Análise: Galaxy Note 8.0, um tablet com configuração forte e tamanho ideal

Por Pedro Cipoli

A série Note da Samsung é uma das poucas que oferecem uma forma diferente de interagir com o dispositivo graças à caneta Stylus que acompanha todos os modelos. A S-Pen é realmente um ótimo guebra-galho para muitas tarefas e possui um sensor de pressão bastante preciso. Na mão de uma pessoa com talentos artísticos, ela pode se tornar uma ferramenta poderosa de trabalho.

No mundo dos tablets a Samsung estreou com o Galaxy Note 10.1, um dos primeiros modelos com processador de quatro núcleos no Brasil. Para muitos, na pior das hipóteses, ele seria um excelente tablet, mas trazia vários programas específicos da linha Note para serem utilizados especificamente com a S-Pen, muitos deles presentes no Galaxy Note original. Com o lançamento do iPad Mini, a sul-coreana não perdeu tempo e lançou um modelo de 8 polegadas, que, embora tenha sido lançado após o modelo da Apple, chegou antes dele aqui no Brasil.

Se olharmos de relance, o Note 8 parece uma versão exagerada do Galaxy S3 ou mesmo um telefone de 8 polegadas. A TouchWiz, interface gráfica da Samsung utilizada em toda a linha Galaxy, traz a mesma experiência de um smartphone inclusive com a área de notificação localizada na parte de cima da tela inicial. A forma de uso é basicamente a mesma do Galaxy Note e Galaxy Note 2, o que dá uma certa familiaridade de uso para quem já conhece esses equipamentos.

As especificações também não decepcionam e são exatamente as mesmas do Galaxy Note II: processador Exynos 4412 quad-core de 1,6 GHz, 2 GB de memória RAM e GPU Mali-400. A tela, embora maior, possui a mesma resolução do Galaxy Note original (1280x800) e tecnologia LCD, ou seja, nada do famoso Super AMOLED dos top de linha da Samsung e nem a tecnologia IPS. Esse ponto nos deixou bastante decepcionados, considerando o preço do Galaxy Note 8 e a forte concorrência que o iPad Mini representa.

Um recurso que gostamos foi a possibilidade de utilizar dois aplicativos ao mesmo tempo, e ao contrário do que acontece no Galaxy S3 e Galaxy S4, basta segurar o botão "Voltar" por 2 segundos para revezá-los. Com uma tela de 8 polegadas esse é um recurso especialmente útil, já que permite copiar e colar textos de uma janela para outra e mesmo assistir um vídeo enquanto realiza outra tarefa, o que, combinado com a forte configuração do Note 8, dá um gás na maioria das tarefas.

A S-Pen é um diferencial bastante poderoso em relação aos outros tablets e, com o tempo, passamos a utilizar o Note 8 somente com ela. Com o aplictivo S Note conseguimos literalmente escrever o que queríamos e o tablet reconheceu a nossa escrita com (quase) nenhum erro, assim como é possível desenhar com bastante precisão. Em nossos testes vimos que o sensor de pressão funciona muito bem, assim como os controles de cor, espessura e estilo de pintura (giz, pincel, lápis, caneta).

Colocando os recursos exclusivos do Note 8 de lado, ele não deixa de ser um excelente tablet, ainda mais considerando que as opções disponíveis por aqui são bem escassas. Temos o iPad e iPad Mini, além de outros modelos de entrada que trazem processadores lentos e pouca memória RAM. Considerando somente o Android, em especial, o Note 8 se sobressai com uma excelente configuração e tela decente, oferecendo aos usuários uma ótima experiência de uso ao navegar na internet e até rodar games de última geração como Dead Trigger e Real Racing 3.

Para quem acha que os modelos de 10 polegadas são pouco ergonômicos, o Note 8 é bastante interessante: pesa 338 gramas e tem 21 centímetros de altura, 13,6 centímetros de largura e cerca de 8 milímetros de espessura, o que torna possível segurá-lo com apenas uma das mãos. A bateria de 4600 mAh é pouca coisa maior do que a do Galaxy Tab original (4000 mAh), mas é capaz de aguentar um dia inteiro fora da tomada. O carregador é do tipo micro USB, ótima notícia para quem possui vários deles espalhados pela casa. Finalmente a Samsung abandonou o conector próprio utilizado em tablets.

Um ponto que não gostamos é a estrutura do Note 8. Sim, é bastante parecido com a do S3/S4 com o famoso policarbonato branco e bordas que lembram metal (mas são de plástico pintado). Esse truque até passa uma sensação de segurança em smartphones (e até nos Galaxy Note I e II), mas em tablets dá até um medo de derrubá-lo no chão. Então é importante destacar esse ponto para quem está pensando em adquiri-lo.

A câmera traseira é de 5 megapixels e possui a mesma qualidade do Galaxy Note 10.1, sendo capaz de tirar fotos e gravar vídeos com qualidade média. A frontal é de 1,3 megapixel, capaz de gravar vídeos em HD 720p@30fps, e em nossos testes se saiu bem em videoconferências com o Skype. Nenhuma das câmeras oferece nada de especial, mas usuários em geral não costumam pensar em tablets como primeiro dispositivo de fotos. Essa tarefa é normalmente direcionada a smartphones.

O Note 8 vem de fábrica com o Android 4.1 Jelly Bean, mesmo com a versão 4.2 já disponível há algum tempo. Até o fechamento dessa análise, não há uma previsão de atualização para a versão mais recente. Mesmo se tratando de um tablet, ele traz GPS com A-GPS e GLONASS, 3G (na versão que testamos), MHL e Bluetooth 4.0, mas nada de NFC ou 4G em nenhuma versão.

Vídeo comparativo: iPad Mini ou Galaxy Note 8.0?

Conclusão

O Galaxy Note 8 pode ser encontrado no mercado brasileiro pelo preço inicial de R$ 1299 para a versão com 16 GB de armazenamento e sem modem 3G, sendo um valor um pouco salgado para um modelo de 8 polegadas. Como dissemos, o Brasil anda mal em oferta de tablets, então o Note 8 se destaca como uma das poucas opções para quem está disposto a investir um pouco mais em um modelo que suporte os apps mais modernos e com uma tela minimamente decente.

Nessa faixa de preços ele concorre diretamente com o iPad Mini recém lançado por aqui, e compará-los é algo inevitável. Enquanto o iPad Mini é voltado para quem acha o tablet da Apple grande e pesado ou mesmo quer economizar um pouco para ter o iOS, o Galaxy Note 8 é mais direcionado a power users e ao público que vê benefícios imediatos no uso da S-Pen. De qualquer forma, são plataformas diferentes que não podem ser comparadas de forma direta.

Vantagens

  • Configuração forte, capaz de lidar com tarefas pesadas
  • Caneta Stylus com aplicativos dedicados
  • Dimensões bastante ergonômicas e bastante fino
  • Boa capacidade multitarefa e de lidar com dois aplicativos ao mesmo tempo

Desvantagens

  • Apesar de tudo, o preço é salgado
  • A tela não chega a ser ruim, mas a resolução poderia ser maior e poderia trazer a tecnologia Super AMOLED da Samsung
  • Aparenta ser bastante frágil
  • Não traz a última versão do Android e não há previsão de atualização