Usar celular pré-pago pode sair até 132% mais caro que plano pós-pago

Por Redação | 11 de Março de 2014 às 14h50
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Para aqueles que optam por um smartphone pré-pago, aí vai uma notícia nada animadora. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), usar um celular que depende de carregamento via crédito pode sair até 130% mais caro que um plano pós-pago da mesma operadora. Atualmente, 78% dos brasileiros utilizam linhas de telefonia móvel com modalidade pré-paga, totalizando 211 milhões de usuários. As informações são do G1.

O levantamento comparou os dois tipos de cobrança que oferecem os preços mais baratos de cada operadora. Vale lembrar que o Idec estimou o valor dos planos pós-pagos com base no valor total de cada pacote, já que as prestadoras não divulgam o preço do minuto para esses serviços.

No caso da Claro, o plano pré-pago mais acessível (Claro Toda Hora) cobra R$ 1,60 por minuto em ligações para telefones fixos e móveis de outras operadoras e para fixos do grupo Claro/Embratel/Net. Em chamadas entre celulares Claro, o minuto sai por R$ 1,56. Já o plano pós-pago mais barato cobra mensalidade de R$ 89, o que levou o Idec a estimar o custo do minuto por ligação por R$ 0,67. Dessa forma, o valor do minuto pré-pago é pelo menos 132% mais caro que o do pós-pago.

A Vivo cobra R$ 1,55 pelo minuto pré-pago. Para o plano pós-pago com preço de R$ 61 ao mês, o Idec estimou que o minuto custa R$ 0,98, ou seja, o valor do minuto pré-pago chega a ser pelo menos 58% maior. Na TIM, a situação é parecida: o plano pré-pago mais em conta (Infinity Pré) cobra R$ 1,59 pelo minuto das chamadas para outras operadoras, enquanto o plano pós mais barato sai por R$ 49, com preço estimado do minuto em 1,02, o que representa uma economia de 55,8% entre um plano e outro.

Já a Oi tem a menor diferença entre preços, mas a conta é um pouco complicada. Na modalidade pré-paga, a operadora cobra R$ 0,10 nos dias em que os clientes fazem ligações para celulares Oi e R$ 0,50 nos dias que ligarem para fixos, mas esse valor pode variar dependendo do tempo diário que os usuários possuem para falar sem acréscimos. Se a cota for de R$ 10, são 30 minutos diários durante 15 dias.

E essa matemática não para por aí: se os consumidores carregarem R$ 18 ou R$ 25, são 60 minutos por dia. Nesse caso, o que varia são os prazos de validade, que são de 25 e 30 dias, respectivamente. Ao ultrapassar esses limites, o usuário passa a ser cobrado R$ 1,69 pelo minuto. Em todo o caso, o Idec avaliou o plano de R$ 39 mensais, o de menor valor oferecido pela companhia, cujo minuto teve preço estimado em R$ 1,25. Com isso, a diferença entre os valores cobrados por minuto varia no mínimo 35% de um plano para outro.

Veridiana Alimonti, advogada do Idec, destaca que a diferença de valores seria ainda maior se fossem levados em conta outros fatores. "Na verdade, o valor [do minuto pós-pago] seria ainda menor, porque dentro desses pacotes tem ligações ilimitadas dentro da rede, SMS para a mesma operadora...", disse. "Eu entendo que a empresa cobra mais caro considerando que ela não tem muita garantia de que o consumidor vai carregar nem exatamente quando".

A advogada acredita que, apesar de tantos problemas nos serviços de telecomunicação no Brasil, os preços ainda são o grande vilão, principalmente para consumidores de baixa renda. "Para conseguirem ter esse direito garantido, os consumidores de baixa renda têm de se submeter a condições complicadas", disse. Uma dessas medidas é a oferta de créditos com validade de menos de 30 dias – como é o caso da Oi –, mas tal ação já está com os dias contados graças a um novo conjunto de direitos e garantias publicado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que garante validade mínima de 30 dias para créditos de planos pré-pagos.

Resposta das operadoras

Segundo a Claro, o plano Claro Toda Hora é um serviço homologado pela Anatel "que regulamenta os valores máximos das tarfias que podem ser cobradas pela operadora". A empresa também afirma que possui planos pré-pagos com tarfias promocionais – por exemplo, o cliente pode pagar R$ 0,25 por chamada para celular Claro ou para os fixos Claro Fixo e Net Fone –, mas ainda sim as ligações para celulares de outras operadoras custam R$ 1,60.

Já a TIM alega que o serviço pré-pago "permite que o usuário não tenha uma despesa fixa mensal, assumindo, no entanto, o comprometimento de realizar recargas periódicas para manutenção da linha", enquanto "o cliente pós conta com a comodidade de utilizar o serviço de telefonia móvel, pagando o valor definido na assinatura mensal após a utilização".

A Telefônica Vivo diz que seus preços para planos pré-pagos de telefonia móvel estão "adequados aos praticados atualmente pelo mercado" e que ainda dispõe de várias ofertas promocionais.

Já a Oi afirmou que é uma questão de mercado os preços dos minutos de planos pré-pagos serem mais caros que os da modalidade pós-paga.

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