Sinal digital de TV: tudo que você precisa saber para digitalizar sua casa

Por Redação

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2017 marca o ano da virada para o mercado de televisão brasileiro, quando o sinal analógico de uma das maiores praças para esse segmento, a zona metropolitana de São Paulo, foi desligado no dia 29 de março. Esse passo representa a continuidade de um processo, iniciado em fevereiro de 2016, pelo qual as emissoras nacionais passarão a operar apenas com imagens em alta definição, enquanto as frequências originais serão revertidas para outros fins.

Cidades como Brasília, por exemplo, já não possuem mais cobertura analógica. Em Belo Horizonte, a mudança acontece em julho, e no Rio de Janeiro, em outubro. Até dezembro de 2018, a expectativa da Anatel é que boa parte das cidades brasileiras já contem exclusivamente com o sinal digital. Faz parte dessa alteração, também, uma ostensiva campanha de incentivo à atualização nas residências, com subsídios para a compra de conversores e avisos gerais sobre o desligamento, de forma que ninguém fique sem assistir seus programas preferidos.

Basicamente, dois itens são necessários para acesso ao sinal digital: uma antena e um conversor, que nem mesmo pode ser exigido em todos os casos. Neste artigo, você confere dicas sobre como realizar a digitalização na sua casa, os eventuais problemas que podem ser encontrados e também algumas alternativas.

Processo padrão

Antes de começarmos, é preciso avaliar a situação dos televisores que você já possui em casa. Normalmente, aparelhos de tecnologias LED e LCD fabricados após 2010 já possuem, de forma integrada, o conversor necessário para conversão do sinal digital em imagens. Dispositivos produzidos antes desta data também podem contar com a tecnologia, apesar de existirem exceções. Na dúvida, consulte o manual ou uma ficha técnica online do produto, procurando indicações sobre a presença da tecnologia DTV.

Por outro lado, televisores de tubo sempre exigirão aparelhos desse tipo. Os conversores externos têm preços que variam de R$ 90, para os modelos mais simples, até R$ 300 para dispositivos que também fazem o papel de central de mídia. Em alguns casos, é possível encontrar pacotes que acompanham antenas e kits de instalação. Beneficiários de programas sociais do governo poderão receber os equipamentos de graça.

Com relação à antena, os preços variam ainda mais e, no mercado informal, é possível encontrar produtos simples por valores a partir de R$ 15. Em praças de boa recepção de sinal, até mesmo um clipe de metal, sem revestimento ou pintura, pode ser utilizado para recepção. Equipamentos externos também podem ser utilizados para esse fim, podendo ser instalados em prédios ou residências e fornecendo sinal para diversos aparelhos simultaneamente.

A instalação é simples. Enquanto conversores podem ser ligados tanto em conectores HDMI quanto RCA, de acordo com a tecnologia disponível no televisor, antenas podem ser encaixadas diretamente na entrada TV, com um cabo coaxial – o famoso “fio branco” usado normalmente em televisores.

Depois, basta realizar a sintonia automática nos televisores compatíveis ou conversores para que todos os sinais disponíveis sejam localizados. Em teoria, as grandes redes de televisão brasileiras devem ser sintonizadas com facilidade, além de emissoras menores ou retransmissoras locais.

E é aí que começam os problemas...

Em um país onde a televisão está na casa de mais de 99% da população, porque, então, a certeza sobre sintonia dos canais digitais é apenas uma “teoria”? A verdade é que essa questão depende também de outros fatores, que na maioria das vezes não estão ao alcance dos usuários para resolução, e às vezes nem mesmo dos canais nacionais.

É o caso, por exemplo, de dificuldades na recepção do sinal, que podem ser causadas por diversos fins, desde interferências pelo caminho até a presença de prédios altos ou falta de manutenção nos equipamentos. Em algumas praças, por outro lado, a ausência de retransmissoras locais pode fazer com que até mesmo um grande canal esteja indisponível.

É o caso, por exemplo, da Baixada Santista, no litoral do estado de São Paulo, que não possui uma afiliada da RedeTV! O sinal é emitido diretamente de São Paulo e pode não chegar a muitas das cidades da região. O mesmo vale para outras redes da capital, como a TV Gazeta, por exemplo.

Em testes realizados pelo Canaltech no centro de São Vicente, uma região tomada por prédios altos, foi possível obter os sinais de canais como Globo, SBT e Record, além de canais locais como Santa Cecília TV, ou estaduais, como a Rede Vida e TV Aparecida. O sinal da Band também foi captado, mas com intermitências, enquanto a RedeTV! não pôde ser assistida.

Em grandes capitais, a situação também pode ser parecida. Em Curitiba (PR), onde o sinal analógico deve ser desligado apenas em janeiro de 2018, também encontramos dificuldade para sintonizar alguns canais. No centro da cidade, a sintonia automática do televisor, ligado a uma antena interna, localizou os sinais de Globo, SBT e Band, além de Rede Vida, Canção Nova e Record News (por meio de retransmissora local). A Record só foi localizada em uma segunda tentativa de sintonização.

Antenas externas, principalmente se colocadas no topo de prédios altos, podem ter mais facilidade em captar o sinal. Quem mora em condomínios, por exemplo, pode trabalhar junto ao síndico e outros moradores para a instalação de um equipamento compatível, já que em edifícios antigos o equipamento instalado pode não funcionar com o novo formato digital.

Assinantes de TV a cabo não estão à salvo

Desde o início das movimentações para desligamento do sinal analógico no Brasil, acreditava-se que os assinantes de televisão por assinatura não precisariam realizar nenhum tipo de adaptação em suas casas. Como o sinal das emissoras, mesmo as abertas, é retransmitido a partir das operadoras, caberia a elas realizar as adaptações necessárias para a continuidade dos serviços prestados.

Entretanto, no começo de 2017, a realidade se mostrou um pouco diferente quando canais como RedeTV!, SBT e Record se uniram sob uma empresa chamada Simba Content para solicitar acordos de pagamento por seus conteúdos. Antes, elas eram obrigadas a compartilhar seus sinais com as empresas de telecomunicações. Com o desligamento do sinal analógico em São Paulo, entretanto, passaram a exigir compensações pela retransmissão, da mesma forma que acontece com canais a cabo.

A falta de um acordo nesse sentido levou ao desligamento dos sinais das três emissoras de operadoras como NET, Sky ou Claro. Nem mesmo campanhas divulgadas pelas redes na televisão, como forma de pressionar as empresas e levar clientes a entrarem em contato com elas, funcionaram e, até o momento da publicação deste texto foi escrito, a previsão era de desligamento.

Globo, Band e outros canais nacionais permaneceram nas grades, assim como canais menores. A ausência de RedeTV!, SBT e Record dos pacotes vale tanto para assinantes de planos convencionais quanto de alta definição, e em todos os casos os clientes deverão recorrer aos métodos convencionais de recepção se quiserem continuar assistindo à programação.

Alternativas

Quem se ver sem opções, seja por dificuldades de sintonizar os canais por meio do sinal aberto ou por impossibilidade de assisti-los por meio do pacote de TV por assinatura, pode seguir alguns caminhos paralelos. O principal deles é apostar na presença online de canais abertos, com muitos deles disponibilizando, horas ou dias depois, no YouTube, a programação transmitida.

É o caso, por exemplo, da Record, que realiza o upload de trechos de suas novelas e programas de notícias ou entretenimento, em operação seguida também pela RedeTV!, que inclui, ainda, reportagens de seus telejornais. O SBT trabalha sob a mesma lógica, mas tem canais separados onde realiza o upload de capítulos completos de suas novelas, bem como apresenta conteúdos exclusivos para a internet, como um dedicado exclusivamente a games.

Essas opções trazem versatilidade, pois podem ser assistidas também em celulares e tablets, além de permitirem que os conteúdos sejam transmitidos para a televisão por meio de dispositivos como o Chromecast ou a Apple TV, por exemplo.

Quem não quiser utilizar tais opções também pode aderir a outros tipos de conteúdo transmitidos por streaming, assinando serviços como a Netflix, por exemplo. O serviço, inclusive, carrega em seu acervo alguns conteúdos de canais de televisão brasileiros, como novelas do SBT (incluindo as produzidas no México e licenciadas pela emissora por aqui) ou documentários da Band.

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