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LG Q6+ [Análise / Review]

11:39 | Por Redação | 02 de Novembro de 2017
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Telas com menor borda possível estão nos principais smartphones mais caros aqui no Brasil, que você pode encontrar em 2017. A LG resolveu levar este recurso para um celular que custa como intermediário mais potente, o Q6+, mas que não é tão forte assim.

Até que ponto? A gente explica.

CARA DE GENTE GRANDE

O Q6+ não tem cara de smartphone intermediário. Ele vem com tela que ocupa muito da frente, com ares de G6 em um corpo mais simples. As bordas são finas e as laterais em metal, com plástico na parte traseira. E é nesta parte que você lembra que está com um celular que custa bem menos do que o flagship da LG.

Ok, deixando as semelhanças do lado, vamos aos fatos. O Q6+ tem corpo menos largo e alto do que o G6. Até menor do que seus concorrentes diretos. Algo tão raro em época de aparelhos acima de 5 polegadas, e aqui passa a sensação de que você realmente pode controlar o dispositivo com uma só mão.

Faz bastante tempo que eu não utilizo um smartphone de tela grande e o dedo não precisa andar muito para alcançar todo o display. Ou quase isso. Que saudade.

As laterais em metal guardam lugar para as antenas, que ficam na parte de cima e isso impede que você coloque as mãos por lá. O que atrapalha o trabalho delas.

Outro alívio, depois de poder usar o smartphone com uma só mão, é que a bandeja do SIM card não é híbrida. Há duas bandejas, sendo uma para o microSD e um SIM, com outra bandeja separada apenas para a segunda linha. Tudo convivendo com harmonia, paz e amizade.

Por aqui não é tão necessário, já que 64 GB de memória interna é mais do que o suficiente para a imensa maioria dos usuários. Mas está lá, a expansão de memória interna pode ocorrer, sem prejudicar a existência de uma linha telefônica extra.

A traseira, de visual mais simples, é de plástico e tudo por aqui deixa claro que você não tem um aparelho caro. O material utilizado aparenta ser fino e de baixa qualidade, com um amor incontrolável por marcas de dedos e a posição, junto da forma da lente que não é para fora do corpo (mas parece ser), passa ideia de um celular de 2014. Não inova, como a tela grande faz. Não surpreende, não faz diferente. É só mais um, parecido com tantos outros.

Ah, última coisa sobre design: o conector de fones de ouvido está aqui. Onde sempre deveria estar, onde não precisa morrer.

BORDAS FINAS PARA AS MASSAS

Se tem uma coisa que chama atenção no Q6+, é a tela. Ela tem a cara quase que idêntica ao que existe lá no G6. A proporção é de 18:9, mas o tamanho é de 5.5 polegadas e a resolução é Full HD, mais esticado pra preencher as duas vezes da largura, na altura.

A qualidade de exibição de cores é satisfatória, pouco acima do que vemos em smartphones concorrentes e de hardware semelhante. Ter tela maior deixa a experiência de vídeo melhor do que qualquer outro smartphone que esteja na mesma prateleira. A resolução pode parecer pequena para tanta tela, mas mesmo com o olho bem perto do display, você não nota qualquer quadrado em texto algum. Faz falta apenas em VR, algo pouco popular até agora.

Até mesmo os ângulos de visão são generosos. Algo que me deixa bastante satisfeito ao notar que até mesmo celulares mais baratos já são capazes de ter ótimas telas.

ESPECIFICAÇÕES

Se a LG foi pomposa ao colocar 64 GB de memória interna e 4 GB de RAM, ela economizou bastante no processador. O Q6+ vem com um Snapdragon 435, o que deixa claro que ele não é um intermediário potente, mas sim um intermediário de entrada e que tem fôlego extra, mas que engasga fácil.

* Processador Snapdragon 435
* Octa-core de até 1.4 GHz
* 64 GB
* 4 GB de RAM
* GPU Adreno 505
* Android 7.1.1 Nougat

Explico o problema de engasgos já já, mas antes, fiquem com alguns testes de benchmark que fizemos por aqui, com o Q6+.

MUITA RAM E POUCO PROCESSAMENTO

A primeira olhada para os números do Q6+ impressiona. Ele é um dos poucos smartphones intermediários com 4 GB na memória RAM, junto de 64 GB de espaço interno, que é quatro vezes mais do que a maioria de seus concorrentes, com 16 GB de memória.

E, não, eu não comparo com smartphones chineses que não são lançados oficialmente no Brasil, ok?

Tá, parece bacana, mas não é bem assim. Por mais que a memória RAM ofereça espaço de sobra para muitos apps abertos ao mesmo tempo, o Snapdragon 435 não faz bem sua parte na matemática.

Você até consegue abrir redes sociais como Facebook e Instagram, mas o scroll de páginas tende a não rodar com fluidez. Chega a dar alguns engasgos e travamentos justamente neste momento: rolar a timeline.

Outros apps sofrem do mesmo problema, só que com menor intensidade. Se você buscar os apps da própria LG, nada mal e o desempenho está dentro do esperado. Em jogos nós temos mais um limitador do processador: títulos pesados como Breakneck e Asphalt Xtreme mostraram lentidão mesmo com gráficos reduzidos, algo esperado para quem tem um Snapdragon da linha 400.

Adequando o game para o hardware, testamos jogos como Mario Run e Rayman Adventures, sendo que ambos rodaram muito bem e sem qualquer problema.

Olhando agora para o software, a LG limpou muito do que fez errado nos últimos lançamentos. Há pouco bloatware, que com 64 GB de memória nem atrapalha tanto assim. Temos o pacote do Google, apps com “Smart” para todo lado e que servem como suporte da própria LG. Junte isso com TV Digital, que consegue reproduzir muito bem os canais que são captados por esta….antena. Além de rádio FM e gerenciador para os SIM cards instalados.

Deu certo, mas a LG errou feio quando resolveu remover o leitor de impressões digitais e colocar reconhecimento facial.

Ela errou da mesma forma como a Samsung fez com o S8, mas sem dar a chance de outra forma de autenticação biométrica.

O reconhecimento facial até que foi rápido ao reconhecer meu rosto durante a semana de testes, mas mostrou ser quase que incapaz de me reconhecer quando a luz não estava abundante. Pior, tentei desbloquear o smarpthone com uma foto minha em outra tela e deu certo! A fabricante criou então uma forma de reconhecimento facial avançado, que leva entre dois e três segundo para aprimorar a segurança e impedir esta falha séria. Funcionou e a foto da tela não desbloqueou o smartphone, mas imagine só que você está andando na rua e precisa desbloquear o aparelho. Ficar com o smartphone de pé, para a sua frente, sem prestar atenção no caminho por até três segundos é um prato cheio para ladrões ou então um tropeço no chão.

De qualquer forma, péssima ideia. Fique com a senha ou padrão de desbloqueio, que é mais seguro e prático.

CÂMERAS

Novamente a matemática. Se a LG abusou de memória interna e na memória RAM, junto de uma tela bastante promissora, economias foram feitas. Além do desempenho, a câmera também sofreu. Não que os 13 megapixels, com abertura de f/2.2, sejam ruins, mas que eles são piores do que outros smartphones na mesma faixa de preço.

Em boas condições de luz, o Q6+ consegue registrar imagens de boa qualidade, com pouco ou quase nenhum ruído aparente. Só incomoda a incapacidade do HDR lidar com o alcance dinâmico da cena. Em mais de uma vez eu mirei em um ambiente com muita luz e sombra ao mesmo tempo, mas a foto ficou com brilho estourado.

Nas fotos noturnas o ruído aparece com força, algo esperado para um mundo onde o Q6+ não custa o mesmo que um aparelho intermediário mais potente. Quando o valor cair, e sabemos que isso ocorre com bastante velocidade na LG, ele encaixará nos R$ 1 mil e os resultados destas fotos noturnas serão aceitáveis.

Ah, a câmera frontal tira fotos de até 5 megapixels e com a mesma abertura da traseira. O bacana é que as fotos utilizam lente grande angular. Cabe mais gente na mesma selfie.

BATERIA

Por aqui o Q6+ não impressiona nos números, mas o uso cotidiano superou as expectativas. Durante toda a semana que passei com o smartphone no bolso, como meu principal e único celular, tirei o aparelho da tomada por volta das 8h da manhã, retornei perto das 21h e ainda restavam, em média, 20% de energia. O uso inclui 4G o tempo todo, junto de Wi-Fi ligado com Bluetooth também, alguns jogos para passar o tempo, navegação esporádica pelo Google Maps, muitas redes sociais e até algumas fotos.

Em nosso teste de reprodução de vídeo do YouTube, com brilho no máximo e em Full HD, o Q6+ registrou descarga média de 19,5% por hora. Quantidade esperada para quem tem tanta tela para iluminar, o que também aumenta o trabalho da CPU e da GPU, já que este Full HD esticado exibe mais pixels do que o Full HD em 16:9 padrão.

Traduzindo para o português, você tem um smartphone de tela imensa, mas que tende a sofrer quando for assistir um filme. Fazendo as contas, os 3.000mAh de bateria podem entregar quase que dois filmes, com a bateria vazia no final do segundo.

Ou dois filmes completos, já que brilho máximo consome mais energia e é uma ótima forma de danificar seus olhos, permanentemente. Certo? Deixa no brilho automático e seja feliz.

VALE A PENA?

O Q6+ é um smartphone bastante promissor e que finalmente entrega tela grande, bordas pequenas e muita memória interna para o público que não quer gastar muito com um celular. Ele falha ao remover o leitor biométrico e colocar o inseguro reconhecimento facial. Erra ao deixar o Snapdragon 435, que limita bastante o poder de fogo de tanta memória RAM. E, por fim, acerta e erra na câmera traseira, errando no acabamento traseiro do aparelho.

Com o valor de lançamento fixado em R$ 1,6 mil, este não é o melhor smartphone que você encontrará. Nesta faixa encontramos até o Galaxy A5 de 2017, melhor em quase que todos os quesitos, mas perdendo apenas na memória interna. Há também o Moto X4, superior em muita coisa e até mesmo entregando duas câmeras traseiras, custando menos.

Infelizmente não há smartphone da LG entre o Q6+ e o G6, para comparar. A linha K está levemente abaixo dos Q6.

De forma geral, o Q6+ perde muitos pontos, mas ganha ao ser o primeiro com tela grande. Se tela grande for sua escolha, ele vale. Mas, de verdade, por R$ 1,6 mil, ele não vale. Uma busca mais rápida na internet deixa claro que o preço cairá ainda mais. Hoje, no dia de gravação deste vídeo, já dá pra encontrar o aparelho por algo perto dos R$ 1.450 ou pouco abaixo disso. Quando ele bater R$ 1,2 mil ou menos, será uma boa hora.

E ai, curtiram? Concordam com os pontos apresentados? Comentem aqui embaixo! Se você ainda não é inscrito no Canaltech, inscreva-se e compartilhe este vídeo. Até a próxima!

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