Huawei terá participação “limitada” em estrutura 5G do Reino Unido

Por Felipe Demartini | 28 de Janeiro de 2020 às 12h16
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O governo do Reino Unido confirmou nesta terça-feira (28) a participação da Huawei na implementação da tecnologia 5G no país. De acordo com comunicado assinado pelo primeiro-ministro Boris Johnson, a empresa chinesa foi considerada como um “fornecedor de alto risco” após análises dos parlamentares e, sendo assim, poderá trabalhar de forma limitada na instalação da infraestrutura, ficando de fora do que os legisladores chamaram de “centro” da tecnologia.

Isso, em termos práticos, implica em algumas restrições à atuação da Huawei, que não poderá ter uma participação maior do que 35% na infraestrutura 5G do Reino Unido. Ela também ficará de fora das instalações em locais considerados como riscos de segurança, onde estão localizados prédios do governo, por exemplo, ou instalações militares e usinas nucleares.

A restrição quanto à participação na infraestrutura também vai se aplicar às redes de fibra óptica, muitas já implementadas e em funcionamento no país. Para garantir que as normas sejam cumpridas, o governo dará um prazo de três anos para que as operadoras de telefonia realizem as adequações necessárias para reduzir sua dependência da Huawei.

De acordo com um porta-voz de Johnson, as medidas foram tomadas com base nas preocupações internacionais quanto à Huawei e segundo análises internas dos especialistas em segurança do próprio país. O governo do Reino Unido acredita que a decisão leva em conta os interesses da população e suas necessidades de segurança, além de não entrarem no caminho das relações diplomáticas e da comunicação entre países aliados. É o que, para a imprensa inglesa, vem sendo considerado como um meio-termo necessário para garantir a instalação do 5G sem que a região fique tecnologicamente defasada ou desprotegida.

A aplicação de restrições e a própria entrada da Huawei no 5G do Reino Unido foi motivo de debates intensos entre legisladores não apenas do país, mas também internacionalmente, com o governo dos Estados Unidos pedindo mais de uma vez que o aliado não autorizasse a empresa chinesa a participar da implementação. Antes mesmo de Johnson assumir o cargo, a postura da nação sempre foi de rejeitar conclusões externas e trabalhar com suas próprias análises de segurança que, agora, parecem ter chegado a um ponto de acordo.

O que não significa, claro, que existam divergências. Um grupo de parlamentares liderados por Tom Tugendhat, da ala conservadora, afirmou que, com a decisão, o Reino Unido “deixa a raposa entrar no galinheiro”. Já para Ciaran Martin, diretor do Centro Nacional de Cibersegurança, as restrições são razoáveis e, ao mesmo tempo em que permitem que o Reino Unido siga adiante rumo ao 5G, também fazem com que a segurança nacional seja protegida.

Apesar das restrições, a Huawei comemorou a decisão do governo do Reino Unido, afirmando que ela é um endosso de seu trabalho com redes 5G ao redor do mundo. Em comunicado, a empresa disse trabalhar com operadoras de telefonia do país há mais de 15 anos e que pretende continuar com essa relação de confiança, instalando infraestrutura de alta tecnologia, seguras e eficientes para levar a região ao futuro.

Sobre as mudanças nas legislações, a Huawei disse acreditar que um mercado diverso e que promova competição é saudável e garante a confiabilidade da rede instalada, além de garantir que os clientes e usuários tenham a melhor tecnologia possível à sua disposição. A companhia, entretanto, não foi além e deixou de comentar sobre os reflexos práticos da mudança e as preocupações levantadas pelos legisladores quanto à segurança nacional.

Fonte: The Guardian

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