Aplicativos tornam o YouTube mais completo no iPad

Por Felipe Demartini

O aplicativo oficial do YouTube para iOS é uma das opções mais baixadas do sistema operacional, seja no iPad ou no iPhone. E apesar de contar com amplo suporte do Google na plataforma, essa é, também, uma opção um tanto quanto capenga, principalmente para aqueles “heavy users”, que fazem usos que vão além de simplesmente assistir a vídeos e desejam extrair o máximo potencial possível do site.

O tablet da Apple, porém, é naturalmente um sistema um pouco mais fechado que os PCs. O que não significa que softwares de terceiros não tenham tentado trazer pelo menos algumas das funções disponíveis neles também para o iPad, de formas que podem interessar, por exemplo, a quem curte ouvir músicas a partir do YouTube ou deseja acompanhar um vídeo enquanto escreve um texto ou acessa uma rede social.

Dependendo de qual for sua necessidade, existe uma solução para você. E aqui você confere algumas delas.

Conteúdo seguro para os pequenos

YouTube Kids

Vamos começar com o único aplicativo oficial do YouTube da lista. O site, apesar de ter suas regras quanto a conteúdo violento, nudez e sexo, ainda assim não é necessariamente um ambiente muito indicado para as crianças. Mesmo YouTubers que fazem vídeos de jogos para essa faixa etária, muitas vezes, caem nos palavrões ou nas piadas um pouco pesadas, o que acaba não sendo uma boa alternativa na visão dos pais.

Foi pensando justamente nisso que o Google lançou no começo do ano o YouTube Kids, um aplicativo com interface diferenciada que traz conteúdo exclusivamente para os pequenos. Por meio de parcerias com canais educativos, produtoras de desenhos animados e também utilizando uma equipe de curadoria, o software traz nomes como Babar, Barney e Peppa Pig, além de unboxings de brinquedos, filmes infantis e outros clipes do tipo.

Também é possível realizar busca por voz ou texto, com resultados igualmente limitados a temas seguros. Já os pais contam com opções de controle avançado, como a possibilidade de colocar limites de tempo de utilização diária do app, acessar históricos de vídeos assistidos e até mesmo desabilitar completamente a pesquisa, limitando as escolhas aos temas selecionados pelo Google. Tudo por trás de um código de segurança numérico, de forma a não ser acessado pelas crianças.

Desde seu lançamento, porém, o aplicativo vêm levantando controvérsias. Eventualmente, os sistemas de proteção podem falhar, exibindo vídeos que podem ser considerados impróprios. Além disso, existe toda uma discussão relacionada à coleta de dados dos pequenos, algo que é proibido nas leis dos Estados Unidos, por exemplo. O Google vem trabalhando em tais questões, e a decisão final sobre expor os filhos ou não ao sistema fica, no fim das contas, para os pais.

Tudo ao mesmo tempo

Quem trabalha com texto ou pesquisa, normalmente, depende de fontes. Não são raras as vezes em que você precisa escrever algo baseado em outra coisa, e ter tudo lado a lado é a melhor maneira de agilizar o processo e evitar problemas. No iPad, porém, essa possibilidade só chegou recentemente, e pelas mãos da própria Apple. Estamos falando do multitasking, que permite, por exemplo, jogar vídeos para um canto da tela enquanto o restante dela fica para outras ações.

YouTube no iPad

Essa possibilidade não está disponível no aplicativo oficial do YouTube, mas pode ser acessada perfeitamente por meio de outro software do Google, o navegador Chrome. Basta acessar o site de vídeos por lá e, antes de escolher o que assistir, clicar nas reticências e selecionar a opção “PC”, ou “Desktop”.

YouTube no iPad

Isso vai fazer com que o YouTube abra em seu tablet com uma interface idêntica à que você usa no computador comum. Durante a exibição dos clipes, isso também vai permitir que eles sejam jogados para o canto da tela enquanto o próprio Chrome continua sendo executado. Controles simples ficam disponíveis, como opções para parar o vídeo, fechá-lo, ou retornar ao formato original. Também dá para abrir outros aplicativos enquanto a reprodução acontece.

É claro, com esse recurso, a performance do iPad pode ficar um pouco comprometida, principalmente em aplicações mais pesadas. Ainda assim, se sua ideia é escrever ou apenas fazer uma pesquisa enquanto assiste a alguma coisa, tudo funciona de forma mais do que adequada.

Infelizmente, o aplicativo do YouTube ainda não é compatível com esse recurso. O mesmo vale para a divisão de tela ao meio ou três quartos, que também está disponível apenas no Chrome com o site de vídeos sendo executado. O Google ainda não disse quando nem se vai adicionar tais recursos à aplicação oficial.

YouTube como player de música

A opção acima também serve perfeitamente para quem quer ouvir música ou assistir a shows enquanto trabalha. Levando em conta o peso maior sobre a performance do tablet, porém, e também o fato de que parte da tela fica ocupada pelo vídeo, essa pode não ser necessariamente a melhor opção para quem quer apenas o áudio.

Aqui, o Google Chrome novamente é uma opção. Por meio dele, você pode, por exemplo, acessar o vídeo de seu artista preferido e começar a reproduzi-lo. Na sequência, pressione o botão Home do iPad, que fará com que o tablet retorne à tela inicial e, claro, interrompa tudo.

YouTube no iPad

O segredo, então, é acessar o painel de controle na parte inferior da tela, aberto ao deslizar os dedos de baixo para cima. Ali, no canto esquerdo, você verá um pequeno player e o Chrome estará habilitado nele. Basta pressionar play para que o vídeo, apenas com áudio, passe a ser reproduzido em segundo plano. O método também vale para listas de reprodução, com o vídeo seguinte sendo acessado de forma automática sem a necessidade de interação.

Uma outra opção para isso é o McTube, um aplicativo voltado especificamente para a reprodução de vídeos em background. Com interface simples, ele permite, por exemplo, reproduzir um clipe apenas com o áudio e simplifica o processo de colocar tudo em segundo plano, bastando pressionar o botão Home para que a mágica aconteça.

Por outro lado, o McTube não permite acessar listas de reprodução criadas pelos usuários, mas funciona a partir de um sistema próprio de playlists. Além disso, ele não permite que os anúncios sejam pulados, como na plataforma normal, o que pode acabar sendo um problema para quem não tem muita paciência.

O fim das propagandas

Ad-Block Browser

E já que estamos falando em propagandas, outra novidade trazida pelo iOS 9 foi, justamente, o suporte a ad blockers, que impedem a exibição dos reclames. A alternativa é controversa, já que acaba minando uma das principais fontes de renda dos criadores de conteúdo, e funciona a partir de extensões e aplicativos de terceiros, abrangendo, claro, também o YouTube.

Usar o Ad-Blocker Browser, por exemplo, permite que os anúncios anteriores ao vídeo sejam praticamente extintos, levando o usuário diretamente ao que interessa. Isso vale não apenas para o site de vídeos em si, mas também outros sites, onde as propagandas simplesmente não vão carregar, o que pode ser uma boa também para quem usa a versão 3G do iPad e está em um plano de dados limitado.

O navegador custa US$ 0,99 (cerca de R$ 4) e, em sua versão gratuita, permite o uso somente por um determinado período de tempo, para degustação. Na edição completa, também estão inclusos a abertura de diferentes abas, um modo “computador” que evita que sites abram na versão mobile e compatibilidade com aparelhos como o Chromecast e Apple TV, além de outros que acessam o sistema AirPlay.