Governo dos EUA está prestes a banir permanentemente os telefones dos aviões

Por Redação | 05.08.2014 às 11:50

O governo dos Estados Unidos, junto ao Departamento de Transportes e outras agências reguladoras, está prestes a chegar a um consenso quanto ao uso de telefones, sejam celulares ou não, a bordo de aviões. E, segundo as informações do The Wall Street Journal, as discussões se aproximam bastante da negativa, com todo tipo de aparelho de telefonia sendo banido das aeronaves.

É uma mudança que apertaria ainda mais as normas de segurança no ar, que hoje, já contam com restrições quanto ao uso de aparelhos telefônicos antes da chegada às salas de embarque. A ideia é a de sempre: tais aparelhos poderiam interferir nas comunicações entre a torre de comando e as aeronaves, além de sobrecarregar o sinal na pista devido à grande concentração de pessoas. Agora, porém, essa proibição pode se estender também aos telefones de bordo.

É justamente essa possibilidade que as empresas aéreas querem evitar. Em vez de contar com uma regulação oficial nesse sentido, as operadoras do setor pedem para que o governo permita que elas próprias decidam sobre a utilização ou não de tais recursos, já que isso é visto como um investimento tecnológico que pode diferenciar uma companhia de outra.

É um negócio que vem sendo explorado há pelo menos uma década, desde que os celulares foram permanentemente banidos das aeronaves. Principalmente na classe executiva ou em seus voos de luxo, as companhias investem em telefones internos, pagos por uso, ou cabines individuais para a realização de ligações e, até mesmo, reuniões. As novas regras do governo americano, porém, poderiam acabar com esse nicho.

As novas restrições, se aplicadas, tratariam exclusivamente das chamadas. Enquanto o governo norte-americano diz ainda não ter chegado a uma conclusão clara sobre os efeitos delas sobre as comunicações, já se sabe que o uso de mensagens de texto e dados não interfere nas comunicações. Recentemente, o Departamento de Transportes relaxou as normas relativas a isso, permitindo que os passageiros usassem seus celulares nestes modos antes mesmo da chegada às salas de embarque.

Pressão privada

As normas valeriam apenas para território americano. Os voos internacionais seriam obrigados a desligar todos os serviços de telefonia a bordo uma vez que entrassem no espaço aéreo dos Estados Unidos, mas poderiam operar normalmente fora do país. Mesmo assim, é uma iniciativa que já vem sofrendo críticas públicas e é alvo do lobby das empresas que atuam no setor.

Uma delas é a AeroMobile Communications, uma das principais operadoras de serviços de telefonia para o mercado aéreo. De acordo com a empresa, apenas 20% de sua utilização corresponde a chamadas telefônicas, que normalmente são curtas e não duram mais do que dois minutos. A companhia acredita que o governo não deveria interferir ainda mais no setor.

Além disso, explica que as preocupações com segurança não têm validade. De forma a não interferir com as comunicações da aeronave, os serviços da AeroMobile são limitados a oito a 15 chamas simultâneas e podem ser desligados a qualquer momento pela tripulação, caso sejam detectadas interferências. Um banimento, para a empresa, apenas interferiria no conforto dos passageiros.