Presidente da TIM Brasil comenta sobre os desafios da inclusão digital no país

Por Igor Lopes | 13 de Maio de 2015 às 10h40

Em apresentação nesta manhã (13) no Mobile 360 Series, evento de Telecomunicações organizado pela GSMA no Rio de Janeiro, o Presidente e CEO da TIM Brasil, Rodrigo Abreu, comentou sobre os desafios da inclusão digital no país e o que está sendo feito para driblar essas questões, tanto por parte das operadoras quanto por parte do governo. "Este é um 'moving target', ou seja, quando você atinge um objetivo de inclusão digital, um novo desafio aparece", explica.

Para ele, as principais barreiras hoje no que diz respeito à inclusão digital estão relacionadas a estes fatores: infraestrutura deficiente, custo do serviço, custo dos dispositivos, educação digital, além do acesso ao conteúdo e serviços. E, para atacar esses pontos, algumas ações estão sendo feitas por parte das operadoras.

Penetração do serviço

De acordo com o CEO, hoje o Brasil possui uma penetração de 140% no ambiente móvel, ou seja, há 1,4 aparelho para cada brasileiro. "Como disse, as metas evoluem rapidamente. Há poucos anos, nossa discussão era essa, como fazer com que os aparelhos chegassem às mãos das pessoas. Hoje temos esse ótimo número", explica.

Para ele, uma das questões que permitiram o acesso dos clientes ao serviço de telefonia móvel é o trabalho feito para diminuir o custo das chamadas, com valores fixos e, algumas vezes, até mesmo a oferta de chamadas gratuitas dentro da mesma operadora. No caso dos dados, ele aponta a oferta pré-paga como uma das iniciativas realizadas no sentido de promover a inclusão digital da população. Mas o que será feito daqui para frente?

"O investimento em infraestrutura para suportar essa quantidade de acessos e dados 4G nunca foi tão desafiador. Hoje, investimos cerca de 20% do faturamento nessa área e as novas disponibilidades de frequências vão nos ajudar a oferecer melhores serviços". E esses investimentos se tornarão fator crucial para a saúde financeira dessas empresas. Há quatro anos, 80% do faturamento da TIM vinham de serviços de voz e espera-se que essa porcentagem diminua a ponto dos dados representarem entre 60 e 70% do faturamento dentro de poucos anos.

Segundo Abreu, um dos tópicos cruciais para o sucesso do setor é a neutralidade da rede. "É necessário que as discussões visem sempre a qualidade técnica da rede. Não se pode comprometer a qualidade das comunicações em prol de regras muitas vezes inúteis. O mesmo digo com relação ao consumidor: em nome de alguns conceitos, prejudica-se o usuário e também em nome de alguns conceitos, acaba-se inibindo a competição".

Oportunidades

Além do acesso a dados, o Presidente e CEO da TIM Brasil enxerga oportunidades na oferta de conteúdo e aplicações. Como exemplo, ele citou quatro aplicativos lançados pela TIM em parceria com serviços reconhecidos no mercado. Um deles é o TIM Music by Deezer, plataforma de streaming de músicas que já detém um milhão de clientes ativos. É hoje a maior plataforma de música digital no país. "Para o sucesso dessa estratégia, é necessário abrir oportunidades para parcerias", disse.

Outra questão relacionada ao futuro das telecomunicações está na comunicação entre empresa e cliente. Abreu acredita que os serviços de telefonia estão se tornando cada vez mais complexos e, por isso, educar o consumidor é uma questão que precisa ser encarada como prioridade por parte das operadoras. Sem dar muitos detalhes, ele disse que já há "um modelo de autorregulação que foi assinado por todas as operadoras no sentido de educar o consumidor para que nós possamos trilhar o caminho da inclusão digital com sucesso".

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