Envy X2, o híbrido de tablet e notebook da HP

Por Pedro Cipoli
photo_camera Bruno Hypolito / Canaltech

O Windows 8 foi lançado há algum tempo com a promessa de revolucionar a forma como utilizamos nossas máquinas. Por trazer uma interface muito mais amigável a telas sensíveis ao toque, ele permite o uso tanto em tablets quanto em notebooks. No Envy X2 da HP, essas duas opções estão disponíveis pois estamos falando de um híbrido: ao tirarmos da caixa ele possui todo o "jeitão" de um notebook, mas logo localizamos a trava que permite soltar a tela e transformá-lo em um tablet.

Essas duas formas de uso o transformam em uma excelente opção para quem quer o máximo de portabilidade em apenas um produto, carregando apenas uma máquina na mochila que possua duas funções. Na hora de trabalhar, basta conectar o tablet ao dock que inclui teclado, touchpad, entrada USB, saída HDMI e conector de fone de ouvido. Assim, ele vira um netbook com tela de 11,6 polegadas e resolução de tela de 1366x768. Para entretenimento e outras tarefas, basta desconectá-lo do dock e transformá-lo em um tablet.

O conjunto pesa cerca de 1,4 kg, onde tanto o tablet como o dock pesam cerca de 700 gramas cada um. Para um notebook ele é bastante leve, mas pesado como tablet, especialmente se o utilizamos com apenas uma das mãos. Boa parte do peso está na estrutura de alumínio escovado (excelente, diga-se de passagem) e nas baterias (sim, no plural): uma de cerca de 7150 mAh no tablet e outra de 3100 mAh embutida no dock. Traduzindo em termos práticos, temos um modelo com excelente autonomia e com um design bastante atraente.

Autonomia de quanto tempo, aproximadamente? Bem, utilizamos o conjunto tablet + dock para tarefas cotidianas e ele funcionou cerca de 11 horas e meia fora da tomada, onde somente o tablet foi capaz de sustentar cerca de 9 horas de navegação na internet com o brilho da tela em 50%. Em vídeos o resultado foi desapontador: 6 horas fora da tomada mesmo com as conexões desligadas, o que mostra que os chips Intel Atom ainda estão longe de ter a eficiência energética que encontramos em tablets Android e nos iPads com seus SoCs ARM.

O Enxy X2 utiliza um processador Intel Atom Z2760 dual-core rodando a 1,8 GHz (família Clover Trail) pareado com 2 GB de memória RAM, mas ela ainda é DDR2 e roda a 533 MHz. No geral, essas especificações conseguiram segurar o Windows 8 com bastante versatilidade, embora seu desempenho tenha caído consideravelmente quando começamos a abrir várias abas do navegador ao mesmo tempo, mostrando que o gargalo está na quantidade e falta de velocidade da memória RAM.

Isso não significa que estamos falando de uma máquina lenta. A Intel demorou muito tempo para conseguir reverter a imagem negativa de sua família Atom, antes sinônimo de computador lerdo (e de fato eram). Atualmente os modelos estão maduros o suficiente para dar conta da maioria das tarefas. Porém, esqueça qualquer tipo de função que exija mais dos gráficos, como edição de vídeos e imagens, já que no Envy X2 até desistimos de redimensionar várias imagens ao mesmo tempo (ele simplesmente "parou").

Outro ponto é que estamos falando do Windows 8 32 bits, não do Windows RT. Por um lado, perdemos em desempenho, já que o Windows RT é consideravelmente mais leve do que o Windows 8 convencional. Por outro, a versão 32 bits permite a instalação de qualquer programa do Windows que estamos acostumados, de forma que é possível desde utilizar o LibreOffice (ok, o Office 365) até editores de imagem como o Gimp e o Photoshop.

No geral, temos um conjunto bastante equilibrado para os usuários que querem portabilidade, não desempenho. O disco SSD de 64 GB completa o conjunto, proporcionando uma inicialização rápida ao mesmo tempo que um menor consumo de energia, mas é pequeno demais e disponibiliza menos de 40 GB para o usuário guardar os seus dados. Quer mais espaço? Somente com um cartão SD de até 64 GB, mas não sem uma queda considerável de desempenho, já que esses cartões são muito mais lentos do que um SSD.

A falta de espaço se deve principalmente ao Windows, já que a HP não possui a política masoquista de instalar dezenas de programas junto com a máquina, os famosos crapwares. Para falar a verdade, não observamos quase nenhum – apenas um software de impressão (de impressoras HP, naturalmente) e um gerenciador automático de recuperação do sistema em caso de falha. Ponto para a empresa nesse sentido, pois nada pior do que ligar uma máquina novinha e ter que ficar desativando programas.

Com uma câmera traseira de 8 megapixels, o usuário estará bem servido para tirar fotos e gravar vídeos em Full HD. Até aí, nenhuma surpresa. É a câmera frontal que nos surpreendeu, trazendo o que há de melhor da tecnologia Truevision da HP. Com 2 megapixels, ela é capaz de filmar em Full HD com uma excelente qualidade, ideal para quem costuma se comunicar via Skype ou quaquer outro programa VoIP. As duas funcionam sem efeitos, HDR, estabilização de imagem ou nenhum outro recurso de software. Apenas capturam imagens e pronto.

Até o momento falamos bem do Envy X2, certo? Agora vamos às falhas. O encaixe do tablet no dock é, sim, bastante preciso e seguro, e é possível até levantá-lo pela tela. Porém, a trava é bem desagradável de se manipular. Pior, parece bastante frágil e dá a impressão de que poderá apresentar problemas depois de várias utilizações. Outro ponto é o touchpad, algo que nunca foi o forte da HP. Além de consideravelmente pequeno, ele é texturizado de um jeito esquisito, dando um pouco de aflição de passar os dedos. Pelo menos ele é compatível com todos os gestos otimizados do Windows 8.

Outro ponto é que, pelo preço cobrado pelo produto, esperávamos alguns features a mais. O que mais sentimos falta foi de um teclado retroiluminado. Ele permitiria ao usuário trabalhar em qualquer ambiente, mesmo em locais muito escuros. Os botões de controle (desligar, controle de volume e assim por diante) ficam na parte de trás do tablet, algo que é estranho de utilizar em qualquer um dos modos (temos que ficar "procurando" os botões com os dedos).

Conclusão

O Envy X2 da HP pode ser encontrado à venda pelo preço sugerido de R$ 3999, valor bastante alto e que o coloca lado a lado com o MacBook Air lançado recentemente com processadores Intel Haswell. Vale a pena? Se você é um usuário que procura o máximo de portabilidade, visual atraente, um produto 2-em-1 (tablet e notebook) e não pretende utilizar nenhuma aplicação gráfica, ele é uma escolha certa. Claro que alguma simpatia pelo Windows 8 também é um ponto importante.

Voltando à comparação com o Macbook Air. O aparelho da Apple possui um hardware consideravelmente superior, autonomia de bateria parecida e, voilà, um teclado retroiluminado. O touchpad também é superior, mas não é destacável, não sendo possível utilizá-lo como tablet. Ele também não possui uma tela sensível ao toque, e tem uma câmera (somente uma), inferior à do Envy X2. Colocando essas características lado a lado, podemos ter uma ideia do que esperar de um produto na faixa dos R$ 4000 e ver o que vale a pena priorizar.

Vantagens

  • Produto 2-em-1, funcionando bem como tablet ou notebook
  • Câmeras de qualidade
  • Autonomia de bateria acima da média para um modelo com Windows 8 32 bits
  • Configuração bastante equilibrada para o público-alvo

Desvantagens

  • Preço alto, considerando que alguns recursos estão ausentes (como teclado retroiluminado, por exemplo)
  • Um disco de 64 GB (com menos de 40 GB disponíveis) é insuficiente para atender um usuário comum
  • Encaixe com aparência frágil
  • Botões localizados na parte traseira, algo que é difícil se acostumar
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