Startup que iria efetuar o primeiro parto no espaço cancela suas missões

Por Rafael Rodrigues da Silva | 05 de Julho de 2019 às 11h58
Shutterstock

A SpaceLife Origin, uma startup holandesa com o objetivo de tornar a reprodução humana no espaço algo viável, anunciou que está cancelando duas missões que estavam agendadas pelo motivo de ter encontrado sérias questões éticas, de segurança e de procedimentos médicos que tornariam inviáveis essas viagens.

A startup ganhou manchetes em sites e jornais de todo o mundo em outubro de 2018, quando anunciou o início de um programa voltado para que as pessoas pudessem viajar para o espaço para conceber seus bebês fora de órbita, gerando assim os primeiros humanos a nascerem fora do planeta. Mas, no fim de junho de 2019, o CEO da empresa, Kees Mulder, publicou um comunicado avisando sobre o cancelamento das missões e o fim de seu relacionamento com Egbert Edelbroek, cofundador da startup, devido a uma quebra de confiança irreparável. Mulder se recusou a especificar o que exatamente ocorreu para o fim da parceria.

Desde o anúncio de sua criação, a startup tem sido alvo de diversas críticas da mídia e de especialistas — principalmente do campo médico, que costumeiramente alertava sobre os perigos de se efetuar o parto no espaço. E, aparentemente, essas críticas foram ouvidas, já que o comunicado publicado por Mulder cita as dificuldades médicas como um dos principais motivos para o cancelamento da missão.

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Quando anunciou o início de suas atividades, a SpaceLife Origin havia programado três viagens iniciais em seu cronograma: a primeira, chamada de Missão Arca, envolveria o envio de amostras de esperma e ovário para a órbita baixa da Terra, onde ficariam dentro de um pequeno satélite. Nessa fase, cada tubo de ensaio enviado para o espaço custaria entre US$ 30 mil e US$ 125 mil. Com previsão para ocorrer em 2020, essa é a única fase do projeto que o memorando não confirma o cancelamento, o que pode ser uma indicação de que a empresa ainda planeja se manter em atividade.

A segunda viagem, chamada de Missão Lotus, enviaria as células reprodutoras novamente à órbita, onde elas seriam fertilizadas e mantidas por quatro dias em uma incubadora espacial antes de retornar à Terra e serem implantadas nos clientes da empresa. Com previsão para 2021 e com custos entre US$ 250 mil e US$ 5 milhões por cliente, essa foi uma das missões canceladas por Mulder em seu memorando.

Quem também foi cancelada foi a terceira viagem, batizada de Missão Berço. O intuito dela seria enviar para o espaço as mulheres que engravidaram dos embriões fertilizados na fase 2 do projeto, onde seriam acompanhadas por especialistas responsáveis por efetuar o primeiro parto no espaço. A empresa ainda não tinha divulgado quanto essa fase do processo iria custar, mas a previsão era que ela ocorresse em 2024.

Em seu perfil no LinkedIn, Mulder indica que deverá mudar o foco da empresa, pois ainda pretende continuar com o tema de operações espaciais, mas não mais envolvendo bebês e mulheres grávidas.

Fonte: Business Insider

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