na traseira para as conexões do aparelho. E, é claro, a Style Shell pode ser um boa aliada se você não quiser deixar os conectores dos Moto Snaps à mostra.

Os acessórios modulares do ano passado seguem compatíveis com esta nova geração do Moto Z, e outra coisa que foi adicionada ao modelo foi esse leitor biométrico multiuso. Diga-se de passagem, a leitura da impressão digital é bem rápida no Z2 Force.

O Moto Z2 Force, diferente de outros smartphones do mercado, não tem uma proporção de tela x corpo incrível, mas tem visual bonito e recursos realmente úteis. Mas se olharmos bem, ele tem dimensões bem parecidas com a do Moto Z2 Play, que curiosamente tem a entrada para fones de ouvido...

DISPLAY E MULTIMÍDIA

A tela Super AMOLED de 5,5” do Moto Z2 Force tem resolução Quad HD (2560 x 1440p@534 ppi), além de tudo o que se espera de um display do tipo. Cores vibrantes, tons pretos bem profundos e um contraste bem interessante estão empregados no aparelho, sendo uma tela muito boa para assistir filmes ou mesmo usá-lo para VR.

A única coisa que chegou a incomodar é o brilho desse display. Durante o dia, você consegue aumentar ele para o máximo e enxergar o conteúdo mesmo sob luz solar. Mas, durante a noite, quando você reduz ele para o mínimo e ainda ativa o modo de tela noturna, o desconforto é notável e realmente não dá para assistir muitos episódios da sua série do coração antes de cair no sono.

Passando a bola para o ShatterShield, a tecnologia da Motorola de 5 camadas para proteger a sua querida tela, temos aqui um belo exemplo de que o “inquebrável” também pode ser danificado. Isso porque você vai notar com facilidade alguns riscos na superfície da tela, ou da película, como a fabricante gosta de chamá-la.

A boa notícia é que se você derrubar o seu Moto Z2 Force no chão, a tela muito provavelmente não quebrará, como aconteceu aqui conosco. Os únicos danos reais foram algumas marcas de impacto e arranhões, que apareceram até mesmo com o uso normal na superfície. De resto, tome cuidado apenas com o corpo do dispositivo, pois o alumínio pode ser danificado com bem mais facilidade.


A saída de som do Z2 Force fica na frente, no mesmo lugar onde você escuta as suas chamadas. Ela tem potência suficiente para reproduzir com volumes altos sem distorcer o que você está ouvindo, mas a experiência não é uma das melhores, pois o áudio continua sendo mono.

ESPECIFICAÇÕES

A Motorola traz no Moto Z2 Force uma configuração forte com 6 GB de RAM e Snapdragon 835.

* CPU octa-core de 2.35 GHz
* GPU Adreno 540 de 670 MHZ
* 64 GB de armazenamento (~47 GB livres);
* Bluetooth v4.2;
* USB Type-C 1.0;
* NFC;
* Android 7.1.1 Nougat.

USABILIDADE E DESEMPENHO

O desempenho do Moto Z2 Force é um dos melhores entre os smartphones topo de linha. Não há como negar que você não vai encontrar travamentos em apps e que dá para trabalhar sem nenhuma complicação. Eu, normalmente, abro o app “Skater” toda manhã indo para o trabalho e no fim do dia, voltando da faculdade. Acontece que, mesmo com esse intervalo de tempo, o título continua aberto em segundo plano.

O mesmo acontece com outros aplicativos, mostrando que o “exagero” no hardware fez do Z2 Force um brinquedo bem parrudo. Mas, em contrapartida, ele não é o brinquedo perfeito.

Se me perguntarem o que eu mais curti no software, eu diria que é o app “Moto”, onde você gerencia aquelas ações legais. Só para exemplificar, é lá que você ativa a navegação pelo leitor biométrico, os gestos - como o de acender a lanterna no corredor no meio da noite apenas chacoalhando o celular- e o Moto Voz.

Os comandos de voz da Motorola receberam algumas melhorias, mas a empresa esbarra na concorrência forte do Google Assistant.

Se me perguntarem o que eu não curti no software, é que a Motorola ainda está no meio termo do tão comentado “Android puro”. Existem sim algumas modificações, mas coisas simples como controlar a potência do flash no modo lanterna ainda estão de fora.

E não entenda errado: a Motorola oferece uma das melhores experiências com o software da atualidade, algo que se aproxima do Google Pixel. Mas, se você vem de uma interface mais mexida, certamente vai sentir falta de alguns recursos básicos de modo nativo.

Com jogos ele também não chega nem perto de decepcionar. Vá do GTA: SA com gráficos no máximo até algu m game de luta, como Injustice 2, sem nenhum problema. Com games leves, é claro, o dispositivo basicamente não sofre nada.

CÂMERAS

Seguindo a tendência do mercado, a Motorola trouxe para o Moto Z2 Force um sistema de duas câmeras, sendo uma delas monocromática e outra RGB. Ambos são de 12 MP e eles “medem” a profundidade de campo para fotos com o foco seletivo, ou o P&B seletivo.

Os dois sensores têm abertura f/2.0 e utilizam a tecnologia de foco a laser e PDAF, que dão um empurrãozinho para focar mais rápido em objetos próximos, mas vez ou outra não fazem o trabalho direito.

Com uma das câmeras sendo monocromática, o efeito “preto e branco” elimina qualquer filtro e ainda preserva muitos detalhes. A única coisa chata é que esse sensor não pode ser utilizado para a captura de fotos com profundidade de campo.

O efeito de fundo desfocado vai funcionar bem, mas com a mesma consideração de que você precisa de uma boa quantidade de luz e um objeto central bem definido. Se você tem muitos objetos ao redor, a captura acaba exibindo áreas que não deveriam estar borradas.

Além disso, você pode usar o recurso de preto e branco seletivo, que mantém uma camada monocromática e outra colorida. Esse recurso também pode e deve ser explorado pelos usuários, afinal de contas, a primeira imagem sempre é preservada, mesmo quando você adiciona esses efeitos.

Só que nem tudo são flores, certo? A câmera dele não possui OIS, o que certamente pode ser um incômodo na hora de gravar vídeos. Neste caso, suas filmagens em FHD@120fps (câmera lenta) ou 4K@30fps podem ficar um tanto quanto tremidas.

A câmera frontal de 5 MP (f/2.2) faz selfies com ângulo de 85 graus, e tem como destaque o flash LED dual-tone. A qualidade é a mesma do Z2 Play, sem nada de tão impressionante. São fotos boas, mas apenas isso.

De modo geral, estas não são as melhores câmeras em smartphones de 2017, mas certamente podem agradar a maioria das pessoas. Além da boa qualidade e detalhes bem definidos, os recursos extras são, sim, uma diferença bacana para o consumidor.


BATERIA E ACESSÓRIOS

Pegando todo mundo de surpresa, a Motorola reduziu a quantidade de bateria nesta geração. São 2.720 mAh contra 3.500 mAh da passada, e essa diferença é, sim, assustadora - quando você considera apenas estes números.


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Apesar desse salto, comprovamos que a bateria do Moto Z2 Force não faz feio. Usando ele normalmente, conseguimos ver o smartphone sair da tomada às 7h e só precisar de uma nova recarga no fim do dia, lá pra depois das 23h - e ainda com uma porcentagem entre 10% e 15%.

No fim das contas, mesmo que tenha uma tela grande e de alta resolução, o smartphone da Motorola até que tem uma autonomia bacana.

A partir daí nós fomos para o YouTube, com brilho no máximo e conectados ao Wi-Fi, testar mais um pouco essa bateria. O resultado foi uma descarga média de 9% por hora, o que não deve preocupar ninguém na hora de assistir algo na internet.

Outra coisa bem legal é que o carregador de 15W dele consegue devolver a carga completa em pouco menos de 1h30. A recarga é bem rápida na primeira hora, na verdade, mas na caixa do Moto Z Force do ano passado a fabricante inclui um TurboPower de 30W.

E não tem nem como falar dos acessórios sem mencionar esse pedaço de fio, não é? Os fones do Moto Z2 Force são bons, sim. Sem graves tão fortes, sem nenhuma fidelidade incrível, mas com ótima qualidade em relação a “fones de graça” que vem na caixa. O problema é que para usá-los, você vai precisar desse adaptador… e… que tristeza!

Se estamos caminhando ou não para um mundo com cada vez menos fios, o processo de adaptação tem sido difícil. Para usar fones no Z2 Force tenha em mãos esse adaptador, e se você perder ou esquecer na casa de alguém, já sabe.

Uma outra crítica: considere toda a extensão do seu fone e acrescente mais alguns centímetros. Isso pode incomodar bastante.

VALE A PENA?

No fim do dia, o Moto Z2 Force consegue ser um bom smartphone mesmo sem os Moto Snaps, que ainda não são tão acessíveis quanto deveriam. Eles são legais, inclusive os novos, mas se eu tivesse que gastar a minha grana pegaria apenas o aparelho - e talvez o Snap de bateria.

Nas lojas da fabricante, você precisará pagar R$ 3 mil pelo aparelho, mas no varejo você já encontra ele na casa dos R$ 2.600.