Chromecast completa cinco anos no mercado

Por Felipe Demartini | 24 de Julho de 2018 às 11h03
BRUNO HYPOLITO / CANALTECH
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O Chromecast completa nesta terça-feira (24) o seu quinto ano no mercado. Lançado originalmente em 2013, o pequeno aparelho, capaz de transformar qualquer televisor com entrada HDMI em uma smart TV, chamou a atenção pela simplicidade e, três gerações depois, ainda é um dos principais produtos da estratégia de mídia da Google.

O tamanho diminuto contrasta com os números gigantescos dessa trajetória. De acordo com a fabricante, em dados de outubro de 2017, já foram mais de 30 milhões de aparelhos vendidos em todo o mundo, um total que quase dobra e vai a 55 milhões quando se considera o que a Google chama de “aparelhos habilitados com Chromecast”, aqueles que possuem sua tecnologia integrada.

É o caso, por exemplo, de set-top boxes de parceiros, televisores inteligentes, consoles de videogame e tantos outros produtos que se aproveitam da ideia de permitir que o usuário transmita qualquer coisa para a tela grande por meio da conexão Wi-Fi. E isso vale tanto para o conteúdo de apps como Netflix ou YouTube até jogos, fotos e a própria tela do celular com Android ou do navegador Chrome. Também de acordo com a Google, hoje já são 20 mil apps compatíveis.

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Todo esse potencial, entretanto, demorou um bocado para chegar ao Brasil. Enquanto o Chromecast foi lançado nos Estados Unidos em julho de 2013, ele aterrissou por aqui quase um ano depois, em 4 de junho de 2014. A diferença de preço também impressionava – lá fora, ele sai por US$ 35 (cerca de R$ 130 em uma conversão direta para a cotação atual), enquanto nas lojas nacionais o valor sugerido era de R$ 199.

Em sua primeira geração, o Chromecast se assemelhava a um pendrive, com instalação tão simples quanto. Bastava conectá-lo à entrada HDMI e a uma fonte de energia – que poderia ser um conector USB do próprio televisor ou a tomada, por meio de uma fonte que acompanha o produto – para que tudo já estivesse funcionando. Uma vez conectado ao Wi-Fi, todos os aplicativos compatíveis estavam prontos para transmitir e, enquanto isso não estava acontecendo, o usuário podia ver notícias, imagens, obras de arte e paisagens, além de informações de data, hora e clima.

E nesta primeira geração, vale a pena citar uma curiosidade – seu código de modelo, H2G2-42, parece ser uma referência ao clássico Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, com a abreviação do livro e o número que representa “a resposta para a pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais”. Já o número da fonte, MST3K-US, também é uma lembrança à série de comédia Mistery Science Theater 3000, exibida nos anos 80 e que mostra um humano submetido a testes por um grupo de cientistas, que querem descobrir quanto tempo uma pessoa aguenta assistir a filmes ruins antes de enlouquecer.

Atualização e expansão

Em 29 de setembro de 2015, a Google decidiu revitalizar o Chromecast, mas não apenas isso, já que ele também ganhou um irmãozinho. Sai o formato de pendrive e entra um desenho circular, mais parecido com um disco de hóquei, e com um cabo HDMI flexível que facilitava a conexão em televisores pendurados à parede, por exemplo, além de se ligar magneticamente ao corpo do aparelho para melhor organização.

Além disso, para acompanhá-lo, chegava às lojas o Chromecast Audio, que tinha design e funções parecidas, mas, como o nome já indica, é voltado às experiências sonoras. E se o primeiro dispositivo transformou qualquer TV em smart, agora era a vez de a Google fazer o mesmo pelas caixinhas de som, fazendo com que até mesmo aquele par mequetrefe que você tem jogado em um canto de casa ganhe vida nova com o poder da Internet das Coisas.

Lançado em 2015, o Chromecast Audio fez pelos alto-falantes o que seu antecessor já havia feito pelas TVs convencionais (Imagem: Divulgação/Google)

Há quem diga, até hoje, que a semelhança de formato pode confundir, e isso é verdade – afinal de contas, além dos recursos e do nome estampado na caixa, a única diferença entre o Chromecast comum e sua versão Audio é a textura de disco de vinil da segunda versão, que também é pouca coisa maior. Não existem números sobre isso, é claro, mas com certeza muita gente comprou um pensando estar adquirindo o outro.

Com a nova geração de aparelhos também vieram mais opções de cores, com o Chromecast abandonando o pretinho básico e contando com versões em vermelho e amarelo. O preço continuou o mesmo para ambos, US$ 35. Ao Brasil, as novas versões do Chromecast chegaram em abril de 2016, mas o valor se tornou ainda mais salgado – R$ 399.

Com a expansão da linha, também vieram novos recursos para todos os usuários da plataforma. Em dezembro de 2015, por exemplo, todos os dispositivos ganharam suporte a áudio em alta resolução, enquanto no Chromecast Audio os usuários podiam unir diversos dispositivos em um, reproduzindo as mesmas músicas em todos, uma boa para quem tem sistemas de som espalhados pela casa e quer ser a alma da festa.

Ao longo do tempo, aplicativos que não possuíam o recurso passaram a receber a tecnologia e anunciar essa chegada com pompa e circunstância. É o caso, por exemplo, da versão nacional do HBO Go, que só entrou no bonde do Chromecast em abril do ano passado, ou da Fox, cujo suporte foi adicionado em setembro.

E nos bastidores, mais referências. O novo Chromecast é o modelo NCC-6A5, o que pode ser uma citação jamais confirmada à USS Enterprise, de Star Trek, cujo código era NC²-1701. Olhando assim, os números não são parecidos, mas a primeira sequência pode ser lida como “NCC”, devido ao quadrado, enquanto 1701, em hexadecimal, é 6A5. Já na versão Audio, o código RUX-J42 faz menção ao álbum Are You Experienced, de Jimi Hendrix – e o próprio dispositivo, quando trabalhado internamente pela Google, também carregava o codinome do músico.

Mais mudanças

A última e mais recente atualização do Chromecast aconteceu em outubro de 2016, com a chegada da versão Ultra do aparelho. Mais uma vez, tivemos mudanças visuais (possivelmente, para diferenciar a edição dedicada a vídeo daquela que funciona somente com áudio) e a principal adição – o suporte a 4K e HDR em serviços compatíveis como Netflix e Google Play Filmes.

Outra novidade, comemorada por alguns usuários, foi a adição de uma porta Ethernet à fonte, já que, até agora, o dispositivo funcionava apenas por meio de conexão Wi-Fi. Outras novidades aparecem sob o capô, com mudanças de hardware que permitem não apenas o incremento na qualidade do vídeo, mas também uma conexão mais rápida aos dispositivos e downloads velozes para reduzir o tempo de carregamento.

O preço internacional, porém, subiu para US$ 69, aproximadamente R$ 260. O Brasil ainda não recebeu a mais recente versão do Chromecast, que também não tem data prevista para dar as caras por aqui.

Ainda assim, o impacto do Chromecast no consumo de mídia veio para ficar e é fácil perceber isso pela gigantesca quantidade de dispositivos que também passaram a contar com sistemas de transmissão de tela depois que o dispositivo da Google chegou ao mercado. Por anos ele foi o aparelho dessa categoria mais vendido em todo o mundo, com um market share de 35% no segmento.

O que se seguiu foram prêmios de “melhor produto” dados por sites internacionais como Engadget e Digital Trends, apenas para citar alguns, além de milhares de comparativos e guias para melhor aproveitamento do aparelho. E, desde 2015, uma parceria com a Academia de Artes e Ciências da Televisão fornece Chromecasts para o júri do Emmy, de forma que eles possam assistir aos indicados na televisão, reduzindo a dependência de DVDs enviados pelo correio e, com isso, o índice de vazamentos de conteúdo.

Desde o Chromecast Ultra, entretanto, a linha continua relativamente parada, sem grandes atualizações ou novidades. Isso pode ser devido ao fato de que, na visão da Google, o dispositivo em seu formato atual atende bem às necessidades do segmento em que está posicionado. Apenas atualizações de software são liberadas de tempos em tempos para melhorar recursos ou corrigir eventuais problemas.

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