Anatel: "É muito celular para pouca antena"

Por Redação | 30.07.2012 às 13:00

Que o brasileiro sofre com a qualidade dos serviços prestados pelas operadoras de telefonia celular não é novidade para ninguém. Mas, de acordo com uma reportagem deste domingo (29) da Folha de S. Paulo, existem poucas antenas para suprir a quantidade de linhas existentes no país. São mais de 200 milhões de celulares ativos.

Segundo a Anatel, para cada antena de telefonia instalada no Brasil, existem aproximadamente 4,6 mil linhas móveis - praticamente o dobro da quantidade de linhas existentes há 10 anos. Isso gera lentidão, perda de qualidade e queda de sinal nas ligações, já que a quantidade de conexões suportadas por uma única antena é frequentemente excedida.

A situação muda bruscamente de região para região. Nos locais que possuem menos antenas instaladas, como Bahia e Maranhão, existem, em média, 6,6 mil linhas para cada antena. Já no Rio Grande do Sul, há uma queda nos números: 3,5 mil linhas por antena. Ainda assim, os índices são bastante elevados e destoam muito do recomentado pela OIT (Organização Internacional das Telecomunicações).

Segundo a OIT, o ideal seria uma antena suportar até mil linhas, assim como ocorre nos Estados Unidos. Em países como Espanha e Japão, existem cerca de 430 linhas por antena.

O problema do Brasil, segundo as telecoms, é o excesso de leis para instalar suas antenas nas cidades. Cada município possui suas regras, e isso gera uma grande burocracia. Segundo o SinditeleBrasil, sindicato de empresas de telecomunicação, para instalar uma antena em Porto Alegre, são necessárias sete licenças.

Diante da realidade, o Ministério das Comunicações prometeu enviar ao Congresso, em agosto, um projeto de lei que determinará apenas uma regra para instalação de antenas de telefonia móvel em todo o território nacional.

Dependerá apenas das companhias de telecomunicação arcarem com os custos para dissipar as linhas por antena e conceder melhor qualidade de serviços a seus clientes.