Por que a Apple não está tão preocupada com a queda na venda de iPads

Por Redação | 16 de Agosto de 2015 às 13h50

Pelo sexto trimestre consecutivo, a Apple registrou um declínio nas vendas de iPads. No período encerrado em junho, a empresa vendeu apenas 10,9 milhões de unidades do seu tablet, uma queda de 17,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a Maçã comercializou 13,3 milhões de unidades. Mas parece que a notícia não está gerando rugas de preocupação nos executivos da companhia.

Investidores e analistas acreditam que a saturação do mercado de tablets é o principal responsável pela queda na venda de iPads. Para eles, apenas uma redução de tamanho não é suficiente para levar os usuários a trocar seus gadgets atuais pelos novos, e sem novidades de hardware, funções ou sistema operacional, não existem muitos motivos para fazer o upgrade.

Só que existe outra forma de enxergar essa situação. Chris O'Brien, repórter da Venture Beat, nos oferece uma visão diferente sobre o tema. Para ele, a Apple (inteligentemente) pensa de forma mais ampla e de longo prazo sobre essa situação, e tem sido a chave do sucesso da empresa ao longo dos anos. Em vez de se preocupar em sustentar um produto em declínio, como o iPod, a Maçã decidiu seguir os consumidores para saber com o que eles estavam mais felizes e satisfeitos. Em outras palavras, a Apple se pergunta: o que os usuários querem?

Um bom exemplo dessa linha de pensamento é o Mac. No trimestre mais recente, a Apple informou que vendeu 4,8 milhões de Macs, liderados pelo crescimento dos MacBooks, um dispositivo que apresentou crescimento anual de 9%. Especialistas em produtos da Maçã querem que a empresa desenvolva um novo iPad que se destaque do MacBook e do iPhone. Mas vale lembrar que são dois dispositivos distintos, com ciclos de vida diferentes.

Escolas e empresas começaram a perceber que um gadget sem teclado não é tão prático quanto um notebook, por exemplo, para digitar rapidamente anotações. Em alguns países, instituições de ensino estão adotando soluções como Chromebooks no lugar de iPads. Por outros lado, grande parte dos usuários comuns de iPads usam seus dispositivos apenas para jogar e assistir vídeos na Netflix ou no YouTube, tarefas que não exigem um modelo de última geração. Com isso, a troca de um iPad antigo para outro modelo mais atual não se torna algo extremamente necessário em um curto período de tempo.

Isso não significa que a Apple vai desistir do iPad, e dificilmente o tablet da Maçã terá o mesmo destino de quase esquecimento do iPod. Mesmo que as vendas trimestrais estejam em declínio no momento, o universo de usuários do iPad ainda tem potencial para expansão. O CEO da Apple, Tim Cook, observou em abril que, dos iPads vendidos, 40% nos Estados Unidos e 70% na China foram comprados por clientes novos, ou seja, que nunca tiveram outro modelo de iPad.

Apesar dos ciclos trimestrais ou anuais de vendas do iPad se mostrarem fracos e em declínio, basta analisar o mercado para ver que as pessoas estão usando mais produtos da Apple todos os dia. Isso reflete em um aumento de vendas na App Store e cria aberturas para novos produtos, como o Apple Watch e a Apple TV. Ao que tudo indica, ainda não há necessidade de pânico sobre a queda nas vendas dos iPads. Basta manter a calma e continuar vendendo muitos Macs.

Fonte: Venture Beat