Ações da Sharp caem mais de 20% em meio a reestruturação

Por Redação | 12 de Maio de 2015 às 10h55

As ações da centenária empresa japonesa Sharp despencaram nesta segunda-feira (11) após a empresa de eletrônicos anunciar uma reestruturação que inclui diversas manobras contábeis que irão diminuir grande parte do valor dos investimentos dos acionistas. A empresa está pronta para cortar seu capital em mais de 99%, para 100 milhões de ienes, como parte de um plano de recuperação. De acordo com a fabricante, mais detalhes deste plano deverão ser apresentados nesta quinta-feira (14).

A expectativa é que a Sharp emita novas ações preferenciais para dois bancos japoneses, que são seus principais credores, em troca de um alívio considerável na dívida. "No momento, estamos considerando várias possibilidades a respeito de nossa política de capitais, incluindo a emissão de ações preferenciais e a diminuição de capital, mas ainda não há decisões específicas neste momento", afirmou a empresa em comunicado. Na bolsa de Tóquio, a Nikkei, as ações da companhia fecharam o dia com queda de 26%.

Os planos de reestruturação da japonesa incluem corte de vagas de trabalho, custos e uma conversão da dívida em capital. Em troca das ações da Sharp, os credores Mizuho Financial Group e Mitsubishi UFJ Financial Group poderão quitar o pagamento de 200 milhões de ienes em empréstimos realizados pela companhia.

Já não é de hoje que a Sharp se encontra em uma situação financeira difícil, sendo esta a segunda vez que a empresa é resgatada nos últimos três anos. O cenário de deterioração da empresa contrasta com a melhoria das perspectivas de outras empresas de eletrônicos do país asiático, como é o caso da Panasonic e da Sony. Enquanto essas duas empresas estão conseguindo se recuperar da crise, a Sharp continua a lutar com a dura concorrência nos segmentos em que atua, sendo os de telas de cristal líquido para smartphones e televisões os mais acirrados.

Vale a pena salientar que a Sharp foi uma das grandes empresas afetadas pela recente desvalorização da moeda japonesa, o iene, e os custos de produtos da empresa para os consumidores domésticos no exterior aumentaram consideravelmente. Para piorar ainda mais a situação, a companhia tem se mostrado incapaz de aumentar os preços no mercado local para compensar os custos de produção mais elevados no exterior.

A possível mudança contábil e emissão de ações preferenciais deixaram os investidores preocupados com a atual situação financeira da empresa. Ao reduzir o capital acionista, que representa os fundos que foram originalmente captados por meio da emissão de ações, a Sharp poderia cobrir as perdas que se acumularam. Isso iria fortalecer o balanço patrimonial da empresa, melhorando as perspectivas para os credores.

"A empresa vai sobreviver, mas para os acionistas comuns seu valor é quase zero", disse Atul Goyal, analista da Jefferies & Co. "Os bancos estão mantendo-a".

A Mizuho e a Mitsubishi UFJ estão impulsionando a reestruturação. Os bancos, que contam com um representante individual no conselho da Sharp, estão exigindo concessões que incluem a eliminação de cerca de 5 mil postos de trabalho, de acordo com informações de pessoas familiarizadas com o assunto. A empresa também está considerando a possibilidade de cisão de sua unidade de LCD.

Para o analista de crédito da SMBC Nikko Securities, Yutaka Ban, a redução de capital permitirá reforçar o balanço da empresa contra perdas projetadas e ajudará a Sharp a retomar o pagamento de dividendos. Tais passos foram vistos como pré-requisitos para os bancos concordarem com a emissão de novas ações como troca pelas dívidas. No entanto, para retomar o pagamento de dividendos, a empresa primeiro precisa voltar a lucrar.

Os bancos japoneses geralmente são proibidos de possuir mais do que 5% das ações de uma empresa japonesa. Então, a Sharp pode eventualmente ter que comprar de volta as ações que foram trocadas pela dívida. Os bancos poderiam também vender tais ações para terceiros, como forma de conseguirem dinheiro para o abatimento da dívida.

"As ações não são suscetíveis de serem eliminadas, mas permanecem dúvidas sobre a viabilidade do negócio da Sharp a longo prazo", afirma Mitsushige Akino, administrador chefe de fundos na Ichiyoshi Investment Management.

Via WSJ

Fonte: http://uk.businessinsider.com/r-sharp-says-may-cut-its-capital-shares-dive-20-pct-2015-5http://www.wsj.com/articles/sharp-shares-plunge-as-company-mulls-capital-reduction-1431318100

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