Especialistas preveem aumento de riscos de segurança com chegada do 4G no Brasil

Por Redação | 03.10.2014 às 14:40

No painel de encerramento do Fórum Mobile+, que aconteceu esta semana em São Paulo, especialistas alertaram para possíveis aumentos nos problemas de segurança comuns no mundo IP a partir da adoção da rede 4G no Brasil, como invasões, redes de dispositivos zumbis (botnets) e ataques de negação de serviço (DDoS).

O consenso entre os especialistas no tema é que as operadoras devem fazer investimentos agora, quando o 4G está apenas chegando ao mercado, ou no futuro terão que tomar medidas mais difíceis para resolver problemas deixados de lado neste primeiro momento. As informações são do site Exame.

Para o diretor de IP e segurança da Nokia Networks, Messias Maduro, “ainda não estamos com a rede LTE muito grande, tem operadoras que estão investindo, estão se preparando para a demanda que está vindo, mas outras no mundo estão colocando não só a solução (de segurança) implantada na rede, mas exigindo que equipamentos tenham todo um processo de hardening de código, é uma mudança brutal”. A Nokia Networks fornece equipamentos de 4G em 2,5 GHz para Claro, Oi e TIM, assim como soluções de segurança na rede de acesso. E, segundo o executivo, a questão da segurança para redes móveis irá se tornar cada vez mais crítica.

“A projeção para 2020 é de um consumo de 1 GB por usuário por dia em média – imagina essa quantidade na rede móvel? Vai ser de outro mundo. Se não tiver soluções de segurança desde o início, vai ter que fazer shutdown na rede inteira para poder subi-la inteira limpa”, afirma Maduro.

Com os ataques mais sofisticados, Maduro prevê que serão utilizadas técnicas maliciosas como emular uma estação radiobase LTE (eNodeB) e ter acesso ao core de rede da operadora.

Essa visão não é exclusiva de Maduro. Jorge Escobar, diretor de arquitetura de soluções móveis da Arbor Networks, também acredita que os ataques estão mais modernos e exigem mais atenção das provedoras.

Com clientes como as operadoras NTT, Verizon, Telefonica, AT&T e Vodafone, a Arbor monitora 87% do tráfego mundial (equivalente a 90 Tbps) para visualizar ataques DDoS. Segundo ele, “o 4G está aqui e o crescimento tem de ser muito positivo para as companhias. Se não cuidarem, terão que remediar”.

Ele dá exemplo de locais como Europa e Ásia, onde as companhias fornecedoras possuem uma política mais ativa e esclarece que no Brasil as teles estão começando este processo de desenvolver suas políticas.

Para Escobar, outra tendência que se aproxima são os botnets criminosos motivados pela chegada da internet das coisas. “Os números estão começando a aparecer e no Brasil são bem ruins”, afirma ele, que ressalta que essas pesquisas utilizam pequenas amostras coletadas pela Arbor.

Para ele existe um comprometimento de países como Brasil e México, mas ainda assim ele ressalta que 75% dos dispositivos comprometidos são brasileiros.

Fonte: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/com-4g-ameacas-serao-mais-iminentes-dizem-fornecedores/