Será mesmo que os tablets vão 'matar' os PCs?

Por Douglas Ciriaco | 13 de Novembro de 2015 às 11h31
photo_camera Divulgação

Novas tecnologias são capazes de superar antigas tecnologias. Olhando para a história recente da humanidade, podemos repetir esta afirmação em diversos momentos. Entretanto, talvez não possamos ser tão assertivos ao dizer que uma tecnologia irá, de fato, matar outra.

Recentemente, Tim Cook, o presidente executivo da Apple, afirmou que o novo iPad Pro seria capaz de “matar” os PCs. Sua posição tem uma motivação mercadológica bastante óbvia, afinal o novo iPad Pro é a bola da vez da Apple e chamar a atenção para o quanto o produto é completo é uma apresentação bastante positiva.

Entretanto, acreditar que ninguém escolheria comprar um PC quando se pode ter um tablet, bem mais leve e portátil, não impediu que a Apple ainda apostasse nos iMacs e MacBooks, que também ganharam novos modelos em 2015. Ou seja, a fala de Cook é mais uma jogada publicitária ou, no máximo, uma opinião pessoal, algo que passa longe de ser uma política da Apple, ao menos nos próximos anos.

Mas a pergunta que fica é: ele está certo? Os tablets poderão substituir os computadores por completo algum dia? Para algumas pessoas, sim, mas, para outras, não. E isso se deve ao simples fato de que, apesar dos pontos de convergência que há entre os dois tipos de gadgets — e os tablets tiram vantagem deste “empate” —, ambos ainda mantêm diferenças essenciais que permitem a coexistência dentro do mesmo ecossistema.

Cada um na sua função

Mesmo com a recente evolução dos tablets e a intenção da Microsoft de criar um ambiente único para smartphones, tablets e desktops/laptops, cada dispositivo ainda está repleto de peculiaridades. É possível afirmar que os PCs serão em parte substituídos pelos tablets, e mesmo atualmente isso já funciona para muita gente.

Se você necessita de um PC para navegar nas redes sociais, escrever e-mails e digitar textos não muito longos, é bem provável que um tablet já dê conta do recado. Estes dispositivos contam com um sem número de recursos e aplicativos ao seu dispor, então basta se adaptar à ferramenta para que o seu computador tradicional vá se tornando obsoleto.

Surface Book

Híbridos, como o Surface Book, podem roubar público dos PCs tradicionais. (Foto: Divulgação/Microsoft)

Contudo, saindo do âmbito estritamente doméstico e olhando por um viés de produtividade, os tablets não conseguem oferecer a mesma experiência de uso que um computador de mesa ou um notebook. Fazer trabalhos mais complexos de manipulação de imagem, editoração gráfica, programação e edição de vídeo, por exemplo, não é exatamente simples em um tablet.

Lógico que estes portáteis contam com teclados e em alguns casos apresentam suporte até para mouse. Mas a grande maioria dos tablets não conta com estes acessórios em seu kit padrão, mantendo-se distante de ser a ferramenta principal de profissionais de diversas áreas.

Preço: ainda um obstáculo

Você não consegue comprar um tablet topo de linha no Brasil sem gastar menos de R$ 1,2 mil. Assim, se a sua ideia é realizar tarefas básicas de navegação na internet e jogos simples, o investimento pode não valer a pena, visto que é possível adquirir um notebook que realize as mesmas funções por menos de R$ 1 mil.

Se formos pensar em desktops, com R$ 1,2 mil é possível adquirir uma máquina razoável — com pouco mais, você consegue montar um computador de respeito e capaz de rodar alguns jogos sem engasgos, inclusive. Em épocas de dólar com um preço mais amigável, essa disparidade pode ser ainda maior.

Obviamente que há no mercado uma série de tablets bem mais em conta, inclusive alguns fabricados por marcas conhecidas, como Samsung, Asus e LG. Entretanto, uma análise fria da relação custo-benefício faz perceber que os tablets ainda estão bem caros por aqui.

Supremacia do PC gamer

Não há como negar que a indústria dos jogos movimenta quantias significativas de dinheiro nos consoles e no PC e este é mais um setor que provavelmente jamais será morto pelos tablets. Talvez serviços de streaming de jogos ajudem a popularizar os tablets para este fim, mas esta ainda é uma realidade bem distante.

ROG Tytan Gaming PC

PC Gamer morrerá algum dia? (Foto: Divulgação/Asus)

Óbvio que os sistemas mobile contam com jogos que vão além de passatempos casuais estilos Angry Birds e Candy Crush, mas as plataformas móveis se sustentam basicamente de games deste tipo. Apesar deles renderem muito dinheiro a ponto de fazer gigantes como a Konami focar esforços no mobile, a demanda por games mais complexos ainda vai sustentar os PCs por muitos e muitos anos.

Além disso, o sucesso dos jogos mobile tem muito mais a ver com conquistar novos públicos do que com “roubar” público do PC ou dos consoles. Você deve conhecer várias pessoas que trocaram o PlayStation pelo Xbox ou então os dois pelo computador (ou vice-versa), mas provavelmente não deve ouvir falar muito em gamers que trocaram PC ou consoles por um tablet.

Ataque em conjunto contra o PC

Se puxar em sua memória, você deve se lembrar dos famigerados netbooks, aqueles notebooks em tamanho reduzido que foram gradualmente saindo de cena conforme os tablets ganhavam protagonismo. Da mesma forma, as vendas de desktops e notebooks também foram afetadas pelos tablets, mas isso não significa que tais peças se tornarão obsoletas algum dia justamente por apresentar características e possibilidades únicas.

Nós podemos afirmar que o conjunto formado por tablets, smartphones, Smart TVs e outros dispositivos inteligentes, como Chromecast, Amazon Fire TV e Apple TV, estejam, juntos, mitigando a função de entretenimento que até pouco tempo atrás era concentrada toda em um computador.

Tablet

Conjunto de gadgets pode retirar do PC o protagonismo no entretenimento caseiro. (Foto: Divulgação/Sony)

Mesmo assim, para muita gente essas funções ainda estão (e permanecerão) concentradas em torno de um PC. Seja pelo costume, pela experiência de uso mais completa e satisfatória para determinados fins, seja por questões profissionais. Os tablets serão mais populares do que os PCs dentro de alguns anos, mas afirmar que os computadores serão totalmente substituídos algum dia é um tanto quanto exagerado.

Você prefere tablets ou PCs? Tem os dois? Qual você mais usa? Por que dá preferência a um em relação ao outro? Conte-nos a sua opinião nos comentários, aqui embaixo.

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