Setor de telecom teme ficar para trás na corrida tecnológica, mostra pesquisa

Por Rafael Romer | 19 de Fevereiro de 2016 às 09h59

Ao mesmo tempo que enfrentam profundas transformações de seus modelos de negócio e avanço de novos competidores, 58% dos tomadores de decisão do setor de telecomunicações temem que suas empresas ficarão para trás em termos tecnológicos nos próximos anos, revelou uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (18) pela IDC e pela Amdocs.

De acordo com o levantamento, que entrevistou executivos seniores de 81 operadoras de telefonia das regiões Ásia Pacífico (26%), Europa (25%), América Latina e Caribe (23%) e América do Norte (26%), mais de dois terços (68%) dos respondentes afirmaram que suas empresas levarão mais de cinco anos para se adaptarem ao processo de transformação digital pelo qual diversas indústrias passam hoje - tempo que não será suficiente para acompanhar a concorrência.

Entre os novos "concorrentes" estão os já conhecidos serviços over the top (OTT), como WhatsApp e Netflix, que utilizam a rede de dados para entrega de conteúdo e serviços próprios para seus clientes. Nos últimos meses, o debate ao redor da briga entre operadores e OTTs tem se intensificado em países como o Brasil, onde as empresas de telecomunicações têm feito pressão para a regulamentação e taxação dos OTTs, que têm pressionado o uso de dados e - no caso do WhatsApp, por exemplo - afetando antigas fontes de receita de operadoras.

"[Operadores e OTTs] vão precisar fazer alguma colaboração, parcerias em relação a como os OTTs estão utilizando a rede e patrocínio vão ser fundamentais para que as operadoras tenham retorno de investimento", comentou o diretor de vendas da Amdocs para a América Latina, Edson Paiva.

Na região da América Latina e Caribe (CALA), a situação se mostra preocupante. Enquanto 84% dos tomadores de decisão da região afirmam que é importante a presença de um chief digital officer (CDO) capaz de orientar estas transformações na companhia, apenas 32% das empresas efetivamente possuem um líder no cargo.

Os dados da pesquisa também mostram um descompasso entre os times de TI e negócios na empresa quanto a definição do plano de transformação. Quando questionados sobre a existência de um plano dentro da empresa, 61% dos tomadores de decisão em TI afirmam que a empresa não tem um plano. Quando a pergunta é direcionada para executivos de negócios, só 36% negam a existência de um plano.

Entre as ações já tomadas para enfrentar estes desafios, a pesquisa mostrou que empresas têm buscado colaborar com outros parceiros de negócio e de tecnologia. Na CALA, 37% dos respondentes afirmaram que investirão em serviços gerenciados nos próximos 12 meses como parte da estratégia de transformação digital das empresas.

Entre as competências que os operadores buscam para sobreviver na era digital, a busca por melhores talentos é a maior prioridade para os tomadores de decisão na região. Em segundo lugar está a agilidade dos negócios e só em terceiro a capacidade de entrega de experiência de qualidade para os clientes.

"A fidelidade do cliente está vinculada a dois pilares: a velocidade em que o cliente consegue fazer downloads e a cobertura desses dados", explicou Paiva. "Essa cobertura de dados também é fundamental para suporte de tendências. Todo mundo busca o preço, mas isso não determina se o cliente é fiel ou não a operadora, é a experiência".

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