Após anúncio de fusão, Oi fala em redução de dívida e mercado integrado

Por Rafael Romer | 24.10.2013 às 15:33

Três semanas após o anuncio do acordo que resultará na fusão entre a operadora brasileira Oi e a portuguesa Portugal Telecom (PT), o atual diretor-presidente das operações da Oi no Brasil, Zeinal Bava, subiu ao palco da Futurecom para falar sobre o futuro da companhia, principalmente na atuação nacional.

A empresa, que deve ser criada em meados de 2014, supostamente sob o nome de CorpCo, já nasce com um patrimônio considerável no Brasil: a Oi hoje detém 41,2% do mercado brasileiro de telefonia fixa, 18,6% da telefonia celular, 29,2% de banda larga e 5,2% na TV por assinatura. Mas por outro lado, a herança traz ainda uma dívida relevante de R$ 10 bilhões com a Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel), com vencimento em seis meses para uma proposta de acordo.

"O objetivo principal [da fusão] é de criar uma operadora de ambição global, uma operadora que tenha escala, capacidade financeira e que vai conseguir vibrar na inovação e tecnologia para poder servir aquele que seria seu mercado natural, composto por pessoas que falam a mesma língua", afirmou Bava durante a apresentação na tarde desta quarta-feira (23).

Para a nova empresa, a fusão entre a Oi e a PT traz a sinergia da mesma língua, além do conhecimento dos mercados locais onde operam como principais vantagens competitivas. A empresa será cotada em três bolsas diferentes (São Paulo, Lisboa e Nova York), com presença nos mercados brasileiro, português, africano (Moçambique e Angola), além de uma pequena operação na Ásia, em Timor Leste. "Parte dessa operação implica em uma ampliação de capital da Oi, que vai nos permitir reduzir dívidas", afirmou o presidente. "Isso vai nos dar flexibilidade para investir no crescimento do nosso negócio".

Entre as iniciativas pera a redução da dívida já está uma ação entre os acionistas da empresa, que abriram mão de 75% dos dividendos anuais de R$ 2 bilhões. A empresa também manterá a mesma política de dividendos por quatro anos.

Com o anúncio da fusão, Bava alinhou o discurso da empresa no palco com a ideia de que um mercado de telecomunicações eficiente é um mercado com grandes players, cada vez mais integrado. Na visão da companhia, o Brasil caminhou para um cenário similar ao norte-americano, no qual há uma concentração maior dos serviços de telefonia, internet e TV em um número reduzido operadoras fortes. Para a Oi, isso facilita o avanço de serviços por altas capacidades de investimento e alta inovação por competitividade.

Este cenário é o oposto do que hoje aconteceria na Europa, que ainda possui uma pulverização de operadores de telefonia, internet e televisão. “É algo que vai ter que acompanhar estar tendência porque nosso setor exige investimentos, e investimentos exigem escala e capacidade financeira para aguentar paybacks”, defende Bava. Na apresentação, o presidente falou ainda em três operadoras de telefonia que teriam a capacidade de operar desta maneira "integrada" no Brasil – nominalmente, Oi, Vivo e Claro – e chegou comentar sobre o mercado móvel que "por enquanto possui quatro operadoras".

A afirmação acontece em um momento em que rumores de um suposta compra da TIM Brasil pela Telefônica, que hoje é dona da Vivo, circulam ao redor do mercado. Apesar de ter sido negada pela própria TIM por mais de uma vez, a compra resultaria em um mercado com apenas três operadoras majoritárias no país – visão alinhada com o discurso da Oi na Futurecom.

Para o Futuro, Bava afirmou que a Oi deve se apoiar nas expectativas de crescimento de penetração de smartphones e no aumento de consumo de dados que o mercado brasileiro sugere. O presidente indicou também que a Oi deve desenvolver um produto "revolucionário" na área de televisão – setor em que a empresa tem hoje uma participação tímida de mercado – que já pode ser apresentado no ano que vem.