O fim do SMS? WhatsApp, Skype e outros apps ameaçam mensagens de texto pagas

Por Redação | 31 de Janeiro de 2014 às 06h15
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Você que tem um smartphone - independente do sistema operacional - e se acostumou com a loja de aplicativos do software, já se perguntou quando foi a última vez que enviou uma mensagem de texto para algum contato? Um estudo divulgado pela empresa de pesquisa Strategy Analytics constatou que as pessoas estão deixando o SMS de lado porque estão cada vez mais propensas a usar as ferramentas oferecidas por lojas como App Store, Google Play ou Windows Store. Saiu na Reuters.

No ano passado, a receita com mensagens de texto das operadoras do mundo todo caiu pela primeira vez desde que o serviço foi lançado nos celulares, atingindo US$ 104 bilhões (4% a menos na comparação com 2012). A principal queda de utilização do SMS é associada à popularização dos programas de mensagem instantânea, como WhatsApp, Line Messenger e We Chat, que podem reduzir em 20% as receitas com SMS até 2017.

De acordo com o relatório, a baixa ainda não é significativa no Brasil, mas as operadoras já buscam alternativas para evitar que o lucro com essas mensagens desacelere. Uma das soluções adotadas pelas empresas é lançar pacotes com SMS imilitado e foco no segmento corporativo, utilizando a ferramenta como instrumento de marketing para anunciantes em celulares. Na opinião de Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, as companhias podem também tentar firmar parcerias com desenvolvedores de apps para compartilhar as receitas obtidas e minimizar os impactos.

"Existe uma migração para os dados, [porque] os usuários praticamente não utilizam mais SMS", disse Marceli Passoni, analista da consultoria Informa Telecoms & Media.

Já Alexandre Fernandes, diretor de serviços de valor agregado da Telefônica Vivo, acredita que serviços como o WhatsApp não vão roubar o lugar do SMS, pois "essas ferramentas podem conviver" entre si. Por outro lado, o executivo admite que dificilmente as receitas com mensagens de texto voltarão a subir até 30%, como já ocorreu em anos anteriores. No terceiro trimestre, as receitas da Vivo com SMS cresceram apenas 5%, somando R$ 506 milhões, ou pouco menos de um terço do faturamento de dados e serviços de valor agregado no período.

Além dos planos e pacotes especiais, as operadoras também têm estudado adotar aplicativos semelhantes aos líderes do segmento na tentativa de forçar uma migração. Um exemplo é o "Joyn", criado pela Associação Global de Operadoras (GSMA) e lançado no Brasil pela Claro em agosto do ano passado. A Vivo também apoia o aplicativo, mas considera outras alternativas. Entre elas o To Go, serviço lançado pela Telefônica na Inglaterra, que transforma a linha de celular em uma espécie de conta de e-mail, podendo ser acessada de diversos dispositivos.

Contudo, Marceli defende que as experiências de aplicativos criados pelas operadoras não poderão bater o sucesso de plataformas como WhatsApp e Skype. "Não há adesão a esse tipo de serviço, porque normalmente o cliente só consegue se comunicar com usuários da mesma operadora. Dificilmente o usuário vai pagar, porque já está acostumado com serviço gratuito", disse. Para Marceli, as operadoras precisam rever seu modelo de negócios sobre o SMS caso queiram manter o serviço ativo.

Um levantamento da empresa de pesquisas OnDevice, divulgado em novembro de 2013, constatou que o WhatsApp é o aplicativo de mensagens instantâneas mais usado no Brasil, com 72% da preferência dos usuários. Em segundo lugar aparece o Facebook Messenger (49%), seguido pelo Skype (30%). O mesmo estudo mostrou que 67% dos usuários brasileiros usam apps de mensagens mais de dez vezes por dia, contra 40% dos que preferem os SMS.

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