Presidente da Oi anuncia saída e chama a empresa de “pepino”

Por Claudio Yuge | 10 de Dezembro de 2019 às 22h30
youtube Raimundo Ribeiro Martins
Tudo sobre

Oi

Saiba tudo sobre Oi

Ver mais

A Oi é uma das empresas investigadas pela Polícia Federal (PF) sob a suspeita de participar de um grupo que seria comandado pelo filho de Lula, Fábio Luís (Lulinha), e pelo empresário Jonas Suassuna, para o pagamento de despesas pessoais da família do ex-presidente. Coincidência ou não, o anúncio dessa ação, na manhã desta terça-feira (10), aconteceu pouco antes do comunicado de desligamento de Eurico Teles, presidente da companhia de telecomunicações.

A PF suspeita que contratos da Oi e outras empresas ligadas a Lulinha e Suassuna tenham sido firmados como fachada para dar aparência legal a repasses ilegais. Uma das evidências seria o fato de vários produtos feitos por essas firmas não terem obtido resultado comercial relevante.

Eurico Teles (Imagem: Reprodução/WebGroove)

Exemplo disso é a "Bíblia na Voz de Cid Moreira": a Oi teve que uma receita de R$ 21 mil com a comercialização do produto num período em que transferiu R$ 16 milhões à Goal Discos, de Suassuna, pelo serviço. O caso segue em apuração, em uma nova fase da Operação Lava Jato.

Teles diz que Oi “é só pepino”

Segundo Teles, sua saída está prevista para o dia 30 de janeiro de 2020 e já tinha data marcada desde junho. Tanto ele como seu provável sucessor, o COO Rodrigo Modesto de Abreu, negaram beneficiar o governo Lula em troca de negócios com Lulinha. “Qual foi o benefício que teve essa companhia por alguém? Eu desconheço. Estou aqui há 38 anos e vou te dizer o seguinte: essa companhia é só pepino. É só pepino. Mas é isso mesmo. Gente, ela foi para a recuperação judicial!”, disse Teles, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Abreu afirmou que as operações apontadas pelo Ministério Público como benéficas à companhia, na verdade foram prejudiciais. Segundo ele, o grupo assumiu dívidas bilionárias no processo de fusão com a Brasil Telecom e de participação na Portugal Telecom. O executivo afirmou que essas operações são objeto de auditoria desde setembro deste ano e que a companhia vem fornecendo as informações solicitadas pelos investigadores.

Oi responde

A companhia enviou um comunicado à imprensa para falar sobre as investigações. “No âmbito de investigações já concluídas ou em curso por diferentes autoridades, a companhia tem participado de forma colaborativa, com o envio de todas as informações solicitadas. A gestão da companhia reitera que não compactua com nenhuma irregularidade e não tem medido esforços para assegurar que quaisquer ações que eventualmente possam ter prejudicado a companhia sejam integralmente apuradas”, disse.

“É importante ressaltar que os episódios até agora mencionados nas investigações não representaram de fato nenhum benefício ou favorecimento a seus negócios. Ao contrário, a companhia, ao protocolar sua petição com pedido de recuperação judicial, elencou alguns desses episódios — a exemplo da fusão com a Brasil Telecom e operações societárias com a Portugal Telecom — como componentes que levaram à crise de liquidez que justificou esse pedido”, alegou, em um argumento semelhante ao que apresentou Abreu.

(Imagem: Reprodução/IstoÉ Dinheiro)

Sobre sua recuperação judicial, a empresa afirmou que iniciou “um processo de soerguimento da companhia, sob supervisão judicial, seguindo ritos legais e de forma transparente” e a “implementação de um plano de transformação de seu negócio”. A Oi adiantou que “tem adotado processos de auditorias internas e forenses, com o objetivo de apurar quaisquer irregularidades” e que “é a principal interessada no total esclarecimento de eventuais atos praticados que possam lhe ter gerado prejuízo”.

Fonte: Folha de S. Paulo  

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.