A tendência para a indústria de Telecom é uma nova Telecom. De novo!

Por Colaborador externo | 08.04.2016 às 06:14

Por Laerte Sabino*

Em 2015, imprensa e players da indústria de telecomunicações discutiram a expansão da internet 4G pelo país, enquanto o mundo apresentava alguns exemplos palpáveis de aplicação das coisas conectadas. Carros, termostatos, vestíveis, enfim, são inúmeros os exemplos de IoT (Internet of Things) que passam por testes ou já estão, de fato, nas mãos do consumidor.

As respostas às novidades que devem surgir neste ano já começam a ser descobertas após a realização das duas principais feiras mundiais de eletrônicos, tecnologia e mobilidade do ano, a Consumer Eletronics Show (CES) e o Mobile World Congress (MWC). O 5G, a comunicação Machine to Machine (M2M) e a interoperabilidade, o Network Function Virtualization (NFV) e o Software Defined Networking (SDN) vão ganhando força para suportar novos casos de uso na área de Redes.

A aplicação de IoT ou a integração de produtos de uso diário com tecnologias e mobilidade podem até mudar de nome, mas o conceito fica. Na área de TI, empresas tradicionais como IBM se reinventam com computação cognitiva, enquanto web players exploram o conhecimento sobre o mundo dos aplicativos móveis. Todos eles compartilhando um mesmo espaço e atenção com as “novas empresas” de mobilidade, como grifes de roupas, materiais esportivos, fabricantes de automóveis, segurança, organizações com core business fora da área tecnológica e que migram, neste momento, para uma aplicação de TI diretamente no core de seus produtos e serviços.

As atenções também se voltarão, neste ano, para a realidade virtual. Com a maturidade da tecnologia, aplicações além de jogos começam a ser desenvolvidas, abrindo mais uma arena de disputa entre empresas tradicionais, como a sueca Ericsson, a sul-coreana Samsung, a chinesa Huawei e a norte-americana Intel, e novos players de nicho.

O impacto da realidade virtual e do IoT, para o qual gigantes se preparam, será enorme. Afinal, não é todo dia que toda uma indústria se prepara para receber 25 bilhões de “novos consumidores”. As prestadoras de serviço precisarão rever seu posicionamento de mercado, decidindo se mantêm como provedoras de conectividade ou se se tornam provedores de aplicações. E certamente precisarão também rever suas estratégias de marketing, entendendo como acessar esses novos consumidores e serviços.

Como COO da Icaro Tech, entendo que as redes irão mudar e, no final das contas, as operações terão que ser envolvidas para suportar um novo padrão de flexibilidade, escala e confiabilidade, e, como esperado, tomar a frente das iniciativas de redução de custos por dispositivo e end point. Aumentar a eficiência usando automação, analytics e sendo capaz de evoluir continuamente não são requisitos novos, mas serão cada vez mais críticos.

Olhando para o futuro, a estrada para o 5G começa com alguns desafios conhecidos que devem ser superados. Questões como a cobertura 4G, a qualidade heterogênea dos serviços e a monetização de dados estão em discussão, e precisamos resolvê-los para que a estrada até o 5G seja pavimentada. Ainda mais quando os direcionadores-chave para o 5G são a melhoria da capacidade de rede e o apoio à disseminação de IoT, onde os end points predominantes são máquinas com tráfego de dados tendo que ser monetizado, e diferentes requerimentos relativos à largura de banda, latência e, o mais importante, confiabilidade.

Afinal, quem quer estar num carro autônomo que, de repente, perde a comunicação com outros carros e com a infraestrutura ao seu redor? Melhorar a interoperabilidade entre os múltiplos dispositivos e os players de mercado será um pré-requisito indispensável. Do lado do negócio, independentemente do posicionamento das operadoras de Telecom, elas precisarão atrair e monetizar adequadamente o tráfego M2M. Hoje como estratégia de crescimento, mas provavelmente como estratégia de sobrevivência no futuro. E neste contexto, o modelo de cálculo de ROI para o 5G continua um problema a ser resolvido.

Nesse meio tempo, outro ponto decisivo está em discussão: será que já começamos o Skynet? A computação cognitiva promete abrir a “Caixa de Pandora” dando uma maior capacidade de decisão para os sistemas. Por um lado, não seria excelente se um oncologista pudesse contar com o apoio da tecnologia na hora de examinar uma ressonância magnética e ter um diagnóstico mais preciso de câncer? Ou a possibilidade de reduzir o número de acidentes de trânsito, uma vez que 80% deles estão relacionados a erros humanos? Entretanto, quais os limites morais? De acordo com os especialistas, os sistemas cognitivos são incríveis, mas deveriam servir como sistemas de apoio à tomada de decisão onde os limites morais ainda devem ser impostos pelos humanos que os gerenciam. Certamente, este é um tópico que requer uma discussão mais aprofundada.

De uma forma geral, os especialistas e principais players do mercado de TI e Telecom estão alinhados em mudar o foco para o usuário final. As discussões vão desde sistemas cognitivos, agronegócio, referências de IoT até Fórmula 1. Isso mesmo, a indústria de tecnologia agora usa a Fórmula 1 como referência para o desenvolvimento de novas soluções, exatamente como a indústria automotiva já faz há décadas. Isso indica que ficará cada vez mais difícil separar tecnologia e mobilidade das outras indústrias.

Como resultado, habilitar a participação de diferentes players nos múltiplos ecossistemas de IoT nos permitirá ver cada vez mais aplicações e casos de uso. O que faz com que fique ainda mais difícil prever até onde podemos chegar.

*Laerte Sabino é sócio e COO da Icaro Tech.