Estudo: crescimento do 4G no Brasil é lento e precisa superar desafios

Por Igor Lopes | 13 de Maio de 2015 às 14h54

"Frustração não é bem a palavra, mas comparativamente ao crescimento do 3G, o 4G está mais lento". Com essa frase o Diretor da GSMA Brasil, Amadeu Castro, definiu o atual panorama do 4G na manhã de hoje (13), durante o Mobile 360 Series, evento produzido pela GSMA. Apenas 2,4% do total de 683 milhões de conexões móveis na América Latina no primeiro trimestre de 2015 eram LTE, muito abaixo dos 8,4% da média global. Até março de 2015, existiam 39 operadoras com redes LTE na região, abrangendo 15 dos 22 países. Mas as coisas estão evoluindo. O número de implantações de redes acelerou recentemente, com 17 operadoras lançando o 4G em 2014 e mais 21 planejando lançar o serviço a curto prazo.

E o curioso é que o relatório aponta o 3G como um dos principais fatores para a demora na adoção do 4G. "No Brasil, a expansão do 3G foi enorme. O sucesso do 3G se tornou um ônus para o sucesso do 4G porque o serviço é basicamente o mesmo para o usuário. É claro, tem a velocidade maior, mas não é a mesma disruptura de quando se mudou do 2G para o 3G, por exemplo", explica Sebastian Cabello, Diretor da GSMA América Latina.

Mas este não é o único obstáculo a ser superado pelo setor. Há, ainda, a alocação insuficiente de espectro 4G adequado, especialmente em frequências abaixo de 1 GHz. "A frequência de 2,5 GHz utilizada no Brasil é muito alta. Ela é boa para capacidade e velocidade, mas é mais cara para cobrir grandes áreas. Para expandir a cobertura, é preciso contar com o espectro de 700 MHz, mas ele só estará disponível a partir de 2018 quando o Governo liberar essa banda", explica o executivo. "Sem falar que o consumidor vê a qualidade do 4G, mas não está disposto a pagar mais por isso. Os pacotes de dados oferecidos não custam mais pelo fato do usuário se conectar a uma rede 4G e isso se torna um problema para as operadoras, que estão investindo pesado nessa infraestrutura maior sem receber mais por isso. Sem falar na queda do faturamento com serviços de voz. Por isso, pedimos aos formuladores de políticas na região que eliminem as barreiras à implantação da banda larga móvel sustentável, a fim de estimular o investimento contínuo nas redes 3G e 4G".

Para completar, há ainda o problema do custo dos aparelhos 4G, mas, de acordo com os executivos, isso deve ser resolvido com o ganho de escala. "À medida que o 4G vai sendo popularizado, os smartphones passam a ficar mais acessiveis", disse Cabello.

O futuro

De acordo com a GSMA Intelligence, responsável pelo estudo, as redes 4G serão responsáveis por 28% das conexões móveis da América Latina em 2020. Estima-se ainda que as redes 3G, que hoje já cobrem 90% da população latino-americana, representem 51% das conexões até lá. Para tanto, será necessário um grande investimento em infraestrutura. Estima-se que as despesas das operadoras totalizem aproximadamente US$ 170 bilhões nos próximos seis anos, contra US$ 106 bilhões investidos ao longo dos últimos seis.

Conexões M2M

A GSMA Intelligence estima que existiam 16,1 milhões de conexões M2M de celulares na América Latina no final de 2014 - 9,9 milhões apenas no Brasil. Isso faz com que a região ocupe a 4a. posição entre as que mais têm M2M no mundo, atrás apenas de Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte. Nessa área, as expectativas são boas: estima-se que haverá um aumento de 25% ao ano até 2020, chegando a 62 milhões de conexões ao final dos próximos seis anos. A tecnologia M2M para celulares representa, hoje, cerca de 2% do total de conexões da região, e deverá saltar para 7% em 2020.

Siga o Canaltech no Twitter!

Não perca nenhuma novidade do mundo da tecnologia.