América Móvil aposta na Claro TV para continuar expansão de redes

Por Rafael Romer | 04 de Agosto de 2015 às 15h40

A América Móvil, empresa que reúne a NET, Claro e Embratel, apostará no seu serviço de televisão por satélite Claro TV para garantir a expansão de redes e serviços de TV para famílias de baixo poder aquisitivo. A estratégia é motivada pelo aumento do dólar no país, que está pressionando os investimentos da empresa neste ano e deve motivar uma mudança no foco das expansões.

De acordo com o presidente da América Móvil para o Brasil, José Felix, os investimentos da companhia não devem cair, mas o aumento do dólar reduziu a capacidade da organização de adquirir novos insumos importados, o que levou a uma revisão dos investimentos.

"Não vai diminuir o investimento, entretanto nossa capacidade de fazer coisas com o mesmo dinheiro é menor", explicou Felix. Na avaliação de presidente, é "natural" que empresa freie alguns de seus investimentos, ponderando com mais cuidado se algum novo negócio deverá valer a pena antes de implementá-lo. "Estamos sendo mais cautelosos, mas não vamos deixar de fazer uma expansão que realmente se justifique".

Neste ano, por exemplo, a empresa deverá focar mais na extensão de redes já existentes para áreas urbanas ainda não cobertas dentro das cidades já servidas pela companhia, ao invés de apostar na abertura de novos mercados. No ano passado, a empresa expandiu o serviço de televisão por assinatura para 16 novas cidades.

"Pela renda dessas pessoas, infelizmente, construir rede é um negócio que não faz sentido", afirmou. "É natural que com o tempo a gente comece a acompanhar o desenvolvimento do país em termos de renda quando se pensa em expansão. A família que ganha R$ 600 não é cliente potencial, não tem produto. O país tem uma limitação e quem trabalha aqui tem que trabalhar com essa realidade".

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José Felix (à esquerda) fala dos planos da América Móvil e aposta na Claro TV (Foto: Rafael Romer/Canaltech)

Nestas áreas, o foco deverá ser na Claro TV, que servirá como um "complemento" para as regiões onde a América Móvil não tem cabeamento, de acordo com Felix. "A Claro TV está iluminando o Brasil inteiro, ela está disponível inclusive nas áreas onde não tem rede", afirmou. "O que a gente tem que fazer é trabalhar para que a Claro TV penetre em uma população que possa passar a conta".

Parte do investimento da companhia para o serviço também está no lançamento do novo satélite Star One C4, anunciado no mês passado e que deve começar a operar já em 2016.

Felix também afirmou que a empresa permanece otimista para o mercado neste ano, mesmo no momento de crise econômica que está impactando o orçamento doméstico de diversos consumidores.

O executivo reconhece que a empresa tem visto alguma perda de clientes no mercado de TV por assinatura, mas afirma que as desconexões têm sido observadas principalmente nas classes sociais mais baixas, que foram as primeiras a serem afetadas pela crise. Apesar de representarem um volume grande de usuários, hoje essas conexões representam um valor pequeno de rentabilização para a companhia.

"Isso tudo faz parte de um ajuste, a gente continua vendendo bem, e isso para mim é um bom indicador. Talvez não seja a venda espetacular que se tinha há dois anos, mas são vendas significativas", afirmou. "Tão longo passe esse período de acomodação, sem dúvida voltaremos a crescer em números com os quais estávamos mais habituados nos últimos tempos".

A empresa afirmou que o consumo médio de seus produtos de TV por assinatura tem aumentado "constantemente" nos últimos anos, ultrapassando neste ano a audiência dos canais de TV aberta.

Uma das maiores apostas da empresa atualmente para continuar com crescimento no setor é o serviço de conteúdo por streaming NET Now. Segundo dados da América Móvil, 70% dos consumidores hoje já sabem o que é um serviço de vídeo sob demanda e os consumidores do serviço NET Now já passam hoje 20% do seu tempo assistindo o conteúdo por streaming, contra 80% do tempo em canais de TV paga.

Só nos últimos 12 meses, o serviço cresceu 90% em relação ao ano anterior, e no mesmo período já atingiu mais de 1 bilhão de gigabytes de vídeos trafegados em sua rede.

O NET Now também é essencial para a empresa na briga contra os chamados OTTs, serviços que distribuem seu próprio conteúdo sobre as redes de operadoras, como a Netflix. O presidente da companhia afirmou que a América Móvil já tem procurado se blindar contra esse tipo de ameaça há alguns anos, mas pediu por mais "isonomia" no tratamento dos OTTs e serviços de operadoras, que hoje têm diferentes impostos aplicados sobre seus produtos.

"O que não pode acontecer é um enfrentamento em condições legais diferentes, porque aí é uma questão de precificação, de margem, de resultado", comentou. " Eu não posso fazer o que o outro faz com um ônus diferente".

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