Com 4,2 milhões de 'assinantes', 'Gatonet' seria a 3ª maior operadora do Brasil

Por Redação | 08 de Agosto de 2014 às 06h05

Uma pesquisa realizada pela ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) e pelo Seta (Sindicato das Empresas Operadoras de TV por Assinatura e de Serviço de Acesso Condicionado) revelou números impressionantes sobre a pirataria na TV paga no Brasil. As informações são do Notícias da TV.

De acordo com o relatório divulgado nesta quinta-feira (7) na Feira ABTA 2014, a maior do setor na América Latina, 4,2 milhões de lares brasileiros possuem o chamado "Gatonet", totalizando 18,1% do montante de 23,2 milhões de domicílios que possuem acesso aos canais por assinatura - 19 milhões de pessoas são assinantes legais, ou seja, fecharam contrato com uma prestadora oficialmente. Isso significa que de cada cinco usuários brasileiros que assistem TV paga, um o faz de maneira clandestina.

Se fosse uma operadora, o Gatonet seria a terceira maior empresa do ramo no país, atrás apenas da Net (6,1 milhões) e da Sky (5,1 milhões), e teria mais de quatro vezes o número de assinantes da Oi (886 mil). A pesquisa ouviu 1.750 pessoas entre 17 e 22 de maio deste ano, das quais 42% que utilizam serviços de forma irregular estão nas regiões metropolitanas e 58% em cidades do interior. A maioria dos consumidores piratas pertence às classes D e E, seguidos pela classe C.

Segundo o estudo, foram identificados dois tipos de clandestinos: os assumidos, que pagam pacotes piratas sabendo que são ilegais, e os não-assumidos, aqueles que não declaram ter assinatura mesmo tendo acesso aos canais fechados. A classe dos não-assumidos é dominada por usuários entre 40 e 50 anos que moram sozinhos e preferem séries, programas humorísticos, infantis e religiosos.

Caça aos "Gatonets"

Para especialistas da área, o crescimento do número de linhas clandestinas na TV por assinatura está associado à má fiscalização das fronteiras, por onde passam milhares de decodificadores sem homologação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Michael Hartman, vice-presidente de assuntos legais e regulatórios da Directv Latin America, acredita que as facilidades para piratear o sinal de TV paga podem prejudicar ainda mais o setor regularizado, da mesma forma que o download ilegal na internet sacudiu a indústria musical.

"A pirataria não é o fim do mundo, mas temos que reconhecer que pode matar [o setor]. Se a gente ver o que aconteceu com a indústria da música e a transformação que implicou, isso pode passar pelo nosso setor também. É importante reconhecer o tamanho do problerma e como nos organizamos para conscientizar o público e as autoridades para combater esse competidor desleal", alertou Hartman.

Durante a divulgação do estudo, os palestrantes do ABTA lembraram que piratear TV por assinatura é crime tratado como "roubo de sinal". Com base no PLS 186/2013, do senador Blairo Maggi (PR-MT), quem interceptar ou receber sinal de TV paga de maneira ilegal poderá cumprir pena de dois anos de prisão. O resultado do levantamento também incentivou as operadoras a pressionarem a aprovação de um projeto de lei que criminaliza essa prática, principalmente para evitar prejuízos bilionários - só em 2012, foram perdidos R$ 24 bilhões por causa da clandestinidade.

Por outro lado, Augusto Rossini, promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social, enxerga a atual situação como um grave problema enraizado no crime organizado. Já para o presidente do fórum, Edson Vismona, o brasileiro comum não percebe que comete um crime ao ter TV por assinatura pirata porque aceita essa prática "como uma autodefesa, porque todo mundo faz".

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.