João Rezende deixa presidência da Anatel defendendo fim da internet ilimitada

Por Redação | 22.08.2016 às 16:57

Quase como um profeta do Apocalipse, João Rezende deixa a presidência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) retomando seu discurso mais polêmico. Em seu balanço que antecede a entrega do cargo, ele voltou a dizer que a Era da internet ilimitada acabou de vez e mostra que segue defendendo a mesma postura que o colocou em rota de colisão com os consumidores durante a grande batalha das franquias na banda larga fixa.

Durante sua despedida do cargo que ocupou durante quase cinco anos, Rezende se manteve firme diante dessa posição, mostrando o quanto acredita que o papel da Anatel é mesmo zelar pela estabilidade do mercado a um ponto que isso signifique defender mais as empresas do que os consumidores — o que lhe rendeu várias críticas e acusações de advogar em favor das operadoras. No início do ano, quando o debate sobre as franquias seguia intenso, ele foi claro ao posicionar o órgão regulador do lado das empresas, alegando que o modelo atual de internet favorecia quem utiliza o serviço em larga em escala, o que acaba encarecendo para quem utilizava pouco.

O curioso disso tudo é que, apesar de todo esse discurso, a internet nunca foi um grande ponto da gestão de Rezende à frente da Anatel. Tanto que ela mal aparece durante seu balanço. O ponto alto do período de 57 meses no qual presidiu a instituição — uma das maiores da história da agência — foram os leilões das faixas de 700 MHz e 2,5 GHz de redes móveis em 2012. Assim, apesar de toda a polêmica que praticamente lhe custou o cargo, a internet praticamente passou batida pela sua gestão.

João Rezende

João Rezende sai da Anatel defendendo as operadoras, mas pouco fez pela internet em seus 57 meses de gestão

Assim, o quase ex-presidente da Anatel destaca algumas de suas ações mais populares, como as medidas que ajudaram a deixar o órgão mais transparente ou as medidas tomadas para melhorar a qualidade dos serviços de telefonia no país. Foi durante seu período à frente da agência que as operadoras ficaram proibidas de vender chips enquanto não adotassem medidas para elevar o nível de qualidade do sinal. Isso sem falar de toda a preparação do país para receber eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas sem sofrer nenhum apagão por conta da alta demanda — e ambos os eventos geraram uma quantidade absurda de dados circulando.

Por outro lado, não há como negar que tudo isso vai acabar sendo ofuscado pelos seus últimos meses. Sua defesa às franquias não foi bem vista pelos consumidores, o que acabou o transformando no rosto de toda essa batalha. E, pelo visto, ele vai deixar o cargo ainda defendendo essa posição, por mais controversa que ela tenha sido.

Via: Convergência Digital