Foxconn pode comprar a Sharp por US$ 5,4 bilhões

Por Redação | 21.01.2016 às 11:42

Mesmo tendo dívidas ou estando em uma situação financeira complicada, qualquer empresa que seja uma das principais fornecedoras de peças para a Apple chama a atenção pelas oportunidades que representa. E é exatamente nesse tipo de situação que está a Sharp, uma das mais tradicionais fabricantes de eletrônicos do Japão – e grande fabricante de displays para iPhones –, que, agora, pode estar prestes a ser vendida para a Foxconn.

O possível negócio ainda não foi confirmado, mas as informações sobre ele surgiram a partir de fontes não-oficiais. A companhia chinesa, que hoje é o grande braço-direito da Apple na montagem dos smartphones, estaria disposta a pagar US$ 5,4 bilhões para tomar controle completo da Sharp, assumindo inclusive as dívidas de US$ 4,4 bilhões que a companhia carrega após sua diretoria tomar empréstimos para tentar salvar sua situação financeira.

As conversas sobre a venda da Sharp não teriam surgido de repente, mas fazem parte de um processo que, segundo os rumores, estaria em andamento desde os últimos meses do ano passado. Antes da Foxconn aparecer com os bolsos cheios, o principal cotado para a aquisição era um grupo de investimentos japonês chamado Innovation Network, que estaria interessado na fabricante também por sua aliança com a Apple. O “lance”, aqui, era de US$ 2,6 bilhões, menos do que a metade do oferecido pela gigante chinesa.

Apesar da gigantesca proposta, o governo japonês pode se colocar no caminho dessa transação. Tradicionalistas, as autoridades não estariam muito felizes com a ideia de que uma das principais empresas do Japão pode se entregar ao capital chinês. Entretanto, conta a favor da Foxconn a presença de um de seus diretores, Terry Gou, como dono de uma parcela majoritária de fábricas da Sharp, sem interferência em seus negócios, além de uma garantia de que o quadro de controladores da fabricante não seria alterado como parte da aquisição.

Seja como for, uma decisão deve ser tomada até o final deste trimestre e, para especialistas, a venda da Sharp parece inevitável. Com onda após onda de demissões e perdas de US$ 1,9 bilhão em 2015, além das já citadas dívidas de mais do que o dobro disso, não há muito espaço para opções. E uma oferta de mais de US$ 5 bilhões não é exatamente algo que uma companhia nessa situação pode deixar de lado.

Fonte: The Wall Street Journal