Claro faz piloto com LTE Broadcast para estimular uso da tecnologia no país

Por Rafael Romer | 19 de Fevereiro de 2016 às 19h12

A Claro e a NET realizaram nesta sexta-feira (19) o primeiro teste da tecnologia de dados massivos LTE Broadcast da América Latina, para entrega de conteúdo em vídeo durante o campeonato de tênis Open Rio 2016, que acontece nesta semana no Rio de Janeiro.

A tecnologia permite a transmissão simplificada de dados através da rede 4G para múltiplos usuários a partir de uma única torre. Quando comparada com a tecnologia tradicional de conexão, Unicast, na qual cada usuário se conecta e faz requisições individuais à rede, a LTE Broadcast permite um consumo menor de dados ao usuário, além de uma pressão reduzida na infraestrutura de operadoras.

"O Broadcast é uma tecnologia feita exatamente para entregar vídeo massiva e simultaneamente, para uma quantidade muito grande de usuários e sem impacto na rede, já que o vídeo está sendo transmitido ao mesmo tempo e da mesma forma para todo mundo", explicou o Diretor de Marketing da América Móvil Brasil, Rodrigo Vidigal.

Uma das principais aplicações atuais para a tecnologia é em situações de alta demanda por vídeo em um único local e por um grande número de usuários, como em grandes eventos esportivos, por exemplo. As possibilidades, no entanto, vão bem além: da transmissão de avisos de emergência à atualização de software, passando por distribuição de conteúdo publicitário e conteúdo exclusivo de segunda tela via smartphones.

Claro LTE Broadcast

Além de testar a tecnologia, a Claro também pretende "provocar" o mercado nacional com o piloto para tentar alavancar o desenvolvimento de um ecossistema fértil para o uso de LTE Broadcast. Apesar de ser uma tecnolgia de implementação simples, ainda é recente em diversas regiões do mundo e depende da construção de um ecossistema e modelo de negócio sustentável para justificar o serviço.

Segundo Roberto Medeiros, diretor sênior de desenvolvimento de produtos da Qualcomm Brasil, uma das parceiras do piloto e empresa responsável pelo desenvolvimento do padrão da LTE Broadcast, o mundo ainda tem poucos casos de sucesso de aplicação da tecnologia. Um dos exemplos é a Coreia, onde operadores e produtores de conteúdo encontraram demanda de usuários pelo serviço e construíram um mercado favorável, já com aplicações comerciais em funcionamento. "É um lugar onde a equação de remuneração foi resolvida usando o modelo mais óbvio, que é para grandes eventos", comentou.

De acordo com Medeiros, apesar da Claro ter sido a primeira em testar a tecnologia em um piloto, todas operadoras do mercado nacional com rede LTE já mostraram interesse na tecnologias e poderão fazer testes no futuro, forçando fabricantes a "começarem a se mexer". "Esse movimento [da Claro] pode quebrar a inércia e começar a mover o ecossistema", afirmou.

Além das operadoras e produtores de conteúdo, fabricantes são parte importante para a criação de um ecossistema favorável ao LTE Broadcast já que, mesmo que a tecnologia já esteja embutida em grande parte dos novos chips, ela ainda precisa ser habilitada via software para que funcione em smartphones e tablets de usuários finais. Aqui no Brasil, poucos dispositivos, como os Samsung Galaxy S6 e S5, estão habilitados para ela.

Apesar do primeiro piloto da tecnologia no Open Rio, o Brasil ainda tem um segundo potencial campo de testes para o LTE Broadcast no país: as Olimpíadas no Rio de Janeiro. Ainda não há nenhuma confirmação de que algum novo piloto deva acontecer, mas o formato, importância e dimensão do evento seriam ideias para testes, mas seria ideal que envolvesse também provas de conceito ao redor de um modelo de negócio que justifique a implementação da tecnologia.

Claro LTE Broadcast
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