Conectar os desconectados

Por José Otero

O impacto das Tecnologias da Informação e a Comunicação (TIC) na vida de um indivíduo está cada vez mais forte. Aos poucos, cada um dos serviços que gera acesso vai digitalizando uma parte da operação. Seja na prestação de um serviço, em sua aplicação, no pagamento ou emissão de fatura. Este cenário atual justifica-se pela redução de custos e maior eficiência ao interagir com os consumidores.

Como podemos observar há algum tempo, as TIC deixaram de ser primordialmente plataformas de comunicação ou entretenimento para transformarem-se em ferramentas que permitem salvar, identificar oportunidades de desenvolvimento ou incrementar o tamanho do mercado de trabalho para diferentes especialistas. Ao abrigo deste regime é necessário que, quando se fale de conectar os desconectados, não se tenha a mesma ambição que existe, por exemplo, nos concursos de beleza onde se prega “A Paz Mundial”.

Desafortunadamente, a frase “Conectar os Desconectados” se converteu em diferentes partes da América Latina em palavras vazias que se sabe de antemão que serão do agrado de quem as escuta. Quem pode ser contra a incrementar a porcentagem da população que utiliza as TIC diariamente?

Conectar os desconectados não se resume em levar uma conexão de banda larga às pessoas. Reduzir as necessidades dos desconectados, a falta de acesso à Internet é simplesmente perigoso e omite uma realidade cada vez mais óbvia: a desconexão é a falta de acesso aos conteúdos. A Internet é simplesmente a ferramenta com a qual se pode chegar aos diferentes conteúdos disponíveis.

Em outras palavras, oferecer o acesso não é a parte mais fácil. O difícil é oferecer o apoio e a capacitação necessária para que as pessoas possam começar a experimentar o benefício do uso das TIC nas diferentes facetas da vida. As estratégias a serem implementadas devem romper com o vício de considerar os desconectados como uma massa homogênea que possui necessidades definidas. Nada mais distante da realidade. Não se trata de harmonizar as frequências de espectro radioelétrico para melhorar as economias de escala de uma tecnologia.

Os desconectados, ainda que de uma mesma localidade, têm necessidades e interesses completamente diferentes. Um projeto de sucesso para incrementar a adoção das TIC tem que enfrentar a capacitação para o acesso aos conteúdos de maneira segmentada. Atender tanto as necessidades dos alunos do ensino fundamental quanto a dos professores que compartilham informações. Assim mesmo, dependendo da localidade, a cultura pode ter um papel de suma importância que não pode ser ignorado no momento de digitalizar a comunidade.

O esforço também envolve quebrar a crença de que a idade pode ser um freio para o indivíduo poder ou não desfrutar plenamente das oportunidades oferecidas pelas TIC. Em outras palavras, você tem que humanizar o discurso cotidiano para que, quando for necessário conectar os desconectados, se fale de planos concretos que atendam todos os requisitos que impõem as necessidades tangíveis de infraestrutura, dispositivos e mantimentos com as intangíveis que são os conteúdos. Ao final do dia são estes últimos os que chegam a transformar a vida das pessoas.

A boa notícia é que na América Latina cada vez se vê uma maior quantidade de esforços em humanizar a conectividade e integrar esse elemento humano tão necessário para o sucesso. E ainda há quem goste de usar o termo conectar os desconectados como parte de um discurso que nada tem a ver com o desenvolvimento, o que se destaca nessas ações é saber que o crescimento das TIC é tão importante que tem sido utilizado como forma de gerar simpatia entre os cidadãos.