Internet via satélite como instrumento para aumentar o acesso à conectividade

Por Bruno Henriques | 28 de Outubro de 2020 às 10h00
Pixabay

Se, atualmente, grande parte das conversas relacionadas à internet é sobre o 5G e como ele pode transformar o mundo graças a uma conexão mais rápida e de menor latência, além da evidente evolução em velocidade e tecnologias de acesso entre a internet de banda larga de hoje, em comparação com a de uma década atrás, parece fora da realidade que cerca de 1 em cada 4 brasileiros continuam sem acesso à internet.

Segundo dados mais recentes do TIC Domicílios, 18% dos lares brasileiros contam com o compartilhamento de internet de vizinhos para estarem conectados, enquanto 11% dos domicílios rurais listam a indisponibilidade do serviço como principal motivo para não acessar à internet.

Essas informações dão a impressão de que o vácuo de conectividade é um problema exclusivo de quem mora em locais remotos com pouco poder aquisitivo. Porém, ao analisar apenas residências de classe social A, 23% dos respondentes consideram a falta de ofertas como principal barreira para usufruir das facilidades do mundo online em suas residências.

Olhando dessa forma, fica claro que o desafio de conectar 100% do território nacional é tão grande quanto o de levar velocidades mais rápidas em locais já conectados à internet. E nesse ponto a tecnologia satelital serve como instrumento de expansão da oferta, incluindo lugares que não possuem infraestrutura terrestre.

No Brasil, o SGDC-1, da Telebras, é o único satélite que hoje já é capaz de atender a totalidade do território, incluindo regiões como Fernando de Noronha, com a banda Ka. A rede usufrui da tecnologia terrestre da Viasat, capaz de entregar altas velocidades aos usuários, de forma estável e com uma instalação simples. Tudo que um usuário precisa para se conectar é uma antena parabólica de 75cm, além de transmissor/receptor e modem compatíveis, permitindo então que mais pessoas possam aproveitar de atividades como aulas virtuais, consumo de séries e filmes por streaming, e manter contato com parentes e amigos distantes por videoconferência.

Se, antes, essas ações poderiam ser consideradas um artigo de luxo em um passado próximo, tornaram-se essenciais em um cenário onde as pessoas estão ficando mais tempo em casa. Hoje, estar conectado com a internet também representa a capacidade de continuar a produtividade no trabalho em casa. Além de oferecer novas oportunidades para pequenos negócios que têm migrado parte da sua operação tanto para o mundo digital quanto para o mundo móvel, um movimento que exige acesso constante para plataformas de mensagem como WhatsApp, redes sociais como Instagram, e marketplaces de vendas e entregas.

E se, por um lado, contar com a internet é útil para vender produtos e manter um negócio próprio, por outro, também é importante para realizar compras online e dessa forma evitar grandes deslocamentos e aglomerações em locais tradicionais de comércio. Reduzir distâncias também é algo crucial para o homem do campo. Mesmo os pequenos fazendeiros e produtores rurais podem se beneficiar da habilidade de verificar as variações do mercado em tempo real e até mesmo em atividades simples como emitir uma nota fiscal da sua própria propriedade.

O ponto principal é que o Brasil precisa e pode contar com a internet via satélite para levar conectividade de forma rápida e simples. Em países como México, a internet comunitária permite que um único ponto de acesso consiga conectar um vilarejo inteiro com pacotes pré-pagos e preços acessíveis. Por aqui, o programa GESAC, do Ministério das Comunicações, conecta escolas públicas, postos de saúde e postos de fronteira, entre outros órgãos públicos com a internet via satélite de alta velocidade.

Mesmo quem utiliza internet banda larga em áreas urbanas hoje pode se beneficiar da conectividade via satélite, com a possibilidade de se conectar a bordo de aviões comerciais e executivos, inclusive em navios e cruzeiros. A internet que vem do céu é um instrumento essencial para complementar as opções já existentes e também para ser a primeira forma de contato com a internet para cerca de 40 milhões de brasileiros.

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