Livros digitais começam a ganhar espaço no Brasil graças aos tablets

Por Redação | 16 de Junho de 2014 às 09h53
photo_camera Divulgação

O que antes aparecia apenas em filmes e séries de ficção científica, agora está acontecendo: aos poucos, o papel está sendo substituído pelos dispositivos móveis, como tablets e smartphones. Claro que ainda é cedo para decretar a morte do papel como conhecemos – e talvez nunca aconteça de fato –, mas os leitores de livros, jornais e revistas estão se adaptando a essa nova realidade.

Hoje já existem 18 milhões de tablets em funcionamento no Brasil. E mais do que acessar a internet ou baixar aplicativos, esses gadgets vêm sendo usados para a leitura de e-books. Sabendo que esse é um mercado que cresce a cada dia, várias editoras investem na adaptação de obras para os aparelhos portáteis. O fato tem chamado atenção até mesmo do governo brasileiro, que acredita que a popularização dos tablets e smartphones é um indício positivo para a indústria nacional de e-books.

"A leitura hoje deixou de ser linear. O leitor está lendo e acessa um link relacionado, compartilha um trecho com amigos em redes sociais, lê mais sobre o assunto na internet. Essa é a grande beleza do momento atual. É claro, os jovens não leem como a gente lê – mas também consomem. E o nosso segmento precisa se adaptar a esta mudança", disse Susanna Florissi, diretora da Câmara Brasileira do Livro, em entrevista à revista EXAME.

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Segundo números oficiais, os e-books representam menos de 3% do total de vendas de livro no país, mas a tendência é que esse mercado cresça nos próximos anos com diversas iniciativas. É o caso do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) e a chegada de grandes empresas do setor, como a Amazon e a Barnes and Nobles. Outro exemplo é o Colégio Bandeirantes, em São Paulo, que aboliu os livros físicos entre alunos do 6º ano e adotou o iPad.

Parte dessa fraca participação na indústria de livros é porque boa parte dos tablets vendidos no país ainda são muito caros para a população, o que acaba atraindo consumidores de classes mais ricas. No entanto, como afirma Florissi, outros aparelhos estão atraindo o interesse do usuário com renda mais baixa. "Outras opções, como o Kindle e o Kobo, também chegaram com muita força. Acho também que é uma questão de geração. Quem é mais velho e quer algo dedicado à leitura, escolhe o Kindle. Já as novas gerações, para as quais outras funções são essenciais, vão optar pelo iPad", explica.

Já as empresas apostam em e-books totalmente interativos para vender e lucrar com a tecnologia. Segundo Florissi, as companhias têm investido em aplicativos e ferramentas baseados na nuvem e formatos mais antigos, como CD-ROMs, praticamente não existem mais – até porque a maioria dos aparelhos não possuem entradas para acessá-los.

A importância dos e-books no Brasil é tanta que será tema de um congresso organizado pela Câmara Brasileira do Livro. Em sua quinta edição, o Congresso Internacional CBL do Livro Digital será realizado entre os dias 21 e 22 de agosto, dias antes da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O encontro será aberto por Jason Markosk, que ajudou a inventar a tecnologia usada nos e-books e membro da equipe de lançamento dos primeiros dispoitivos Kindle, da Amazon.

"A internet vai permitir que este conteúdo [dos livros] chegue a mais pessoas. Acho que o mercado deve crescer – inclusive o impresso. O papel é ótimo para anotações e outras funções e, para mim, uma coisa puxa a outra. Cabe a autores e ilustradores estarem atentos a esta nova forma de fazer livro. O livro impresso não vai morrer, mas vai ter que conversar com outras mídias", conclui Florissi.

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