Para presidente da Anatel, concorrência entre WhatsApp e operadoras é desleal

Por Redação | 26.10.2016 às 12:02

Nomeado recentemente, o novo presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Juarez Quadros, taxou a concorrência entre operadoras e mensageiros instantâneos como o WhatsApp de desleal e disse que "a equação não fecha". Apesar disso, o executivo pondera e diz que esse tipo de problema não acontece apenas no Brasil.

"O fato é que, com a chegada desses novos serviços, as operadoras reclamam que não está sendo remuneradas pelo aporte técnico necessário para funcionamento deles", explicou Quadros. "Tem ainda os provedores de conteúdos que também têm os seus conteúdos utilizados sem qualquer remuneração. Como os serviços não são regulados, não são tributados. Sem contar no poder judiciário que também tem tido bastante dificuldade com esses apps", disse ao justificar que o único beneficiado nisso tudo é o consumidor, que diminuiu seus gastos com serviços convencionais.

Embora confesse ser um usuário assíduo do WhatsApp, ele defende que é preciso encontrar equilíbrio na convivência com as operadoras. "Eu queria ter a solução, mas não tenho", lamentou. Aos olhos do presidente da agência, o impasse é complexo e sua resolução teria de ocorrer mediante legislação federal e do aval do Congresso Nacional.

Na contramão dessa ideia de regulamentação, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, já havia se posicionado a favor da "desregulamentação dos serviços de telecomunicação no país para que exista um ponto de equilíbrio" entre as empresas tradicionais e os apps mensageiros. No entendimento do ministro, WhatsApp e apps correlatos já estabeleceram uma relação com a sociedade e o governo não deve intervir nisso.

Independentemente de qual caminho será seguido, a verdade é que ele será longo e exigirá muito trabalho por parte da Anatel.

Via UOL Tecnologia