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Drone DJI Spark [Análise / Review]

09:04 | 06 de Setembro de 2017

A DJI espantou o mundo com a portabilidade que o Mavic entrega, encaixando muito bem até mesmo em uma bolsa pequena. Agora, veio o Spark. Ele não é o melhor drone da marca, não tem a melhor câmera, mas tenta ser o melhor drone para quem está entrando neste mundo. Será que ele consegue?

Quando eu disse que o Spark é portátil, não estava brincando. O aparelho vem em um pequeno case de isopor, mas dá pra colocar na mesma bolsa que acompanha o Mavic, também da DJI. E, de verdade, dá pra colocar o Spark e todos os acessórios apenas em uma mala pequena.

OIhe só a diferença de tamanho entre ele e outro drone que já mostramos aqui no Canaltech, o Mi Drone, da Xiaomi. Além de portátil no conjunto, o drone é leve. Em números o Spark, com a bateria, pesa pouca coisa além dos 300 gramas e não é muito maior do que um Galaxy S8+.

Olhando para o drone, você tem a câmera que filma até em Full HD com 30 quadros por segundo e tira fotos de até 12 megapixels. Esta parte da frente conta com sensores para detectar você e objetos que estão na frente, o que permite que o drone desvie e impeça a colisão frontal, detectando objetos que estão até 5 metros de distância.

Infelizmente este cuidado com a segurança está só na frente. Se você voar o drone de lado, ou para trás, poderá bater contra qualquer coisa.

Na parte inferior ficam dois sensores para baixo, junto de uma câmera. Esta câmera não tem a função de filmar, mas sim de posicionar o drone quando não há satélites GPS o suficiente. Não é seguro como com GPS, mas quebra o galho.

A bateria é de 1.480mAh e oferece quase que a metade da autonomia que o Mavic oferece. A DJI diz que o Spark voa por até 15 minutos, mas em todos os voos que eu testei, o máximo que consegui foi algo entre 10 e 11 minutos. A diferença entre capacidade de voo acontece por conta do vento.

Como o Spark é pequeno, bem pequeno, ele sofre muito mais do que o Mavic quando há vento. Os motores trabalham com mais intensidade para compensar a movimentação e isso faz gastar mais bateria. Sempre, em todas as vezes que voei, o drone não ficou imóvel. Ah, outra coisa que compensa o movimento é o gimbal, que trabalha em dois eixos.

Um a menos do que o Mavic ou Phantom, mas que ainda assim produz imagens muito estáveis. O único momento em que encontrei problemas na estabilização, foi quando liguei o modo esportivo. E, é, neste momento o drone voa em até 50 km/h e não há gimbal que estabilize curvas fechadas.

A bateria pode ser carregada tanto pela porta microUSB que está atrás do drone, ou pelo carregador em HUB que é vendido separadamente. A diferença de tempo de carregamento é bem grande. Na tomada, no HUB, você consegue carregar mais de uma ao mesmo tempo e em menos da metade do tempo do necessário quando o carregamento é feito em porta USB.

SEM CONTROLE FÍSICO


Um dos pontos mais bacanas do Spark é que você pode controlar o drone apenas com gestos ou com o smartphone. Vamos começar com o smartphone longe de você.
O primeiro faz com que o drone decole sozinho. Basta dar dois toques no botão da bateria, esperar a câmera te reconhecer, os LEDs frontais ficam verdes e depois vermelhos. Depois disso o motor liga sozinho e você solta o drone. Pronto, ele está no ar e já sabe que deve ficar lá. Naquela posição.

Depois tem o mais bacana de todos e que eu chamo de modo Jedi. Com a mão pra cima, apontando para a frente da câmera do drone, o Spark começa a seguir seus movimentos. Levantar a mão faz o drone subir, descer faz o drone perder altitude. Dá até pra mandar o drone pra frente ou pra trás, enquanto você anda com a palma esticada.

Dar tchau faz o drone se distanciar de você e ele começa a te seguir automaticamente. Você pode sair andando e o Spark te acompanha. Só tome cuidado com o que está atrás, já que o único sensor que evita colisões fica na frente do drone.

Um movimento de quadrado com os dedos faz o Spark tirar uma foto, depois de reconhecer o gesto e de ativar um timer de 3 segundos. Erguer o braço em 45 graus do seu corpo faz o drone filmar.

Por fim, esticar os braços faz o drone voltar para mais perto e ao colocar a mão abaixo dele, o drone pousa e desliga as hélices. Simples assim.

Eu levei algum tempo até que o drone me reconhecesse nos gestos. No começo ele simplesmente te ignora, mas com o tempo você pega a prática e começa a acertar mais.

COM O SMARTPHONE

Há duas formas de usar o drone, sendo uma com o smartphone e via conexão Wi-Fi com o drone. Esta é uma das piores formas, já que a distância de alcance entre você e o drone depende do alcance do Wi-Fi P2P criado. Coisa que não passa muito dos 10 metros. Você utiliza controles virtuais para controlar o drone, seu movimento e as funções da câmera.

Dá pra brincar assim, mas de forma bastante limitada e com alguns problemas de delay de vez em quando.

COM O CONTROLE DA DJI


Se você quer todo o poder do Spark, toda a distância que ele pode seguir e atalhos que te ajudam na vida, o controle deve estar na compra. Ele não vem com o kit básico, apenas no combo Fly More ou então em compra separada. Mas vale cada centavo.

O controle lembra bastante o do Mavic, mas sem a tela que informa dados sobre o voo e o drone. Todas as informações estarão na tela do celular. Altitude, velocidade, distância percorrida, mapa do percurso, o número de satélites e até mesmo o tempo estimado de bateria restante.

Há um modo que está apenas no controle e é o modo esportivo. Ele faz o drone chegar até 50 km/h, mas desativa automaticamente o sensor frontal contra colisões. É um modo perigoso, mas que te permite brincar de corrida com o pequeno drone.

A DJI promete até 2 quilômetros de alcance com as antenas do controle, mas eu nunca consegui algo além de 400 metros de distância. OK, é uma distância bastante generosa e isso aconteceu na praia, sem prédios ou antenas para dar interferência. Mas é triste ver que você ainda teria mais 1.600 metros de percurso possível….que não acontece.

RESULTADO CONVENCE

Olha, no começo eu fiquei com pé atrás. A câmera dele é visivelmente inferior ao que já vi no Mavic. Ela faz fotos com até 12 megapixels, filma em Full HD em 30 quadros por segundo e tem abertura de f/2.6. Pode parecer ruim, mas as imagens que você está vendo agora foram filmadas com ele.

Em ambientes bem claros há pouco do que reclamar, principalmente se você lembra que ele é um drone de entrada da DJI. Só me incomodou o alcance dinâmico que fica bem distante do que conseguem câmeras como as GoPro. Mas dá pro gasto.

Me surpreendeu a quantidade baixa de ruído em vídeos noturnos. Eu esperava muito mais, já que a lente é escura, bem escura quando você lembra que um Galaxy S7 trabalha com f/1.7. O resultado é de vídeos ótimos para a proposta de um drone simples. Abaixo do que conseguem o Mavic ou Phantom, mas acima do que era esperado.

VALE A PENA?


O Spark é vendido, lá fora, por 499 dólares em uma versão que vem apenas com o drone e apenas uma bateria. Se você quer o controle, o carregador em hub, um kit extra de hélices, proteção para elas, estojo e uma bateria adicional, encontra o combo Fly More por 200 dólares a mais no valor.

Não, ele não é barato e o valor não fica longe do que o Mavic oferece, como alcance muito maior do controle e qualidade de imagem muito superior. Mas, olhando para um drone para iniciantes e também para os controles por gestos, o Spark pode ser seu melhor primeiro drone.

E, sinceramente, eu compraria no combo Fly More pelo controle e bateria extra. Ter voo de 10 minutos e parar para carregar por quase duas horas, não é tão bacana assim.