Uma corrida de R$ 3 bilhões nas redes de Telecom

Por Colaborador externo | 08.07.2014 às 10:50

por Valter Teixeira*

Duas tendências paralelas e complementares na arena das telecomunicações deverão injetar algo em torno de 3 bilhões de reais para os fornecedores locais de tecnologias de redes com suporte a fibra óptica até o final de 2014.

A primeira dessas tendências consiste na corrida das operadoras em direção aos mercados de serviços de classe empresarial, que são prestados através de redes inteligentes (tecnicamente chamadas Carrier Ethernet). Tais redes é que garantem ofertas tarifadas por tipo/qualidade de tráfego (e não só por largura de banda) e suportam novos conceitos corporativos, como aplicações em nuvem, mobilidade e data centers virtuais. Pelos cálculos do mercado, ao longo do ano passado, o conjunto das operadoras aportou cerca de 700 milhões em redes Carrier Ethernet, representando um salto não menor que 70 porcento em negócios, na comparação com ano anterior.

A segunda tendência mais evidente no País é o forte movimento de substituição dos sistemas de acesso convencionais de par trançado (DSL), que as operadoras vêm trocando pela fibra óptica.

Em parte, esta aceleração das fibras está diretamente ligada às políticas do Governo Brasileiro de incentivo à universalização do acesso à banda larga e à disseminação de pequenos e médios provedores no interior do País, o que também aumenta a concorrência com as teles.

Através do RE-PNBL (Regime Especial de Tributação do Plano Nacional de Banda Larga), o governo passou a oferecer até 25 porcento de isenção para provedores de serviços aderentes à banda larga via fibra, com vantagens especiais para os que venham a adotar dispositivos com agregado industrial brasileiro.

Lançada em 2012, a iniciativa do Governo parece ter obtido um êxito superior ao até recentemente pouco acreditado PNBL (Programa Nacional de Banda Larga).

Tanto assim que atraiu, em apenas um ano, algo em torno de 50 projetos de impacto, envolvendo grandes operadoras e provedores, com uma movimentação prevista de capitais acima dos 2 bilhões de reais para o exercício de 2014. A propósito, o primeiro projeto já aprovado nessa área tem a participação da RAD do Brasil que, como outras multinacionais, investiu em ampliar agregado brasileiro de sua linha de produtos com fabricação local.

Até muito recentemente, a venda de tráfego de voz e os serviços residenciais tipo "commodities" respondiam pela maior fatia dos lucros das operadoras, que proviam tais produtos em redes bem preparadas para tal. Entretanto daqui para frente, a disputa entre elas desloca-se para a diferenciação das ofertas, o que exige uma rápida evolução de sua capacidade logística.

Ou seja: se a simples largura do duto de rede oferecido ao assinante já não responde às exigências de competitividade no mercado, a tradicional multiplicação de canais de acessos via cobre também já não garante futuro para os competidores em telecomunicações e Internet.

O grande nó desta equação, para os concorrentes da área, está em que a abundância e a estabilidade dessa gigantesca estrutura já instalada de acessos DSL constitui uma ilha de tranquilidade e segurança que a operadora, ou provedor, não gostaria de ver abalada.

Na equilíbrio dessas duas vertentes (necessidade de evoluir subitamente e, ao mesmo tempo, de alongar o ciclo do legado) a indústria de tecnologia de acesso se debate pelas soluções de custo acessível e mais fácil absorção.

Uma das respostas surgiu com a recente tecnologia MiNID, que começa a ser testada ou adotada por operadoras do mundo todo. Trata-se de um modelo de hardware de inteligência acoplável (algo semelhante a um pendrive) que, quando acoplado em portas de conexão existentes nos equipamentos de rede tradicionais, habilita o equipamento antigo a suportar os novos serviços a partir da estrutura já existente.

Busca-se assim abocanhar os negócios emergentes no dinâmico nicho das comunicações diferenciadas, mas sem precisar esperar a dispendiosa substituição de toda a infraestrutura de roteadores e comutadores analógicos de redes e, ainda, sem atrapalhar os ganhos atuais das operadoras e dos provedores com a venda de suas commodities.

*Valter Teixeira é Diretor da RAD do Brasil.