Segmentação do usuário de celular

Por José Otero

Quando falamos de serviços móveis, os especialistas usualmente dirigem seus comentários para as marcas que representa cada operadora. Esta prática comum, embora compreensível, não é inteiramente bem-sucedida se o que se busca é identificar o que impulsiona as diferenças no uso móvel entre clientes de diferentes operadoras.

O elemento que impõe a primeira barreira determinando quais serviços poderia o cliente ou não utilizar é seu dispositivo. Ou seja, os usuários que desejam acessar conteúdos mais avançados necessitam acessar dispositivos usualmente de maior custo.

Mas cuidado, nem todos os dispositivos são similares, independentemente se seu aspecto físico parecer idêntico. Dependendo de como foi construído, o mesmo poderá operar em certas bandas de espectro radioelétrico e em outras não. Usualmente, as bandas que suportam uma maior quantidade de usuários como AWS, 2.5 GHz e 1.9GHz são as que contam com maior número de modelos de terminais disponíveis comercialmente.

É por esta razão que das pessoas que viajam para o exterior, alguns podem acessar serviços de roaming enquanto outros dispositivos não são capazes de identificar um sinal para conectar-se. A conexão é bem-sucedida quando ao menos uma das tecnologias que o dispositivo suporta é oferecida comercialmente.

O anterior não deve ser subestimado. Existem vários casos na América Latina onde operadoras que ofereciam serviços com alta demanda em seus mercados não puderam crescer sua base de clientes e eventualmente entraram em problemas financeiros pela falta de dispositivos adequados para oferecer serviços para seus clientes.

Também existem operadoras que, por falta de capital não podem implementar uma estratégia coerente que promova a substituição de dispositivos por modelos mais modernos que lhes permita implementar estratégias voltadas ao aumento de seu ARPU. A disponibilidade de conteúdos nesta linha desempenha um papel duplo como protagonista, diferenciador e gerador de receita.

É por essa razão que os telefone celulares têm que cumprir um ciclo de vida que inclui uns primeiros meses ofertando para a base de clientes por contrato, ressaltando os novos serviços que o cliente pode acessar. Dependendo do custo e do mercado, o mesmo dispositivo poderá ser alcançado em um curto período de tempo com base pré-pago ou levar vários anos. Tudo será determinado pelos níveis de subsídios no mercado, bem como a receita gerada por cada consumidor.

O anterior no mundo das Operadoras Móveis Virtuais (OMV) também é sumamente importante, pois dependendo do objetivo do cliente, deste jogador, e da tecnologia de sua rede que se definirá o tipo de dispositivo que poderá colocar à disponibilidade de seus usuários. Por exemplo, um operador OMV que aluga sua capacidade a um operador que somente oferece acesso à sua rede LTE, mas centra seus serviços para conectar máquinas somente teria que se preocupar sobre quais dispositivos deseja obter por um preço acessível em seu mercado.

A educação muda quando o OMV interessado tem duas possibilidades, a primeira é oferecer dispositivos que permitem a utilização da VoLTE como parte de seus serviços; esta aproximação poderia ser bastante onerosa. A segunda opção é firmar um acordo de compra de capacidade com outra operadora de mercado para que, através de suas redes 3G ou 2G, o operador móvel virtual possa oferecer telefonia.

Lançar serviços móveis não é simples e nem barato, a cobertura é um dos muitos elementos a considerar.