Cidade Digital brasileira deverá estar pronta até outubro

Por Stephanie Hering | 16 de Junho de 2014 às 12h45
photo_camera Divulgação

Já pensou em viver em uma cidade na qual tudo é conectado, desde o transporte até a saúde? Em Águas de São Pedro, cidade do interior de São Paulo, isso já é, em parte, realidade. Isso porque, desde abril, o município localizado a 187km da capital paulista passou a ser caracterizado como "Cidade Digital".

Implementado pela Telefônica Vivo, o projeto nada mais é que a adição de soluções e tecnologias que não só tornem o dia a dia mais conectado, mas também mais prático. Para isso, a Vivo fez um investimento de R$ 2 milhões no local, além de outros investimentos não divulgados feitos por empresas parceiras.

Segundo Marcos Karpovas, gerente de planejamento estratégico da Vivo e responsável pelo projeto, a escolha de Águas de São Pedro se deu por conta da facilidade para sua implementação. "Queríamos escolher uma cidade com ambiente relativamente pequeno para poder conseguir controlar todas as mudanças e fazê-las em um tempo mais curto. Em uma cidade com população maior como São Paulo, não conseguiríamos efetuar todas essas ampliações no prazo que estipulamos", afirmou.

Além de pequena, Águas de São Pedro é conhecida pelos seus altos índices de educação pública e também por possuir o 2º melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país. Ainda de acordo com Marcos, a previsão é de que o projeto esteja funcionando 100% até outubro.

O projeto

Mas afinal, o que engloba o projeto da Cidade Digital? No caso de Águas de São Pedro, a primeira grande mudança feita pela Vivo foi a ampliação de serviços de internet. A banda larga fixa passou do cobre para a fibra óptica e teve sua velocidade máxima aumentada para 25MB. Além disso, a cidade recebeu antenas com velocidade 4G, que já estão em funcionamento também. Segundo Karpovas, ambos eram necessários como "pontapé inicial" para implentação de outras soluções digitais.

No ramo da saúde, os cidadãos do município podem acessar o Portal Saúde, um site que disponibiliza informações para o bem-estar e sobre como se prevenir e cuidar de doenças. Outra solução bacana adotada em Águas de São Pedro é o uso de smartphones e tablets por agentes de saúde para fazer controle de doenças por meio de um aplicativo. Contudo, até o momento, somente smartphones foram disponibilizados. De acordo com a Vivo, haverá ainda um call center 24 horas por dia com enfermeiros para responder a dúvidas de saúde.

Nas escolas, os tablets também serão adotados em breve para atividades em sala de aula. Enquanto isso, alunos e cidadãos comuns podem acessar a Nuvem de Livros, uma biblioteca online com cerca de 11 mil títulos, além de vídeos, visitas guiadas a museus e conteúdos interativos. O mesmo acontece com a Nuvem do Jornaleiro, que disponibiliza jornais e revistas digitalizados. Em Águas de São Pedro, os dois serviços em nuvem serão gratuitos no primeiro ano e deverão ser cobrados após a data. Para clientes da Vivo do município ou de outros locais do país, os serviços são gratuitos.

Leia também: Vivo apresenta serviço para assinatura de revistas e jornais na nuvem

No que diz respeito ao turismo, os visitantes de Águas de São Pedro devem receber em breve totens digitais que contarão com as principais atrações da cidade, além de mapas, eventos e outras informações. Na região central do município, nove hotspots Wi-Fi serão instalados em pontos turísticos, seja para uso dos turistas ou moradores.

Por fim, mas não menos importante, Águas de São Pedro contará com uma iluminação inteligente desenvolvida pela Ericsson. Nas ruas, o sistema de energia pública poderá controlar remotamente todas as lâmpadas, além de monitorar o consumo de energia de cada ponto. Outro recurso interessante é a opção de manutenção também remota, o que deve economizar custos de operação.

A Ericsson ainda fornecerá uma solução de estacionamento inteligente, na qual sensores serão instalados em todas as áreas de estacionamento público. É algo bem parecido com sensores de estacionamento já instalados em alguns shoppings do país, que ficam verdes com uma vaga vazia e vermelhos quando ela está ocupada.

Por que não 200MB?

Uma das dúvidas que você pode ter tido no início do artigo é como a banda larga fixa de Águas de São Pedro usa fibra óptica, porém, vai somente até 25MB (uma velocidade baixa, tendo em vista que outras companhias já oferecem 500MB e a própria Vivo conta com até 200MB). Como explica Marcos, a mudança de cabeamento na cidade foi feita somente até os chamados "armários", que distribuem a internet para os clientes.

"Existem duas tecnologias de fibra óptica que são distintas. A fibra óptica que usa a rede STDH chega até a casa do cliente e já está passando por testes em alguns lugares do mundo para chegar até 1GB. Em Águas de São Pedro, a fibra óptica usa a tecnologia FTDM, que não vai até a casa do cliente. Ela vai até um elemento da rede, no meio da rua, conhecido como 'armário'. Do armário até a casa do cliente, a conexão continua sendo por cobre. Quando fazemos instalações STDH, temos que entrar na casa do cliente para fazer a migração de produto. Se escolhessemos essa opção em Águas de São Pedro, todos os clientes teriam que optar pelo serviço. Porém, resolvemos fazer o FTDM em toda a cidade porque aumentamos a disponibilidade de velocidade para os clientes, mesmo que eles não queiram de imediato trocar o produto", afirmou.

Outras "Cidades Digitais"

Questionado pelo Canaltech se a Vivo pensa em levar o conceito de Cidade Digital para outros municípios, Karpovas foi enfático. "Queremos levar a Cidade Digital para outros locais, mas em um formato diferente do que o realizado em Águas de São Pedro".

Para o gerente, os municípios também devem assumir a responsabilidade de instalar soluções digitais, pois, na sua visão, empresas não devem assumir 100% do projeto, mas sim atuar como parceiras. Marcos espera ainda que a Cidade Digital sirva como incentivo para que grandes cidades implementem o conceito, levando sempre em conta suas necessidades.

"Quando falamos em Cidade Digital, o conceito está muito atrelado às necessidades do local e de seu escopo. No caso de Águas de São Pedro, por exemplo, a cidade é tão pequena que não possui semáforos, então não existe necessidade de soluções tecnológicas para semáforos. Por outro lado, essa solução está disponível e pode ser implantada em uma cidade que precise dela", exemplifica.

Karpovas ainda citou o exemplo de Santander, cidade do sul da Espanha que recentemente também se tornou inteligente com ajuda de empresas privadas, incluindo a Telefónica. Neste caso, o conceito é um pouco mais amplo que em Águas de São Pedro e conta com outras soluções interessantes.

Lá, cidadãos podem monitorar posição e velocidade de ônibus, carros e táxis, gastos públicos do governo e até mesmo problemas como buracos nas ruas, podendo ainda enviar denúncias para o setor responsável por fotos e vídeos. "Queremos trazer esta disponibilidade de informações de Santander para cá", completou Karpovas.

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.