Banda UHF para Serviços Móveis no Caribe

Por José Otero | 29 de Dezembro de 2015 às 13h08

Usualmente, quando falamos de América Latina e Caribe, praticamente 99% da atenção está voltada para vários países, exceto para os mercados das Antilhas. Cada vez menos pessoas pensam no Caribe. Por esta razão que atribuo grande importância a Caricam, um congresso de telecomunicações voltado para os mercados Canariense e de língua espanhola do Caribe.

Este ano, o evento foi realizado em Miami no mês de novembro e contou com a presença de muitos executivos das principais organizações e prestadoras de serviços da região. Minha participação objetivou falar de maneira ampla das diferenças entre os 33 mercados de telecomunicações da região, sobretudo a respeito de seus diferentes níveis de desenvolvimento e pressões externas que precisam enfrentar quando as operadoras móveis estão definindo suas estratégias de negócios.

Entre os principais pontos da minha apresentação, mostrei a relevância que o turismo possui no setor de telecomunicações, existem mercados que chegam a receber até 13 turistas por habitante cada ano. Em outras palavras, o uso de serviços de telecomunicações por vilarejos gera importantes interesses para as operadores locais.

Porém, para poder rentabilizar o ingresso dos turistas neste mercado, temos que levar em conta as recomendações oferecidas pela Comissão Interamericana de Telecomunicações (CITEL) da Organização dos Estados Unidos da América (OEA). Isto se deve ao fato de que a maioria dos visitantes são oriundos da Europa, o regulador local (e também as operadoras de telecomunicações) provavelmente têm um maior interesse em oferecer serviços sem fio nas frequências que eles utilizam em seus mercados de origem.

O resultado é simples: enquanto que a Citel defende promover a harmonização do espectro de radiofrequência nas Américas (Região 2), o Caribe está mais preocupado em utilizar as mesmas frequências de mercado que a Europa (Região 1). O resultado tem sido uma abordagem, por vezes criteriosa, da atribuição do espectro de radiofrequência para diferentes operadoras do mercado.

As operadoras e os governos do Caribe entendem que, independentemente de que possa haver um grande interesse em alocar espectro seguindo o padrão da Região 2, a realidade indica que o mercado de origem da grande maioria dos turistas é proveniente dos Estados Unidos. Isto faz com que os representantes caribenhos para os órgãos internacionais, como a Citel, tenham um interesse especial em conhecer a posição dos Estados Unidos para questões relativas ao espectro radioelétrico.

Foi neste contexto que os representantes do Caribe comentaram que a banda UHF em seus mercados se encontrava praticamente vazia e que lhes interessaria que fosse destinada para os serviços móveis. Casualmente, este interesse coincide com as posturas do Canadá, Estados Unidos e México durante a última reunião da Citel sobre espectros radioelétricos. No entanto, a baixa assistência e pouca coordenação entre as diferentes delegações do Caribe com as norte-americanas se traduziu em participação de quatro delegações caribenhas (Bahamas, Belice, Jamaica e Trindade e Tobago) durante o congresso da Citel.

Canadá, Estados Unidos e México têm no Caribe uma grande oportunidade para promover sua agenda sobre a banda UHF em fóruns internacionais. Temos que acabar com o ditado “tão perto tão longe” e buscar uma cooperação mais estreita com os governos dos países independentes de língua espanhola da Bacia do Caribe.

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