Startups sofrem com a redução de investimentos e financiamentos

Por Redação | 25.07.2016 às 08:57 - atualizado em 25.07.2016 às 20:49
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O ano de 2012 foi ótimo para a maior parte dos países da América Latina. Enquanto o resto do mundo de debatia entre crises, loucura e desespero, em uma das maiores crises financeiras da história, grande parte dos países latino-americanos gozavam de boa situação econômica. Ricos em matérias primas e com grandes mercados consumidores, as startups e os investimentos nessas empresas iniciantes desses países tiveram seu auge enquanto Europa e Estados Unidos passavam por apertos. De lá para cá a situação mudou drasticamente.

A era de ouro das startups

Um sistema de investimentos acompanhado de perto por agências de desenvolvimento, juntamente com a atuação direta de ONGs e incentivos dos governos criaram uma condição para o desenvolvimento empresarial, a inovação e os investimentos em startups, permitindo grandes visionários a sonhar com a expansão das empresas a nível mundial. Mesmo sendo um sistema imaturo aos olhos do mundo, algo ainda bem longe de um Vale do Silício, por exemplo, esse crescimento vem chamando atenção dos outros países mais desenvolvidos. Apesar dos progressos significativos, as economias em desenvolvimento ainda têm muito trabalho a fazer e empresários e investidores ainda estão em busca de um lugar em seus países e no mundo.

O Brasil ocupa um lugar de destaque nesse cenário. O milagre brasileiro, como muitos definem, ocorrido em 2012, elevou o nível de investimentos em até 800% em apenas um ano e trouxe até mesmo os Jogos Olímpicos para o país. A Colômbia foi outro país que se destacou como um dos que mais estimulou a criação de fundos de investimento e medidas protetivas para os pequenos empresários. Não menos importante, o México, que depois do Brasil é o país com mais empreendedores ativos da região, também tem sua relevância, já que possui a vantagem da proximidade com os países da América do Norte. Menos proeminentes, mas ainda assim importantes, Argentina e Peru, apesar dos problemas políticos, têm aprendido a se adequar a essa nova realidade, procurando incentivar e atrair investidores.

De volta à realidade

Entretanto, parece que o sonho está acabando, ou pelo menos amornando. Um dos maiores desafios pendentes é o de mirar o mercado fora dessa região. A nova geração de empresários tem evoluído para esse objetivo, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido sobre essa questão. O Brasil, o México e a Argentina têm um papel de destaque nesses projetos voltados para fora, mas a proximidade cultural e linguística desses países acaba limitando e dificultando a expansão desejada. Outro aspecto limitador é que muitas vezes os fundos de investimento para as pequenas empresas vêm de grandes fortunas de diferentes famílias, de modo que a formação de um capital de risco se torna uma tarefa muito mais complexa.

O resultado dessa conjunção de fatores é que, 4 anos após o ápice do desenvolvimento, o número de investimentos vem caindo gradativamente, principalmente no Brasil. Levando em conta seu tamanho geográfico e a influência econômica que exerce, o país é considerado hoje um dos maiores responsáveis pela representatividade da América Latina no comércio internacional, mas, por conta da longa crise política e econômica, vem omitindo seus dados financeiros e perdendo credibilidade daqueles que detém o capital.

Mas, tirando o Brasil da análise, o que acontece com o resto do continente? Se apenas nesse início do segundo semestre o país acumulou 62 operações de investimento resultando em US$ 74,36 milhões aplicados, o mesmo não aconteceu no resto dos países. Como sempre, o México lidera o grupo dos outros países, se beneficiando da proximidade com os EUA e aumentando o nível injeção de dólares em suas empresas - mas mesmo assim nem de perto chegou aos números brasileiros.

A impressão que dá é que quando o resto do mundo começa a se encontrar, se estabilizar e finalmente volta a crescer, as coisas esfriam por aqui. Parece que todo aquele fluxo de investimentos vindo de países como os Estados Unidos ficou mais contido ou está sendo direcionado para outros países em melhores situações política e econômica.

Via: Hipertextual