Telefônica inaugura nova sede Wayra e lança programa pré-aceleração no Brasil

Por Rafael Romer | 17.02.2016 às 09:24
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

A Telefônica Vivo inaugurou nesta terça-feira (16) uma nova sede para a aceleradora Wayra localizada no edifício central da companhia em São Paulo, que agora passará a abrigar cinco novas startups da turma 2016 do programa de aceleração da empresa.

O novo espaço substitui a antiga sede da Wayra, localizada na Avenida Berrini, e faz parte da rede Telefônica Open Future, um programa global da empresa que agrega diferentes iniciativas em empreendedorismo e inovação aberta - do qual a Wayra é um dos braços principais.

Agora, passam a fazer parte da academia de aceleração a fornecedora de assistência técnica online em TI NetSupport; Gupy, voltada para o recrutamento e seleção online de pessoas; Agra, focada no fornecimento de inteligência para o setor agropecuário; IndWise, desenvolvedora de uma solução de monitoramento industrial; e a Conube, fornecedora de serviços de contabilidade online.

Com as cinco novas empresas, um total de 54 startups passaram pelo processo de aceleração da Wayra desde sua fundação no Brasil, em 2012. Até o ano passado, a aceleradora da Telefônica havia investido R$ 5,8 milhões nas empresas brasileiras que passaram pelo programa - em média, a cada R$ 1 que a empresa investe nas iniciativas, outros R$ 5 também são colocados por outros fundos de mercado.

"No Brasil, não faltam boas ideias, competência ou pessoas com nível de educação. O problema sempre foi a infraestrutura, como começar e o investimento", comentou o presidente da Telefônica Vivo, Amos Ganish, sobre as ações da empresa em empreendedorismo no país. "O venture capital quase não existe no Brasil, é o maior problema que há. Startups pequenas poderiam crescer e um dia virar um Facebook, mas isso nunca vai acontecer no Brasil sem uma infraestrutura de investimentos".

Wayra

Nova sede da aceleradora está localizada no prédio central da Telefônica Vivo, em São Paulo (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Crowdworking

Além do novo espaço de aceleração para startups, a Telefônica anunciou o lançamento de seu primeiro espaço de crowdworking do país, com foco em iniciativas da Internet das Coisas (IoT) e Telecomunicações, localizado no "Vale da Eletrônica" brasileiro, em Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais. O espaço funcionará como uma espécie de "pré-aceleração" para empreendedores que estão iniciando seus projetos, com o objetivo de impulsionar empresas locais e incentivar jovens a colocar em prática suas iniciativas.

O local será operado em conjunto com o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e a Ericsson, e fornecerá acesso à infraestrutura, suporte técnico e mentoria gratuita para os projetos. Nem todas as iniciativas que passarem pelo espaço de crowdworking seguirão para outros projetos de empreendedorismo da Telefônica, mas há a possibilidade que iniciativas continuem avançando e até entrem em um projeto de aceleração e financiamento da Wayra.

O espaço em Santa Rita do Sapucaí deverá ser o primeiro de uma série de outros centros que serão espalhados pelo país. A ideia, que também faz parte da iniciativa Open Future, é que os centros funcionem como "olheiros" em todo Brasil para a Telefônica captar projetos promissores de diferentes setores e regiões para seus próprios programas de aceleração e inovação. Ainda não há informações de quantos projetos serão integrados ao espaço, nem de como a seleção será feita.

Na Espanha, a Telefônica mantém atualmente 22 espaços de crowdworking e a expectativa é que o número seja ainda maior no Brasil pela extensão do território nacional. Ao menos cinco outros parceiros já estão em conversa com a Telefônica para a abertura de mais espaços do tipo.

"O Brasil é um país muito grande, tem muita coisa acontecendo", explica o Country Manager do Telefônica Open Future Brasil, Renato Valente, sobre a iniciativa dos crowdworkings. "É uma forma de integrar à rede. A chave para isso fazer sucesso é se posicionar bem, quanto mais olheiros tiver por aí e gente espalhada trazendo projetos, maior a probabilidade de conseguir projetos que deem certo".