[Análise] iPad Air: mais fino, leve e rápido

Por Pedro Cipoli

Enquanto os iPhones não passam por uma mudança significativa desde o iPhone 4, os iPads evoluem de forma bastante perceptiva. Cada geração traz um adicional que chama a atenção mesmo de quem possui a versão anterior, algo que não acontece há algum tempo com o iPhone, e o iPad Air mostra que o mercado de tablets de 10 polegadas ainda tem um concorrente seríssimo do lado do iOS.

Se fôssemos chutar, diríamos que tem alguma coisa a ver com o fato de os iPads não trazerem uma versão "S" entre uma geração e outra, segurando novos recursos até a exaustão. Tudo bem que o iPad 4 foi mais uma "correção de performance" em relação ao iPad 3 do que qualquer outra coisa, mas é difícil não ficar surpreso com o iPad Air. Já esperávamos um design semelhante ao do iPad Mini, mas realmente não tínhamos imaginado que ele fosse tão leve.

Naturalmente não é tudo novo: trata-se da mesma tela de 9,7 polegadas com resolução Retina (2048x1536, densidade de pixels de 264 pontos por polegada), tecnologia IPS e proteção contra riscos e oleosidade. A grande mudança é que ele aparenta ser menor do que realmente é, encaixando bem na mão e sendo bastante confortável de utilizar por horas a fio.

Design

A mudança de peso é bastante perceptiva e é interessante observar a evolução desse quesito. O iPad original pesava 680 gramas, considerado bem pesado por muitos usuários, diminuindo para 600 gramas no iPad 2. No iPad 3 esse valor aumentou novamente, em especial devido à bateria necessária para aguentar a tela Retina na época: 652 gramas, peso que se manteve no iPad 4. No iPad Air esse valor caiu para 469 gramas, uma diferença de 28% em relação ao iPad 4 e 31% em relação ao iPad original.

A espessura seguiu um caminho semelhante: 13,4 mm no iPad original, caindo para 8,8 mm no iPad 2. Novamente no iPad 3 temos um aumento devido à bateria: 9,4 mm, mesma espessura do iPad 4. No iPad Air esse valor caiu para 7,5 mm, diferença de quase 21% em relação ao iPad 4 e 46% em relação ao iPad original. Essas diminuições, tanto de peso quanto de espessura, fazem com que a sensação seja de utilizar um tablet de 8 polegadas.

Continuando, a semelhança com um super iPad mini fez com que a largura diminuísse 1,57 cm, agora com 17 cm, e a altura ficasse pouca coisa menor, agora com 24 cm (diferença de 1,2 mm). Os botões na lateral também mudaram. Os botões de volume são separados e acompanham a cor do alumínio (cinza espacial, em nosso caso), ficando tipicamente posicionados na lateral superior esquerda logo abaixo do botão de silêncio.

Performance

No iPad Air temos exatamente o mesmo chip Apple A7 do iPhone 5S, e não uma versão específica para tablets como costumava acontecer (como o Apple A5 e o A5X e o A6 e o A6X). Para nós, essa mudança até que faz sentido, já que a bateria é menor e um chip mais potente diminuiria a autonomia, além de trazer poucos benefícios para o usuário, já que não há nada que não rode nele.

O chip A7 é composto por um par de núcelos Cyclone rodando a 1,4 GHz, 1 GB de memória RAM e uma GPU PowerVR G6430. Como podemos ver, nem a quantidade de núcleos nem o clock mudou em relação ao chip A6X, apenas a GPU. Há apenas um melhoramento na arquitetura do processador e velocidade de memória RAM, que combinados oferecem 2 vezes mais desempenho em relação ao iPad 4. Sinceramente, é difícil notar uma diferença de velocidade, já que é difícil encontrar um app que não rode no iPad 4.

Ah sim, ele é um processador de 64 bits, a maior história de propaganda já contada (leia mais sobre em Qualcomm anuncia Snapdragon 410 de 64 bits – o que isso significa?)

Câmera, bateria e conexões

A Apple costuma melhorar significativamente a qualidade da câmera a cada geração de iPad, o que não necessariamente é o mesmo que aumentar a quantidade de megapixels. São os mesmos 5 megapixels na câmera traseira, que é capaz de gravar vídeos em Full HD e tem suporte a HDR, mas há uma melhora no sensor de luz e mudança no foco (de 4,3 mm para 3,3 mm). As fotos durante o dia são muito boas, assim como os vídeos, que contam com estabilização, mas o comportamento muda à noite, ainda apresentando uma boa quantidade de ruído.

Ficamos surpresos com a ausência do modo slow motion no iPad Air, já que a câmera apresenta especificações para tal e o processador é o mesmo do iPhone 5S. Talvez no "Novo iPad Air 2", quem sabe. Com os mesmos 1,2 megapixels na câmera frontal e capaz de gravar vídeos em 720p, ela é pouca coisa melhor do que a que equipa o iPad 4, apresentando bons resultados em programas VoIP, como o Skype ou o FaceTime.

A conectividade é basicamente a mesma do iPad 4:

  • Versão 4G, que agora funciona no Brasil (se você comprar por aqui, claro);
  • Wifi dual-band nos padrões a/b/g/n;
  • Bluetooth 4.0;
  • GPS com A-GPS e GLONASS.

A bateria, assim como as dimensões, é menor e agora traz 8820 mAh de capacidade. Mesmo que esse valor seja menor do que os 11560 mAh do iPad 4, a autonomia é a mesma. Dentre os vários fatores para isso temos a utilização de componentes mais econômicos, como a iluminação do display, agora com apenas um LED, e o melhor gerenciamento de energia do processador.

Extras

O iPad Air vem com a versão mais recente do sistema da Apple, o iOS 7. O diferencial é que é possível baixar gratuitamente vários apps desenvolvidos por ela e que custam de US$ 5 a US$ 10 da App Store:

  • Pages
  • Numbers
  • iMovie
  • GarageBand

...Entre outros. Para finalizar, o iPad Air não vem com o Touch ID, contrariando uma série de rumores. Provavelmente a Apple o implementará em alguma versão futura (Novo iPad Air 3, será?), e também não há uma opção dourada como no iPhone 5S (que deve ficar lá para o iPad 11).

Conclusão

O preço da versão que testamos (Wi-Fi + 16 GB) é de R$ 1.699, valor que aumenta na opção 4G ou com mais espaço de armazenamento interno (32, 64 ou 128 GB). Fazendo uma análise mais fria, acreditamos que, apesar do preço alto, ele ainda é uma das melhores opções de tablets na casa das 10 polegadas, independentemente da plataforma.

Não temos a menor intenção de dar crédito gratuito para a Apple, mas a verdade é que tablets Android que batem o iPad (como o Galaxy Note 2014) ficam em uma faixa de preços bem mais alta. Modelos com o Windows 8 ou Windows 8 RT são um caso semelhante. Raros são os modelos que saem por menos de R$ 2.000.

Vantagens

  • Mais fino e leve;
  • Processamento de sobra;
  • Apps gratuitos da Apple.

Desvantagens

  • Acessórios para versões mais antigas, como a Smart Cover para iPad 4, não são compatíveis;
  • Não há a opção dourada, nem Touch ID.
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