Sharp pede ajuda a bancos e fundos de investimento para se recuperar

Por Redação | 06.03.2015 às 12:24

Mais conhecida no Brasil pelos seus televisores, a Sharp está enfrentando severas dificuldades em um de seus principais campos de atuação, a fabricação de telas sensíveis ao toque. Com uma demanda pelo componente bem abaixo do esperado por parte dos smartphones e tablets, a empresa estaria agora buscando a ajuda de bancos e fundos de investimento para reverter uma situação extremamente negativa, com trimestres sucessivos de números no vermelho e uma queda total de 11% nos valores de suas ações apenas neste ano.

O diretor executivo da companhia, Kozo Takahashi, teria se encontrado nesta semana com os responsáveis por bancos como o Mizuho Bank e o Bank of Tokyo para discutir os termos de investimento em uma possível reestruturação. A Japan Industrial Solutions, uma investidora do mercado asiático de tecnologia, também teria sido acionada, e estaria cogitando colocar ¥ 30 bilhões, ou cerca de US$ 1,56 bilhão, na companhia. As informações são de fontes internas ouvidas pela Reuters.

Os problemas começaram já no ano passado, quando passando por dificuldades, a Sharp resolveu iniciar um plano de recuperação interna voltado para um funcionamento mais enxuto e, também, foco total em um de seus principais negócios, a fabricação de touchscreens. O retorno da tradicional Japan Display para esse segmento, porém, acabou dificultando as coisas, reduzindo amplamente a demanda pelo componente e potencialmente colocando tudo a perder.

Agora, a ideia é contar com o auxílio de empresas do setor por meio da venda de ações preferenciais, uma negociação que seria concluída em um ano e representaria um belo aporte de capital para manter a Sharp funcionando e permitir que o processo continue. Outra alternativa seria a conversão de dívidas já existentes com bancos em cotas da empresa, uma troca que teria valor estimado em cerca de US$ 1,3 bilhão mas que pode acabar não indo para a frente caso os credores não confiem nos planos de recuperação.

Apesar de tais alternativas estarem sendo consideradas, como explica a Reuters, estão fora de cogitação ideias como fusões ou vendas de partes da Sharp. A diretoria interna da companhia deseja que a empresa se mantenha unida neste momento e, acima de tudo, acredita no potencial de seus produtos – e na demanda dos mercados emergentes, principalmente, por celulares de baixo custo – como parte integrante dessa reestruturação.

Por outro lado, especialistas de mercado também ouvidos pela agência acreditam que essa postura é “orgulhosa demais” e que a recusa em compartilhar recursos com a Japan Display pode acabar piorando as coisas. A rival acaba de fechar um contrato com a Apple para construção de uma unidade de produção exclusiva de telas para os novos iPhones, com valor estimado em US$ 1,4 bilhões. A opinião de muitos setores do mercado é que, nesse ensejo, a Sharp vai acabar ficando para trás.

A empresa também estaria sofrendo pressão dos bancos e fundos que já são investidores para embarcar em planos de recuperação ainda mais audaciosos, como o que a Sony está aplicando recentemente, por exemplo. A ideia seria que, sem uma forte alteração em setores-chave dos negócios, a situação negativa não será revertida, como acontece com a fabricante do PlayStation, que focou justamente no console como o grande motor para recuperação, na mesma medida em que abre mão ou reduz significativamente os esforços nas áreas que vêm causando prejuízo.

Sinais de melhora

As informações, claro, não foram confirmadas oficialmente por representantes da companhia, que permanecem em silêncio quanto aos planos atuais de recuperação e uma possível derrocada. Em 2012, a Sharp recebeu um aporte de ¥ 360 bilhões, ou cerca de US$ 3 bilhões, para iniciar o processo de reestruturação, com a promessa de voltar ao azul neste ano. Só que, conforme apontam as mais recentes previsões, isso não deve acontecer, e seria justamente esse o motivo por trás da busca de novas soluções.

No final do ano passado, a Sharp deixou de trabalhar com televisores e painéis solares na Europa, além de ter deixado o negócio de energia também nos Estados Unidos. A ideia seria focar nos segmentos que realmente indicam lucratividade no longo prazo e, principalmente, manter os negócios mais perto de casa, onde a indústria de componentes para smartphones e tablets segue a todo vapor.

As notícias parecem ter, pelo menos, feito um bem mínimo para as ações da companhia. Nesta sexta-feira (6), as notícias publicadas pela Reuters foram responsáveis por um aumento de 1,7% nas ações da Sharp, uma pequena melhoria que, torcem os executivos da empresa, precisa se manter com as novas medidas.