Leilão do 5G deve acontecer até março de 2020, diz Anatel

Por Felipe Demartini | 27 de Fevereiro de 2019 às 10h36
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A Anatel anunciou nesta quarta-feira (27) que o leilão do espectro necessário para o funcionamento do 5G no Brasil deve acontecer até março do ano que vem. De acordo com o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações, Leonardo Euler, o edital sobre o assunto deve ser publicado ainda neste ano, com a venda acontecendo nos primeiros meses de 2020.

A implementação da tecnologia no Brasil também deve marcar uma mudança de rumos importante na atuação da agência. Atendendo a alguns pedidos de players do setor, Euler revelou que a licitação não deve ter viés arrecadatório, mas sim ficará atrelada ao cumprimento de normas mínimas de qualidade por parte das operadoras de telefonia, algo que, na visão dele, garante maior receita no longo prazo.

Apesar disso, é claro que a venda das faixas gerará dinheiro para o governo, já que a ideia não é “doar” o espectro. Euler citou o exemplo da China como o que não vai ser seguido por aqui, mas afirmou que a ideia é garantir o faturamento direto e indireto após o momento do leilão, já que, com a consolidação das redes, o que se arrecada é muito maior do que o obtido com a própria venda.

Segundo o diretor da Anatel, uma fatia da faixa de 3,5 Ghz deve estar presente no leilão inicial, que pode também trazer porções dos espectros de 2,3 Ghz e 700 Mhz. O processo acontecerá em blocos, provavelmente dois de 100 Mhz cada um, de forma a não gerar uma competição predatória entre as maiores operadoras e ampliar o potencial da cobertura. Ao mesmo tempo, entretanto, a divisão das faixas em quatro de 50 Mhz cada também pode acontecer, mas não é um caminho que soou como o ideal, de acordo com a agência.

Com a venda dos espectros, as operadoras poderão seguir dois caminhos: o da consolidação de suas operações no 4G, aumentando a cobertura, a velocidade e a confiabilidade das conexões, ou partirem direto para o 5G. A expectativa é que a maioria delas siga pela segunda via, trazendo a nova rede país e, também, os aparelhos de nova geração compatíveis.

A maior preocupação da Anatel, entretanto, é garantir que o Brasil não fique para trás quando o assunto é 5G. Enquanto operadoras de telefonia do país pedem calma e a transferência dos trabalhos apenas para depois que os primeiros aparelhos compatíveis chegarem ao mercado, como é o caso da Claro, outras, como a TIM, pedem mais agilidade para que o país possa ser colocado na vanguarda. A ideia, então, é não esperar demais, mas, também, garantir uma implementação tranquila e sem equívocos.

Euler acredita que a inauguração da nova rede no Brasil trará benefícios ao PIB, principalmente nos setores de indústria e agronegócio. A expectativa é de um impulso grande por conta da nova conectividade, algo que, por si só, já faz brilhar os olhos de governo, agências regulatórias e outros players do setor.

O anúncio foi feito durante conversa com jornalistas no MWC 2019. O evento, o maior do mundo no mercado mobile, está acontecendo nesta semana em Barcelona, na Espanha, e está sendo o grande palco de anúncios relacionados ao 5G, com boa parte das fabricantes apresentando smartphones e outros produtos já compatíveis com a tecnologia, antes mesmo de ela estar efetivamente acessível aos consumidores.

Fonte: UOL Tecnologia

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