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GPD Pocket Mini Laptop UMPC 2 [Análise / Review]

11:30 | Por Adriano Ponte | 26 de Janeiro de 2018

Computador portátil é uma necessidade real de programadores, escritores, jornalistas e tantas outras profissões. Quanto mais portátil, mais você abre mão de potência, usabilidade e tantos outros recursos.

O GPD Pocket é provavelmente o computador mais portátil que já tivemos por aqui, e ele corta o estigma de perder recursos por ser pequeno. Olhe o tamanho dele ao lado de uma das garrafas de água ridículas que o Wellington Arruda usa aqui no Canaltech.

Esse PC não veio do nada nem é um experimento aleatório; ele é obra de um financiamento coletivo de sucesso que hoje está a venda nas lojas para todo o público, e até mesmo sua caixa mostra o cuidado e preocupação com o produto final.

Normalmente uma peça desse tamanho roda Android ou soluções mobile mais leves, algo que é excelente para a peça mas redundante para quem já possui um smartphone e precisa continuar um trabalho do PC. O GPD Pocket sai dessa curva ao trazer Windows 10 instalado, completo (ou seja, roda .exe e todos os programas de computadores normais). Se você tem algum editor de vídeo ou imagem que não existe no Android/iOS e depende do Windows de alguma forma (ou simplesmente prefere a plataforma), a resposta é sim o GPD Pocket.

Esse pequeno corpo de metal estilo "Ultrabook" traz na parte de baixo 4 apoios para melhor uso do aparelho sem deslizar; na lateral temos as conexões USB-C, USB-A, micro-HDMI e o conector 3.5mm; ao lado disso tudo podemos notar uma das saídas de ventilação, com outra na parte de baixo e mais outras 3 na parte interna da dobradiça do aparelho, de onde nota-se melhor a saída de som do GPD Pocket.

Essa carcaça resistente de metal é boa para andar na sua mochila, seu tamanho e peso também ("ah", são pouco mais de 500g, falando nisso). Quem já teve uma tela de notebook estragada por causa de pressão na tampa do aparelho? A gente já, e nesse aqui nos sentimos confiantes com a resistência e força dele; acreditamos que isso não acontecerá.

Para caber no seu bolso, o teclado foi reduzido para caber em uma de suas mãos... o que é um problema e tanto. Eu mesmo pensei em adquirir este notebook para escrever quando fosse para o interior, e imaginei que esse pequeno teclado fosse um problema... eu errei, ele é MUITO MAIS que um problema.

Ele tem pequenas movimentações de tecla para lá e para cá, espremendo o "Capslock" praticamente na mesma tecla que aciona a letra "A", o que significa que quem não precisa mais olhar para o teclado para digitar apoiará os dedos erroneamente em alguns pontos. É necessária muita adaptação para escrever com velocidade nesse mini teclado, e provavelmente você ainda assim renderá bem menos que teclados de tamanho normal... e com certeza sentirá bastante desconforto por utilizar as duas mãos tão juntas o tempo todo.

E tem mais um detalhe sobre compactação: há um "termômetro de peru" no meio do teclado. Desculpa, piada de gordo, mas que parece um "termômetro de peru" parece pra caramba.

Esse "pino" tem a função de um joystick que controla seu mouse, assim como o "analog" de videogames, e lembra muito o que os "pointing sticks" dos ThinkPads eram, com a mesma aparência de "termômetro de peru". Ao pressionar essa peça, o mouse acelera em resposta proporcional à pressão e direção que você coloca, e os cliques ficam por conta dos botões abaixo do joystick.

A experiência de uso é média, porém consideramos uma solução inteligente para evitar um touchpad que ocuparia muito espaço do teclado. Se você pretende usar o PC para muitas atividades de clique, não gostará do joystick e talvez ande com um mini mouse sem fio para esses momentos. Novamente, pensamos que essa solução "azul" no meio do teclado é boa, só pode cansar o usuário que precise muito do ponteiro no sistema.

O QUE TEM DENTRO?

RAM, muita RAM; são 8GB que estão dentro deste fofo computador de bolso, movendo um processador atualizado Intel Atom x7 de 2016/2017; não confunda com a obsoleta linha Atom de 2012 que perdeu suporte ao Windows 10; este Atom x7 aqui do GPD Pocket é suportado pelo Windows 10 e seguirá por assim por muito tempo, operando com 4 núcleos em Clock de 1.6 GHz ~ 2.56 GHz e cache de 2 MB.

A escolha desse Atom associada com a construção do Pocket criou uma harmonia excelente de dissipação de calor, permitindo que a temperatura flua de forma uniforme pelo aparelho; você não notará que ele está trabalhando, mesmo quando exigir um pouco mais. Essa dissipação depende de ventoinha, e caso encoste a orelha no aparelho notará o extremamente silencioso cooler trabalhando.

O armazenamento interno é de 128 GB (eMMC), suficiente para manter esse pequeno milagre da ciência funcional, porém fica o aviso óbvio para a maioria das pessoas: faltará espaço, cedo ou tarde. A ausência de entradas SD/microSD impede que você contorne o problema com facilidade, e será via USB qualquer ação que você tomará para expandir ou mesmo armazenar os dados importantes. Não é como um SSD, porém garante quase 150 MB/s de leitura e praticamente 90 MB/s de escrita.

Ficamos aqui tentando entender para que serve uma máquina com essa configuração do GPD Pocket, e até instalamos um Overwatch maroto para ter certeza do assunto; a conclusão é a seguinte:

Ele não tem potência suficiente para games atuais, perdendo muitos FPS (mesmo em jogos menos exigentes), ficando para uma experiência básica em qualquer game que você tente (principalmente pela óbvia falta de GPU dedicada).

Ter essa maquininha para ver o mundo em 30fps e engasgando não é o uso correto do GPD Pocket. O detalhe é que colocamos os games na qualidade mais baixa possível, e mesmo assim o Pocket pena, portanto só CS 1.6 e clássicos mais antigos pra ele; os modernos... não.

Então o que fazer com esse Atom x7 / 8 GB RAM / 128gb de armazenamento? Trabalhar, em viagem. Esse é o uso indiscutível que todos aqui do Canaltech concordaram.

Programadores podem continuar seus códigos mesmo fora do escritório, podendo fazer ajustes de emergência e corrigir algum problema sem preocupação de chegar até um computador;

Escritores... vão passar raiva sem um teclado externo confortável; Jornalistas também, porém podem contar com o ambiente Windows que muitas vezes é necessário para contatar a redação ou transmitir conteúdo criado num local de externas, por exemplo.

Fotógrafos podem conectar uma HD externa + adaptador de cartões e liberar a memória de suas câmeras; Jornalistas-Fotógrafos-Cinegrafistas podem fazer isso e ainda transmitir os dados, sendo o GPD Pocket um bom terminal de logging para eventos e coberturas.

Se você consegue pensar em algo parecido com o que descrevemos e aplicar em outras tantas profissões, está na linha certa de raciocínio para o público-alvo do GPD Pocket. É pra isso que ele traz esse kit + 8GB de RAM, para garantir que todas essas tarefas que citamos possam ser suportadas simultaneamente com tranquilidade, ainda mais se você usa ferramentas baseadas em web, passando por dentro de um navegador voraz por memória em cima desse bolo todo.

IMAGENS e SOM

Portabilidade significa tela reduzida, e nesse caso temos uma tela de 7" protegida por Gorilla Glass 3, rodando na resolução de 1920 x 1200, totalizando 323ppi em proporção 16:10. Como falamos de um notebook completo, você pode utilizar-se de um monitor externo de sua preferência, porém vamos focar na experiência portátil, direta da caixa que você terá.

Esse LCD IPS mostra cores vibrantes e bem precisas, dentro da limitação natural do LCD, garantindo nessa experiência compacta a visualização de boas imagens e até mesmo algum Netflix e YouTube para você sem prejuízo na qualidade do que é exibido ao ajustar o ângulo de inclinação da tela, que quase chega aos 180º de abertura.

Esse display é touch, e isso ajuda bastante para um aparelho tão pequeno; rolar páginas, tocar em áreas específicas mais rapidamente que o "quase mouse integrado"... essas vantagens são bem vindas num compacto, e consideramos um acerto esse touch.

O som integrado é consideravelmente alto, porém agudo como radinhos de pilha vendidos em becos escuros do centro da cidade. Você irá precisar de fones de ouvido para se divertir com música nesse notebook, e poderá fazê-lo via bluetooth (ou mesmo usar o par que vem na caixa, que quebra um galho e nada mais).

ENERGIA

Sendo sinceros logo de cara: não conseguimos bater as tais 12 horas de autonomia dele, e acreditamos que esse valor seja possível em standby, sem realizar nenhuma tarefa nele. Em uso moderado, 6 horas contínuas são um tempo justo, permitindo que você pare e continue sem preocupações.

Resolvemos ver vídeos do YouTube nele: o tempo de autonomia caiu para quase 4 horas (quase, ele não completou 4 horas exatas, ficando entre 3:30 e 3:50).

Para reabastecer o GPD Pocket temos um carregador incluso de 24w na caixa, subindo os 7.000 mAh via USB-C. Gostamos disso, e a unidade é compacta assim como um carregador de celular comum.

Vamos contar um segredo: carregamos ele aqui no Canaltech com os carregadores de nossos celulares pessoais mesmo, óbvio que "lentamente", mas conseguimos sem problema nenhum... afinal, é USB-C e você pode desfrutar de ainda mais essa facilidade numa viagem, que na nossa opinião é o cenário mais real para o uso do GPD Pocket.

Sendo assim, carregar o Pocket não é dor de cabeça, e apesar de errado dizer isso, vamos deixar no ar a idéia de um power bank. Para um PC ultraportátil, aceitamos bem as aproximadas 6h de uso ininterrupto do Pocket, ainda mais pela facilidade de carregá-lo e pelo tempo médio de autonomia de notebooks comuns ser abaixo desses valores.

PARA QUEM ELE É?

Se você chegou nesse ponto do review e está pensando em pegar o GPD Pocket para escondê-lo atrás de uma TV para torná-la smart, não pense nisso. O Pocket custa entre R$ 1.500 e R$ 1.700 reais, e você precisará importá-lo para poder utilizá-lo.

Por esse valor você pode adquirir um mini PC (ou seja, um Windows Box) ou mesmo um Windows Stick, o que faz mais sentido que esconder um GPD Pocket atrás da TV.

Agora, voltando ao valor dele, entre R$ 1.500 e R$ 1.700 reais. Você terá um mini notebook, super portátil e descolado... porém se você não tem o hábito de viajar, não conseguimos recomendar o GPD Pocket para você. Preste atenção:

Vai usar em casa? Pense que com o preço dele dele você compra um notebook tamanho normal de potência idêntica (afinal o GPD Pocket ainda é apenas um ATOM), e ainda leva uma tela naturalmente maior no processo, com um teclado confortável também de tamanho normal como bônus.

Se você é entusiasta, é um profissional que precisa de um computador ultra reduzido para trabalho de campo ou por algum outro motivo precisa de um computador com Windows completo (porquê algo que você usa não tem como resolver no Android/iOS), excelente, não conhecemos nada que seja uma solução "notebook" tão compacta e leve como o GPD Pocket. Dentro de suas limitações, ele é excelente, e ainda continua sendo um dos meus sonhos de consumo.

 

 

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