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LG V40 ThinQ: cinco câmeras e um propósito vago [Análise / Review]

15:59 | Por Wellington Arruda | 10 de Janeiro de 2019
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Saiba tudo sobre LG V40 ThinQ

Ficha técnica

A divisão de smartphones da LG já viveu dias melhores, mas atualmente ela não aparece mais na lista das principais fabricantes de dispositivos do mundo. Ainda assim, sua aposta continua sólida no mercado e com uma cara “nova”.

A linha ThinQ segue o conceito de adicionar Inteligência Artificial aos produtos da LG, e isso inclui smartphones. Aqui no Brasil, o modelo mais potente disponibilizado é o V35 ThinQ. Ele ele custa R$ 4.999 e só pode ser adquirido em lojas físicas da empresa. Hoje, porém, nós vamos falar do V40 ThinQ.

Ele é considerado um competidor direto de smartphones com foco em fotografia, potência e produtividade, como o Galaxy Note9 ou o iPhone XS Max com suas telas grandes. No aparelho da LG, temos um display OLED de 6,4 polegadas e resolução QHD+ (3120 x 1440p). Ele também segue a tendência do ‘notch’, o que resulta em uma nova nomenclatura para explicar a proporção de 19.5:9 — a LG chama a tecnologia de FullVision.

Em termos de design e estrutura o V40 não se diferencia muito no mercado, mas reflete num dispositivo premium com alumínio nas laterais e de visual bastante elegante.

Mas ele é um smartphone de tamanho grande, e é escorregadio, talvez por causa do vidro na traseira. São 169 gramas no total e ele traz certificação IP68 contra água e poeira. A fabricante decidiu manter a entrada P2 para fones de ouvido, mas o dispositivo traz slots individuais para um chips de operadora e um para cartões MicroSD (de até 2 TB).

Também existe um sistema de reconhecimento facial, mas ele usa apenas as câmeras tradicionais do celular, logo o recomendado é continuar usando o leitor biométrico que fica na traseira.

Ainda falando sobre o display do smartphone, aqui vão algumas considerações importantes: 1) o brilho da tela é intenso, especialmente no modo automático, mas ainda abaixo do Note9 ou XS Max; 2) a relação de contraste também é boa, mas abaixo de outros concorrentes como o Pixel 3 XL, que conta com melhor calibração.

Por outro lado, você tem em mãos um celular com tela grande e confortável para consumir conteúdo, e com suporte a HDR. A fabricante também fez uma boa jogada nas saída de som, mas ainda confusa: a principal saída é a de baixo, mas no notch há uma outra que trabalha com muito menos intensidade.

A distribuição do som pode não ser das melhores, mas a qualidade de reprodução é muito boa. O volume é alto e sem distorções fortes aplicadas, o que torna a experiência com o Quad DAC ainda melhor.

Ainda em tempo, ele embarca o DTS:X 3D, que não é recomendado para todos os estilos musicais, e nos ajustes você pode usar o equalizador; lá, também, você ainda pode calibrar a temperatura e níveis de cores (RGB) do display.

Mas, apesar de tudo isso, parece que a LG nunca foi uma grande fã de grandes baterias. São 3.300 mAh no V40, ou 300 mAh a mais do que o G7. Isso também é menos do que os seus outros concorrentes, embora ele traga suporte ao carregamento por indução.

Mas é no dia-a-dia que o negócio fica apertado. O dispositivo é capaz de passar um dia inteiro, sim, fora das tomadas, mas é preciso cautela. A média de tela ligada que fizemos com ele sempre passou das 4h, mas nunca chegou às 5h, por exemplo. Neste caso, se você procura por autonomia estendida, esse aqui talvez não seja o modelo ideal.

Para recarregá-lo você também pode precisar de cerca de 1 hora e 45 minutos. Com 20 minutos na tomada, conseguimos uma média de 37% de energia, e após 1h ele já tinha 1h10 de carga.

O consumo médio de energia do aparelho, tanto com jogos quanto com vídeos online, foi de -14% a cada hora.

Só que a LG também resolveu investir em especificações fortes. O V40 tem 6 GB de RAM e uma multitarefa muito sustentável para o chipset Snapdragon 845. Essa versão testada por nós tem 64 GB espaço interno. Ele disponibiliza, por exemplo, aplicativos para notas rápidas que permitem a você fazer desenhos, Rádio FM, saúde e mais. A ficha técnica completa do V40 ThinQ está disponível nesta página.

E é exatamente aqui que você percebe que o V40 não foi criado para o público brasileiro. O dispositivo vem com Android 8.1 Oreo (de fábrica) e o único idioma português disponível é o de Portugal. A LG também disse que ele será atualizado “em breve” para o Android Pie, mas sem estipular datas. Por falar em datas, dificilmente ele deve chegar oficialmente em território nacional.

O seu desempenho não vai decepcionar, mas também não vai ser diferente de outros smartphones com hardware semelhante (Snapdragon 845 + 6 GB de RAM). Neste caso, você pode aproveitar jogos, aplicativos pesados e consumir conteúdo sem se preocupar com quedas bruscas durante a usabilidade. A propósito, a interface da LG continua cheia de truques, atalhos e recursos.

Só que todo mundo já sabe, né?! O V40 é o primeiro celular do mercado com cinco câmeras e oferece versatilidade. Seu esquema é da seguinte maneira:

  • Traseira: lente principal de 12 MP (OIS, f/1.5, 25mm); lente grande angular de 16 MP (campo de visão de 107 graus, f/1.9 e 16mm); lente teleobjetiva de 12 MP (OIS, f/2.4, 50mm);
  • Frontal: lente principal de 8 MP (f/1.9) e secundária de 5 MP (f/2.2), com ângulo de visão de 80 e 90 graus, respectivamente. Ambas têm foco fixo.

A LG foi uma das primeiras a usar uma lente de ângulo aberto em um smartphone. Ela continua aqui e fazendo um bom trabalho, especialmente em locais com muitos detalhes. Claro que nem toda a imagem terá o mesmo nível de detalhamento, e que os cantos ainda podem distorcer. Mas, vamos concordar: essa lente é a mais divertida e funciona bem, embora seja a que menos tenha qualidade do conjunto.

Só que, pela primeira vez, a LG também colocou uma lente com zoom óptico de 2X. Ela segue uma premissa parecida com a de outros concorrentes, logo você pode esperar por qualidade também neste sensor, além do principal. Em resumo, o V40 ThinQ faz imagens muito boas, mas ainda muito saturadas e com uma espécie de filtro nativo, especialmente com tons de pele e detalhes considerados como “imperfeições” pelo software.

A propósito, quando modo de AI está ligado é que as fotos ficam com uma tonalidade bem diferente. O que é tom frio fica REALMENTE frio, os quentes seguem a mesma linha e por aí vai… bem, a nossa única “solução” para fazer cliques com tons mais naturais foi desativar o HDR ou usar o modo manual.

Já nas selfies, o V40 faz um trabalho legal, mas nada impressionante. Há ruído visível, a diferença de ângulo de uma lente para a outra não dá um efeito significativo e, claro, o modo retrato ainda peca tanto quanto o aplicado nas câmeras traseiras. Aliás, o modo retrato não funciona com as lentes de ângulo aberto em nenhum caso.

Ainda sobre as capacidades das três câmeras, a LG introduziu um modo chamado “Triple shot”, que faz exatamente isso aí: tira três fotos, só que alternando “rapidamente” (há um pequeno atraso) entre as três câmeras traseiras. Ele é um modo que pode durar até 5 segundos para completar os cliques e, talvez, apenas talvez, seja um pouco confuso com o que quer propor. Ele cria um vídeo rápido com as três imagens, que também ficam salvas na galeria.

Mas, galera, sério: o V40 ThinQ é muito bom para gravar vídeos, além do fato da câmera de ângulo aberto ser muito legal para gravar esportes ou lugares bem abertos. Como há estabilidade na câmera principal e na de zoom, modos como o Cine Video ficam ainda mais legais, graças a recursos como o Point Zoom, que permite se aproximar ou se afastar com mais suavidade. A intenção é aplicar um efeito de cinema nas gravações mobile.

O mais legal de todos, para quem realmente pretende gravar vídeos com o smartphone, é o modo manual. Você pode ajustar coisas o balanço de branco, valor de exposição, ISO, velocidade do obturador, foco e outros, mas também pode ajustar o áudio dos microfones, que é gravado em estéreo.

O V40 também permite, no mesmo modo, alterar a taxa de quadros de 1 até 240 fps, além de deixar selecionar o bit rate e ativar a gravação com áudio Hi-Fi (alta qualidade) e imagem em HDR10.

Hoje, o LG V40 se mostrou um dos melhores (talvez até o melhor) smartphones Android para gravar vídeos.

Ele, por outro lado, não pode ser adquirido de maneira oficial no Brasil. Seu preço pode variar de US$ 950 a US$ 980 nos EUA, e isso realmente é longe da realidade de muitas pessoas. Mas, para quem quer um smartphone premium, esse aparelho entrega itens essenciais e recursos extras de sobra para tentar justificar o valor alto.

Seu display e saída de som tem alta qualidade; ele tem certificação IP68, carregamento sem fio, entrada P2 e… um botão para o Google Assistente. É… e a LG já prometeu mais desse botão. Mas, claro, algumas coisas ainda nos incomodam.

A LG, por exemplo, chama a área do notch de “Nova Segunda Tela”, que em teoria seria a evolução da “segunda tela” do V20. Nada a ver, na verdade não há nem espaço para todos os ícones que ficam na área ao redor do recorte. A sua vida útil de bateria também impressionou muito menos do que outros concorrentes da mesma faixa de preço, e as múltiplas câmeras são sim boas, mas o que dá um certo nó na garganta é o pós-processamento cheio de filtros.

Enfim, o V40 é bom, mas ele parece estar meio perdido no mercado. Existem smartphones menos caros e com hardware semelhante, além de outros específicos, como o Pixel 3 focado em fotografias. Não nos entenda errado: o V40 é, sim, um ótimo aparelho. Ele só está em uma posição complicada: outros com valor de mercado semelhante, por exemplo, conseguem oferecer recursos mais vantajosos.

Ah, e claro, cinco câmeras também podem ser consideradas um baita exagero, embora adicione versatilidade. Mas, e vocês, curtiram o V40 ThinQ?

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