Anatel admite problemas de interferência entre TV digital e rede 4G

Por Redação | 20 de Maio de 2014 às 12h17

Após uma série de estudos que contestavam os resultados oficiais, a Anatel admitiu nesta segunda-feira (19) que existem problemas de conflito de sinal entre televisores digitais e celulares com a tecnologia 4G. A falha acontece na faixa de frequência de 700 MHz e pode exigir investimentos bastante altos para sua resolução.

O problema já havia sido apontado no início deste mês pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), logo depois da liberação de comunicado oficial da Anatel afirmando que esse tipo de coisa não aconteceria. Agora, durante consulta pública sobre o novo leilão da frequência, porém, a agência voltou atrás e admitiu a existência do problema.

A interferência acontece entre televisores que utilizam antena interna para recepção de sinal e celulares que estejam habilitados com a tecnologia 4G LTE. De acordo com as informações publicadas pelo IDG Now, os usuários terão de escolher entre utilizar um ou outro, já que o uso conjunto afetará a qualidade do sinal de ambos.

Entre as soluções apontadas estaria a substituição de todas as antenas internas por externas, um processo que deverá ser feito pelos próprios usuários, além da instalação de filtros nas TVs para evitar problemas. Caso contrário, o resultado mais comum é a exibição de uma tela completamente preta no televisor, além de problemas no acesso à Internet.

Além disso, há a possibilidade de aplicação de uma redução de potência no sinal das operadoras, já que a questão envolve ainda mais uma categoria de aparelhos, os chamados receptores 1-seg. É o caso de aparelhos de GPS, celulares , tablets e televisores portáteis que também atuam como receptores de televisão digital.

Em face de tais questões, radiodifusores e empresas de telecomunicação solicitaram à Anatel o adiamento do leilão. Além disso, pedem a realização de novos testes relacionados ao uso da frequência de 700 MHz de forma compartilhada – já que existem diferenças gritantes entre sua utilização em campo ou laboratório –, além de mais clareza sobre os custos de utilização de filtros para mitigação de interferência e uma normatização mais adequada quanto às características técnicas dos aparelhos.

As questões também estão levantando discussões entre todos os envolvidos. O Fórum de TV Digital, por exemplo, estaria incomodado com seu isolamento das conversas sobre o assunto, principalmente no que diz respeito ao desligamento do sinal analógico e a transferência dos canais abertos para a faixa digital. Esse processo já começou e tem previsão para ser concluído em 2018.

A entrada da empresa governamental

Nesse ensejo, entra mais um player que ainda nem foi criado. A Entidade Administradora do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV (EAD) que, como o nome já diz, será a “companhia” criada pela administração pública para coordenar o processo de transferência da televisão analógica para a digital e posterior liberação da antiga frequência.

O edital original da EAD indica que ela será a responsável pela aquisição e instalação da infraestrutura que garante a distribuição e qualidade adequadas para o sinal. Mesmo assim, operadoras de telefonia e emissoras ainda discutem quanto à divisão de custos sobre a instalação de filtros e outros aparatos para evitar a interferência. A divisão de responsabilidades parece estar pouco clara e os envolvidos ainda aguardam mais esclarecimentos nesse sentido.

Em face dos possíveis problemas de interferência entre celulares e televisores, a Anatel pede que a EAD também pense em maneiras de atuar diretamente junto ao público, auxiliando tanto os proprietários de antenas externas e internas na resolução dos problemas. A participação mais próxima junto aos usuários parece ser cada vez mais essencial para que toda a mudança de tecnologia siga de forma positiva.

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