Serviço é caro, mas Brasil tem pouca margem de lucro em telecomunicações

Por Redação | 16.10.2013 às 15:17

Apesar de ter a tarifa de celular mais alta do mundo, o Brasil é um dos países onde a margem de lucro do setor de telecomunicações é uma das mais baixas, segundo levantamento do Valor Econômico.

Vale ressaltar, no entanto, que os números divulgados pelo Valor Econômico são de um levantamento próprio da publicação, que não divulga muitos outros detalhes sobre como a pesquisa foi realizada. Além disso, o resultado da pesquisa saiu convenientemente poucos dias após o estudo da ITU, que alegou que o Brasil possuía a tarifa mais cara do mundo. Nessa briga de interesses, de um lado estão as operadoras que defendem sua posição, dizendo que têm pouca margem de lucro. De outro está o interesse do povo, que paga uma das tarifas mais caras do mundo.

O estudo, com base em dados de 2009 a 2012, aponta que a média de margem de lucro do segmento de telecom ficou em 27%, acima apenas do segmento de telefonia celular nos Estados Unidos, com 25% e do mercado de telefonia em geral no Reino Unido, com 24%.

O cenário aponta para uma grande competitividade no setor de telecom no Brasil, com empresas criando planos e disputando pelos preços mais baixos.

Curiosamente, o Brasil é o país com o minuto por ligação mais caro do mundo, em termos absolutos. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (ITU), da ONU, um minuto no celular fora do horário de pico custa US$ 0,71 (R$ 1,56) entre chamadas pela mesma operadora de telefonia e essa taxa sobe para US$ 0,74 (R$ 1,63) em caso de chamadas entre operadoras diferentes, baseando-se nos valores cobrados em São Paulo.

Este valor é cerca de três vezes superior ao valor da tarifa nos Estados Unidos e Portugal, por exemplo. Na Espanha, país sede da Telefónica, que controla a Vivo no Brasil, o consumidor chega a pagar cinco vezes menos que o brasileiro.

Por que temos uma tarifa tão cara?

É difícil analisar por que temos a tarifa mais cara do mundo. O problema não vem de hoje. Em 2010, uma pesquisa indicou que já tínhamos a segunda tarifa mais cara do mundo, atrás apenas da África do Sul. Na época, Robin Bienenstock, analista sênior da Bernstein Research, afirmou que a culpa não era exclusivamente dos impostos. O grande vilão é o Valor de Uso Móvel (VU-M).

O VU-M é a taxa de interconexão entre redes de operadoras fixas e móveis. Em muitos países da Europa, ela foi quase zerada, enquanto no Brasil chega a quase R$ 0,40 por minuto. Já os impostos são um antigo e conhecido vilão. segundo Luiz Cuza, presidente da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas, eles representam cerca de 40% do preço das tarifas, enquanto no resto do mundo esse valor é apenas 17%.

De 2010 para cá, parece que ao invés desse cenário melhorar, ele só piorou. As operadoras lideram o ranking de reclamações no Procon e a Anatel briga para tentar melhorar a qualidade dos serviços.