Brasil: investimento na rede 4G pode diminuir desenvolvimento do 3G

Por Redação | 10.05.2013 às 16:34

Apesar do presidente do sindicato das teles (Sinditelebrasil), Eduardo Levy, acreditar que a implantação da rede 4G vai ajudar a desafogar o 3G, a situação real é bem mais complexa. Na verdade, a rede de quarta geração pode afetar negativamente a qualidade do 3G em curto prazo.

"Grande parte dos recursos foram canalizados para cumprir a meta de cobertura da Copa das Confederações, então isso deu uma segurada no 3G", disse Wilson Cardoso, diretor de tecnologia para América Latina da Nokia Siemens, à agência de notícias Reuters.

A Nokia Siemens, junto com a Ericsson, detém a maior parte do mercado de estações rádio-base para 3G no Brasil. As duas são responsáveis por um total de 70% desse segmento. O que acontece é que os esforços das operadoras estão voltados para conseguir cumprir as metas estabelecidas pela Anatel em relação à cobertura do 4G para a Copa do Mundo em 2014.

Com a "pausa" nos investimentos para a rede 3G, os clientes do serviço correm o risco de sofrer com a falta de cobertura e até mesmo com um congestionamento na rede. A estabilidade e a velocidade do 3G no Brasil também podem ser afetadas nesse período, já que a infraestrutura atual foi feita para atender determinado número de usuários, e, apesar da ampliação cessar temporariamente, as vendas de pacotes de dados vão continuar, exigindo mais do que a infra pode oferecer.

"Olhando para apenas um trimestre, eu não vejo muito impacto, mas se estender para o ano inteiro pode afetar (o 3G)", disse o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude. Ainda de acordo com a Reuters, apesar de todos os comentários contra, as operadoras Claro, TIM, Oi e Vivo "disseram estar comprometidas com o avanço das coberturas 3G e 4G e também com a qualidade dos serviços e de melhorias das redes".